A DITADURA ESTÁ DE VOLTA
Quem
pensa que o Brasil vive sob a égide da democracia e que o Congresso
Nacional é a casa do povo brasileiro, engana-se. Em atitude truculenta
e inexplicável, que fez lembrar os plúmbeos anos da ditadura
militar, o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) determinou, durante
o depoimento do doleiro Antonio de Oliveira Claramunt – o Toninho
da Barcelona – que a segurança do Senado detivesse o editor
da coluna e apreendesse seu material de trabalho, como se a ele coubesse
o a prerrogativa de determinar o que um jornalista pensa ou escreve.
A atitude do senador fere radicalmente a Constituição
Federal de 1988, que no artigo 5º determina: "é livre
a manifestação do pensamento" (inciso IV); "é
livre a expressão da atividade intelectual e científica"
(inciso IX); "são invioláveis a intimidade, a vida
privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização
pelo dano material ou moral decorrente de sua violação"
(inciso X); "é plena a liberdade de associação
para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar"
(inciso XVII). Ou seja, para o senador Heráclito Fortes um mandato
parlamentar está acima de qualquer coisa ou pessoa, inclusive
da Carta Magna brasileira.
A
serviço de quem?
A decisão de agir de maneira bizarra e ditatorial surgiu
quando o senador tomou conhecimento, por terceiros, do conteúdo
do material que o editor portava, o qual, segundo alguns presentes ao
depoimento de Toninho da Barcelona, feria os interesses do mais polêmico
banqueiro tupiniquim de todos os tempos. O material, que de maneira
alguma estavam sendo distribuído, como alegou o senador, nada
mais era do que uma compilação de informações
e reportagens do banqueiro “Tantas” (a Justiça ainda
nos impede de citar seu nome), as quais estão disponíveis,
não é de hoje, na rede mundial de computadores. Se buscar
informações sobre alguém que faz do poder econômico
uma ferramenta para intimidar desafetos não é crime, o
senador Heráclito Fortes deve uma explicação à
sociedade sobre os motivos que o levaram a tomar tal decisão.
Do contrário, como muitos que presenciaram a ridícula
cena afirmaram, o senador acabou admitindo ser um simpatizante efusivo
do banqueiro que, diga-se de passagem, foi um dos responsáveis
pela contratação da espionagem criminosa que resvalou
em autoridades palacianas.
Tiro
no pé
Tão logo a notícia ultrapassou os limites da
minúscula sala em que permaneceu detido o editor, a bancada de
parlamentares que agem em defesa do banqueiro no Congresso saiu em busca
de informações sobre o estrago feito pelo senador piauiense,
sempre minimizando qualquer conseqüência maléfica
que pudesse complicar o depoimento que o banqueiro presta hoje à
CPI dos Correios. O eleitor brasileiro precisa saber que democracia
no Brasil não é, nem mesmo com muito esforço, um
sistema político cujas ações atendem aos interesses
populares, mas que contempla apenas aqueles que têm dinheiro,
poder e relacionamentos escusos.
Pronto
para mentir
Para turbinar ainda mais o imbróglio protagonizado pelo
senador Heráclito Fortes, o banqueiro “Tantas” conseguiu
no Supremo Tribunal Federal um habeas corpus que permitirá, durante
o depoimento, não produzir nenhuma prova contra si próprio,
conforme estabelece o Acordo de São José da Costa Rica,
do qual o Brasil é um dos signatários. Em outras palavras,
quem deveria explicar aos membros da CPI e ao povo brasileiro todas
as suas lambanças empresariais e seu direto envolvimento com
o publicitário Marcos Valério - operador do malfadado
“mensalão” - vai acabar sendo canonizado por ações
similares à do senador Heráclito Fortes, que conferem
aos vendilhões da Pátria a blindagem necessária
para que seus negócios escusos tenham continuidade. Assim, de
agora em diante, não será novidade se no Congresso surgir
uma legião de adeptos de São Daniel, o santo padroeiro
das Ilhas Cayman.
