Edição 0089 - 06 de Outubro de 2005
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A DITADURA ESTÁ DE VOLTA

Quem pensa que o Brasil vive sob a égide da democracia e que o Congresso Nacional é a casa do povo brasileiro, engana-se. Em atitude truculenta e inexplicável, que fez lembrar os plúmbeos anos da ditadura militar, o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) determinou, durante o depoimento do doleiro Antonio de Oliveira Claramunt – o Toninho da Barcelona – que a segurança do Senado detivesse o editor da coluna e apreendesse seu material de trabalho, como se a ele coubesse o a prerrogativa de determinar o que um jornalista pensa ou escreve. A atitude do senador fere radicalmente a Constituição Federal de 1988, que no artigo 5º determina: "é livre a manifestação do pensamento" (inciso IV); "é livre a expressão da atividade intelectual e científica" (inciso IX); "são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação" (inciso X); "é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar" (inciso XVII). Ou seja, para o senador Heráclito Fortes um mandato parlamentar está acima de qualquer coisa ou pessoa, inclusive da Carta Magna brasileira.

A serviço de quem?
A decisão de agir de maneira bizarra e ditatorial surgiu quando o senador tomou conhecimento, por terceiros, do conteúdo do material que o editor portava, o qual, segundo alguns presentes ao depoimento de Toninho da Barcelona, feria os interesses do mais polêmico banqueiro tupiniquim de todos os tempos. O material, que de maneira alguma estavam sendo distribuído, como alegou o senador, nada mais era do que uma compilação de informações e reportagens do banqueiro “Tantas” (a Justiça ainda nos impede de citar seu nome), as quais estão disponíveis, não é de hoje, na rede mundial de computadores. Se buscar informações sobre alguém que faz do poder econômico uma ferramenta para intimidar desafetos não é crime, o senador Heráclito Fortes deve uma explicação à sociedade sobre os motivos que o levaram a tomar tal decisão. Do contrário, como muitos que presenciaram a ridícula cena afirmaram, o senador acabou admitindo ser um simpatizante efusivo do banqueiro que, diga-se de passagem, foi um dos responsáveis pela contratação da espionagem criminosa que resvalou em autoridades palacianas.

Tiro no pé
Tão logo a notícia ultrapassou os limites da minúscula sala em que permaneceu detido o editor, a bancada de parlamentares que agem em defesa do banqueiro no Congresso saiu em busca de informações sobre o estrago feito pelo senador piauiense, sempre minimizando qualquer conseqüência maléfica que pudesse complicar o depoimento que o banqueiro presta hoje à CPI dos Correios. O eleitor brasileiro precisa saber que democracia no Brasil não é, nem mesmo com muito esforço, um sistema político cujas ações atendem aos interesses populares, mas que contempla apenas aqueles que têm dinheiro, poder e relacionamentos escusos.

Pronto para mentir
Para turbinar ainda mais o imbróglio protagonizado pelo senador Heráclito Fortes, o banqueiro “Tantas” conseguiu no Supremo Tribunal Federal um habeas corpus que permitirá, durante o depoimento, não produzir nenhuma prova contra si próprio, conforme estabelece o Acordo de São José da Costa Rica, do qual o Brasil é um dos signatários. Em outras palavras, quem deveria explicar aos membros da CPI e ao povo brasileiro todas as suas lambanças empresariais e seu direto envolvimento com o publicitário Marcos Valério - operador do malfadado “mensalão” - vai acabar sendo canonizado por ações similares à do senador Heráclito Fortes, que conferem aos vendilhões da Pátria a blindagem necessária para que seus negócios escusos tenham continuidade. Assim, de agora em diante, não será novidade se no Congresso surgir uma legião de adeptos de São Daniel, o santo padroeiro das Ilhas Cayman.

