COMENTÁRIO
DE LUCIA HIPPOLITO (CBN)
Entre 7 de setembro e 4 de novembro de 1940, a aviação
alemã despejou várias toneladas de bombas sobre Londres,
numa das mais violentas batalhas da segunda Guerra Mundial. Durante
o que ficou conhecido como a Batalha da Inglaterra, foram 57 noites
de puro horror. A população da capital inglesa viveu esses
dias inteiramente aterrorizada, dormindo em abrigos e voltando no dia
seguinte, para encontrar, no lugar onde tinha sido sua casa, um monte
de escombros.
A destruição atingiu até mesmo uma ala do Palácio
de Buckingham, residência da família real. O rei George
VI foi vivamente aconselhado a deixar Londres com sua mulher e suas
duas filhas, uma das quais é a atual rainha Elizabeth II. Se
a família real se mudasse para o interior da Inglaterra, suas
chances de sobreviver às bombas nazistas seriam infinitamente
maiores. Nessa hora, ao contrário do que era aconselhado, a rainha
ergueu-se como um monumento. Baixinha, gordinha, sem nenhuma importância
até ali, a mulher de George VI transformou-se numa leoa, na solidariedade
ao seu povo. Não só declarou que ninguém de sua
família deixaria a cidade de Londres, como passou a visitar diariamente
bairros bombardeados para mostrar que a família real continuava
ali, ao lado de seu povo, mesmo na mais tenebrosa adversidade.
A rainha conquistou para sempre a admiração e o amor dos
ingleses. Morreu em 2002, com 101 anos, cercada pela devoção
do seu povo. Naqueles dias de 1940, a família real inglesa demonstrou
absoluta lealdade à sua gente. A população de Londres
não foi abandonada. Na mais dura prova até então
vivida por uma grande cidade, os londrinos tiveram ao seu lado o seu
rei, sua rainha e seu governo. A primeira família, seja na realeza
ou na República, é sempre simbólica. Ela é
uma transmissora de valores, de adesão às marcas nacionais.
Seus atos apontam caminhos, soluções e possibilidades.
O exemplo que ela dá revela seu compromisso com o país
e seu futuro.
Tudo isso me vem à lembrança quando leio nos jornais que
no Brasil a esposa do presidente da República solicitou e conseguiu
de um governo estrangeiro cidadania para ela, seus filhos e seus netos.
A mulher do presidente Lula, seus filhos e netos são hoje também
cidadãos italianos . O que será que isto quer dizer?
Como é que esta atitude será interpretada pela maioria
dos brasileiros, que não querem fugir do país e que tentam,
todo santo dia, fazer do Brasil um país melhor?
Como o Brasil espera inspirar confiança nos investidores estrangeiros,
quando a família do presidente da República já
conseguiu para si mesma uma "rota de fuga do país?"
Em tempo: Vale recordar que Dona Marisa Letícia (assim mesmo,
agora ela usa os dois nomes, "para ficar mais formal") andou
se justificando com asinina sinceridade: segundo ela, o pedido de cidadania
italiana foi para "garantir aos filhos um futuro mais seguro".
Ela deve saber qual futuro seu marido está construindo...
Lucia Hippolito