Barrados
no baile
Se a liberdade da imprensa esteve ameaçada recentemente
pelos pensamentos totalitaristas de Luiz Inácio, José
Dirceu e sua turma, é possível afirmar que nenhuma mudança
tão radical ocorreu em relação ao assunto, pois,
durante o período em que esteve detido no Senado, em uma saleta
repleta de seguranças, o editor ouviu de que teria partido do
senador Heráclito Fortes a sugestão de proibir a permanência
de jornalistas responsáveis por sites e blogs nas dependências
das Comissões Parlamentares de Inquérito. Trata-se de
uma irresponsável censura da imprensa, o que faz do Congresso
Nacional um tribunal de exceção, muito semelhante aos
de Treblinka, Dauchau e Auschwitz, que serviu para o insano Adolf Hitler
passar para a história como o mais sanguinário ser humano
do planeta.
Como
é que fica?
Se a idéia de barrar jornalistas no Senado - supostamente
do senador Heráclito Fortes - ventilada na saleta que serviu
de patíbulo do livre pensamento, emplacar, o parlamentar em questão
terá de enfrentar graves problemas dentro do próprio partido,
o PFL. Hoje, um dos blogs mais visitados pelos internautas brasileiros
aficionados por política é o de César Maia, onde,
por sinal, o prefeito do Rio de Janeiro tem destilado toda sua verve
crítica contra as mazelas do governo Lula. E César Maia,
o Imperador do Rio, não vai gostar de ser barrado nos corredores
da CPI por ordem de Heráclito Fortes. Ou será que vai,
prefeito?
Ficou
pior
Firme em suas respostas e absolutamente didático no
que tange à sua especialidade, operações de câmbio,
Toninho da Barcelona não poupou o PT do presidente Luiz Inácio
e o PP de José Janene. De acordo com o doleiro, o PT pagou, entre
março e abril deste ano, R$ 8 milhões pelo apoio do deputado
Severino Cavalcanti (PP-PE), ainda presidente da Câmara. A informação,
revelada nos bastidores a um grupo de deputados, serviu como pá
de cal para sepultar a passagem de Severino Cavalcanti pela Câmara
dos Deputados.
Bye,
bye Brasília
Como antecipou a coluna, o presidente da Câmara, deputado
Severino Cavalcanti, deve renunciar ao mandato ainda hoje. Acusado de
cobrar propina do empresário Sebastião Buani, ex-concessionário
da Casa parlamentar, Cavalcanti preferiu manter os direitos políticos
para tentar voltar ao parlamento em 2007. A situação de
Severino Cavalcanti piorou de sobremaneira depois das afirmações
do doleiro Toninho da Barcelona. A renúncia de Severino Cavalcanti
deve acontecer a qualquer momento, depois das 16 horas, na residência
oficial da presidência da Câmara, de onde o parlamentar
saiu raras vezes depois que Buani apresentou à Polícia
Federal o cheque no valor de R$ 7,5 mil.
Tudo
combinado
Deixando claro que algo de muito estranho ocorreu entre o depoimento
prestado em São Paulo e o de ontem, na audiência conjunta
das CPI’s dos Bingos, dos Correios e da Compra de Votos, o doleiro
Antonio de Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, recuou em suas
pesadas críticas, especialmente às que fez contra o ministro
Márcio Thomaz Bastos e o presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles. A mudança no discurso do doleiro foi tão radical,
que o senador Demóstenes Torres (PFL-GO) disse, em tom de brincadeira,
que mais parecia a transformação de Osama bin Laden em
Bento XVI. O fato é que o cheiro de acerto tomou conta da audiência.
Ele
está dodói
Alegando uma miocardite aguda, o deputado paranaense José
Janene, líder do PP na Câmara, deve optar pela aposentadoria
como forma de escapara da cassação e preservar seus direitos
políticos. É preciso lembrar que, na condição
de um dos principais operadores do mensalão, Janene deve enfrentar
processos na Justiça, o que poderá lhe trazer problemas,
uma vez que como parlamentar aposentado deixar de gozar do chamado foro
privilegiado. Se por um lado tal situação proporciona
um número maior de opções de recursos judiciais,
por outro coloca o ainda deputado na mira verdade dos fatos. Ou seja,
Janene está vivendo o que Ney Matogrosso eternizou em uma de
suas canções. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho
come.