Barrados no baile
Se a liberdade da imprensa esteve ameaçada recentemente pelos pensamentos totalitaristas de Luiz Inácio, José Dirceu e sua turma, é possível afirmar que nenhuma mudança tão radical ocorreu em relação ao assunto, pois, durante o período em que esteve detido no Senado, em uma saleta repleta de seguranças, o editor ouviu de que teria partido do senador Heráclito Fortes a sugestão de proibir a permanência de jornalistas responsáveis por sites e blogs nas dependências das Comissões Parlamentares de Inquérito. Trata-se de uma irresponsável censura da imprensa, o que faz do Congresso Nacional um tribunal de exceção, muito semelhante aos de Treblinka, Dauchau e Auschwitz, que serviu para o insano Adolf Hitler passar para a história como o mais sanguinário ser humano do planeta.

Como é que fica?
Se a idéia de barrar jornalistas no Senado - supostamente do senador Heráclito Fortes - ventilada na saleta que serviu de patíbulo do livre pensamento, emplacar, o parlamentar em questão terá de enfrentar graves problemas dentro do próprio partido, o PFL. Hoje, um dos blogs mais visitados pelos internautas brasileiros aficionados por política é o de César Maia, onde, por sinal, o prefeito do Rio de Janeiro tem destilado toda sua verve crítica contra as mazelas do governo Lula. E César Maia, o Imperador do Rio, não vai gostar de ser barrado nos corredores da CPI por ordem de Heráclito Fortes. Ou será que vai, prefeito?

Ficou pior
Firme em suas respostas e absolutamente didático no que tange à sua especialidade, operações de câmbio, Toninho da Barcelona não poupou o PT do presidente Luiz Inácio e o PP de José Janene. De acordo com o doleiro, o PT pagou, entre março e abril deste ano, R$ 8 milhões pelo apoio do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), ainda presidente da Câmara. A informação, revelada nos bastidores a um grupo de deputados, serviu como pá de cal para sepultar a passagem de Severino Cavalcanti pela Câmara dos Deputados.

Bye, bye Brasília
Como antecipou a coluna, o presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti, deve renunciar ao mandato ainda hoje. Acusado de cobrar propina do empresário Sebastião Buani, ex-concessionário da Casa parlamentar, Cavalcanti preferiu manter os direitos políticos para tentar voltar ao parlamento em 2007. A situação de Severino Cavalcanti piorou de sobremaneira depois das afirmações do doleiro Toninho da Barcelona. A renúncia de Severino Cavalcanti deve acontecer a qualquer momento, depois das 16 horas, na residência oficial da presidência da Câmara, de onde o parlamentar saiu raras vezes depois que Buani apresentou à Polícia Federal o cheque no valor de R$ 7,5 mil.

Tudo combinado
Deixando claro que algo de muito estranho ocorreu entre o depoimento prestado em São Paulo e o de ontem, na audiência conjunta das CPI’s dos Bingos, dos Correios e da Compra de Votos, o doleiro Antonio de Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, recuou em suas pesadas críticas, especialmente às que fez contra o ministro Márcio Thomaz Bastos e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A mudança no discurso do doleiro foi tão radical, que o senador Demóstenes Torres (PFL-GO) disse, em tom de brincadeira, que mais parecia a transformação de Osama bin Laden em Bento XVI. O fato é que o cheiro de acerto tomou conta da audiência.

Ele está dodói
Alegando uma miocardite aguda, o deputado paranaense José Janene, líder do PP na Câmara, deve optar pela aposentadoria como forma de escapara da cassação e preservar seus direitos políticos. É preciso lembrar que, na condição de um dos principais operadores do mensalão, Janene deve enfrentar processos na Justiça, o que poderá lhe trazer problemas, uma vez que como parlamentar aposentado deixar de gozar do chamado foro privilegiado. Se por um lado tal situação proporciona um número maior de opções de recursos judiciais, por outro coloca o ainda deputado na mira verdade dos fatos. Ou seja, Janene está vivendo o que Ney Matogrosso eternizou em uma de suas canções. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Ninguém é de ferro
Depois de enfrentar um dia complicado na Câmara dos Deputados, onde tentou contornar o mal-estar causado pelos programas políticos do PTB, em que Roberto Jefferson aparece criticando duramente o governo do presidente Luiz Inácio, o líder do partido, deputado José Múcio, surgiu, no início da madrugada desta quarta-feira, em um charmoso restaurante de Brasília à procura de uma garrafa de vinho. Depois de uma rápida checagem na adega local, Múcio saiu de mãos vazias e com a cabeça cheia de problemas. Que não são poucos desde que surgiu na imprensa, por obra de Roberto Jefferson, o imbróglio do “mensalão”.