Ninguém
é de ferro
Depois de enfrentar um dia complicado na Câmara dos Deputados,
onde tentou contornar o mal-estar causado pelos programas políticos
do PTB, em que Roberto Jefferson aparece criticando duramente o governo
do presidente Luiz Inácio, o líder do partido, deputado
José Múcio, surgiu, no início da madrugada desta
quarta-feira, em um charmoso restaurante de Brasília à
procura de uma garrafa de vinho. Depois de uma rápida checagem
na adega local, Múcio saiu de mãos vazias e com a cabeça
cheia de problemas. Que não são poucos desde que surgiu
na imprensa, por obra de Roberto Jefferson, o imbróglio do “mensalão”.
Rasgando
dinheiro
Para se ter uma idéia do descaso com o dinheiro público,
a binacional Itaipu, não é de hoje, torra dinheiro como
se a usina fosse de cédulas e não de energia. Há
anos, o capítulo paraguaio da empresa adquiriu um avião
King Air para as viagens de emergência de seus executivos. Já
na margem oposta, a administinação brasileira da binacional
preferiu continuar alugando aeronaves a preços exorbitantes,
sendo que uma das contempladas foi a Vip Jet Aero Táxi, empresa
do empresário Francisco Simeão, que por conta de uma “canetada”
do presidente Lula recebeu a autorização necessária
para importar pneus usados e recuperá-los no Paraná.
Enigma
cearense
O inexplicável assalto ao Banco Central, em Fortaleza,
de onde foram levados perto de R$ 160 milhões sem que ninguém
percebesse, voltou a freqüentar as conversas nos corredores do
poder. O que se comenta, de maneira muito forte e apropriada, é
que o enorme volume de dinheiro teria sido retirado do local muito antes,
sendo que o pouco que restou foi levado por aqueles que se encarregaram
dos serviços duros da operação, como cavar um longo
túnel e perfurar um piso que pensava-se ser intransponível.
Não é possível crer que tamanha fortuna tenha saído
do BC sem que ninguém percebesse a movimentação
ou escutasse um ruído sequer no chão. A história
está muito mal contada, e às autoridades cabem investigar
a fundo o caso, pois não é crível que menos de
5% do valor roubado tenha sido recuperado até agora.
Haja
oração
Responsável direto pelas gravações que
flagraram Maurício Marinho recebendo R$ 3 mil de propina, o empresário
Arthur Wascheck Neto parece ter mergulhado no mundo da fé. Ontem,
no vôo JJ 3710 da Tam, entre São Paulo e Brasília,
Wascheck se dividiu entre meia dúzia de livretes com mensagens
bíblicas e de esperança. Tão logo o avião
tocou o solo da capital federal, Wascheck, depois de um exagerado sinal
da cruz, que só não foi maior que as asas da aeronave,
abriu uma das minúsculas publicações, que à
capa trazia a inscrição Gotas de Esperança. Seja
em gotas, comprimido ou injetável, o fato é que a esperança
não venceu o medo.
Eu
tenho a força
Pensando bem, depois do clone do Antonio Fagundes, as CPI’s
agora contam com o He-Man piauiense.
Operação
abafa
(21/09/04) - Quando a CPI do Banestado começou a empacar,
noticiamos, com muita antecedência, que o motivo principal atendia
pelo nome de Antonio Celso Cipriani, ex-presidente da Transbrasil. Agora,
depois de mais uma reportagem contra a Transbrasil e Cipriani, desta
vez no jornal O Estado de São Paulo, causou estranheza o fato
de nenhum outro veículo de comunicação ter noticiado
o fato, em especial os telejornais. Com toda certeza, alguém
deve estar cumprindo ordens expressas do Planalto, que não causará
espanto se a determinação palaciana não tenha feito
parte de alguma negociação com veículos de comunicação.
Afinal, Cipriani tem sido protegido por uma blindagem oficial que coloca
por terra toda a verborragia petista, que durante anos clamou por ética
e transparência.
Ucho
Haddad
Colaboração: Walter Starling Lopes