Rasgando dinheiro
Para se ter uma idéia do descaso com o dinheiro público, a binacional Itaipu, não é de hoje, torra dinheiro como se a usina fosse de cédulas e não de energia. Há anos, o capítulo paraguaio da empresa adquiriu um avião King Air para as viagens de emergência de seus executivos. Já na margem oposta, a administinação brasileira da binacional preferiu continuar alugando aeronaves a preços exorbitantes, sendo que uma das contempladas foi a Vip Jet Aero Táxi, empresa do empresário Francisco Simeão, que por conta de uma “canetada” do presidente Lula recebeu a autorização necessária para importar pneus usados e recuperá-los no Paraná.

Enigma cearense
O inexplicável assalto ao Banco Central, em Fortaleza, de onde foram levados perto de R$ 160 milhões sem que ninguém percebesse, voltou a freqüentar as conversas nos corredores do poder. O que se comenta, de maneira muito forte e apropriada, é que o enorme volume de dinheiro teria sido retirado do local muito antes, sendo que o pouco que restou foi levado por aqueles que se encarregaram dos serviços duros da operação, como cavar um longo túnel e perfurar um piso que pensava-se ser intransponível. Não é possível crer que tamanha fortuna tenha saído do BC sem que ninguém percebesse a movimentação ou escutasse um ruído sequer no chão. A história está muito mal contada, e às autoridades cabem investigar a fundo o caso, pois não é crível que menos de 5% do valor roubado tenha sido recuperado até agora.

Haja oração
Responsável direto pelas gravações que flagraram Maurício Marinho recebendo R$ 3 mil de propina, o empresário Arthur Wascheck Neto parece ter mergulhado no mundo da fé. Ontem, no vôo JJ 3710 da Tam, entre São Paulo e Brasília, Wascheck se dividiu entre meia dúzia de livretes com mensagens bíblicas e de esperança. Tão logo o avião tocou o solo da capital federal, Wascheck, depois de um exagerado sinal da cruz, que só não foi maior que as asas da aeronave, abriu uma das minúsculas publicações, que à capa trazia a inscrição Gotas de Esperança. Seja em gotas, comprimido ou injetável, o fato é que a esperança não venceu o medo.

Eu tenho a força
Pensando bem, depois do clone do Antonio Fagundes, as CPI’s agora contam com o He-Man piauiense.

Operação abafa
(21/09/04) - Quando a CPI do Banestado começou a empacar, noticiamos, com muita antecedência, que o motivo principal atendia pelo nome de Antonio Celso Cipriani, ex-presidente da Transbrasil. Agora, depois de mais uma reportagem contra a Transbrasil e Cipriani, desta vez no jornal O Estado de São Paulo, causou estranheza o fato de nenhum outro veículo de comunicação ter noticiado o fato, em especial os telejornais. Com toda certeza, alguém deve estar cumprindo ordens expressas do Planalto, que não causará espanto se a determinação palaciana não tenha feito parte de alguma negociação com veículos de comunicação. Afinal, Cipriani tem sido protegido por uma blindagem oficial que coloca por terra toda a verborragia petista, que durante anos clamou por ética e transparência.

Ucho Haddad
Colaboração: Walter Starling Lopes

   
  TRAFICANTES FAZEM COMITÊ PELO "SIM"!!!
  RESPOSTA AOS MM. JUÍZES E DESEMBARGADORES

  A DITADURA ESTÁ DE VOLTA

  MANIFESTO AO POVO BRASILEIRO

 

LAVAGEM CEREBRAL

 

 

 

 

 

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