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ONDE ESTÃO OS ATIRADORES DE ELITE?

As cenas exibidas na televisão dos presos amotinados no Centro de Detenção Provisória - 1 (CDP-1) de Pinheiros, zona oeste desta capital, pareciam mostrar atores muito à vontade na representação de seus "papéis". Com rostos apenas parcialmente encobertos com suas máscaras de pano – à moda de cinematográficos guerreiros e guerrilheiros -, portando longos e ameaçadores facões, como se fossem espadas ou cimitarras, "posando" para a televisão - cuja presença de helicópteros exigiram, para essa exibição - usando ostensivamente seus celulares e fumando cigarros de maconha, indicavam, antes de tudo, uma clara demonstração de poder. Poder dos que têm plena consciência de que não sofrerão as conseqüências de seus atos violentos e covardes - como foram os assassinatos que tinham acabado de cometer, contra dois agentes penitenciários desarmados (fora os outros dois feridos que deixaram) - porque, a lhes proteger, como um escudo intransponível, estão os sagrados princípios dos Direitos Humanos, que de nada servem para suas vítimas.

Foi o fracasso de um plano de fuga que levou os detentos a iniciarem uma rebelião que durou mais de 14 horas - período em que, no mesmo complexo penitenciário, na Cadeia Pública 3 (Cadeião de Pinheiros) presos degolaram um colega encarcerado e exibiram sua cabeça no pátio da prisão, como se participassem do mais tenebroso filme de terror. O motim começou quando um preso simulou um ataque cardíaco e chamou um carcereiro, que abriu a cela. Em poucos minutos, dois agentes penitenciários já estavam mortos e, outros dois, feridos à bala. E agora vem o aspecto mais aberrante de todo o episódio: não foi com facas, estiletes ou pedaços de paus que os agentes foram mortos - como costuma acontecer nos crimes praticados por presidiários -, mas com armas de fogo, como fazem os bandidos em pleno desfrute da liberdade. Para executar seu plano de dominar a cadeia e fugir, os presos de Pinheiros contavam, pelo menos, com duas pistolas e até uma granada de mão - estas as que ao final entregaram, pois disse o coronel da PM Tomaz Cangerana: "Só saberemos se tinham mais armas na revista que faremos nos próximos dias." Ainda que mal, perguntemos: por que "nos próximos dias" e não de imediato?! Seria para dar aos presos tempo de se livrarem das armas restantes?

Quando o secretário da Administração Penitenciária do Estado, Nagashi Furukawa, "esclareceu" - o que já pode entrar para a antologia das pérolas acacianas - que "pode ter havido falha (nas revistas) ou corrupção de funcionários" (por que a alternativa se a probabilidade maior é de as coisas estarem ligadas?), nada mais fez do que uma confissão retumbante das próprias falhas, na qual se inclui o anúncio de que o governo instalará 66 aparelhos de raio X em prisões do Estado, para impedir a entrada de armas e celulares nas unidades. "Estamos treinando os funcionários que vão trabalhar com esses aparelhos." A indagação a fazer ao secretário é uma só e muito simples: por que só agora? Há quanto tempo o aperfeiçoamento tecnológico das vistorias nos presídios passou a ser uma necessidade absolutamente essencial da segurança, não só interna, dos estabelecimentos penitenciários, mas sobretudo externa, da população, porquanto só com armas presos conseguem provocar rebeliões que resultem em fuga em massa?

Acresce que "todo mundo sabia que tinham armas", como revelou o cunhado de um dos agentes penitenciários mortos, que dele ouvira tal preocupação. Infelizmente, aqueles funcionários - William Nogueira Benjamim, de 28 anos, recém-casado, e Vicente Luzan da Silva, de 31, pai de dois filhos (de 3 e 5 anos) - que cumpriam seu dever em situação de alto risco, assim como seus colegas reféns que foram espancados, torturados com espetadas de facões diante das câmeras de TVs, ameaçados de terem suas cabeças decepadas ou de serem jogados de cima do prédio, sem que seus algozes sofressem o menor risco de serem fulminados por algum atirador de elite colocado em posição estratégica para lhes arrefecer a bestialidade, como teria de acontecer se os policiais não estivessem acovardados ante a vigilância dos campeões dos "Direitos Humanos", visto que estes são, cada vez mais, prerrogativas inalienáveis e exclusivas dos bandidos. Então, só lhes resta a cara, a coragem e o cada vez mais inexplicável amor ao perigoso ofício, para enfrentar, no trabalho com que dão sustento a suas famílias, uma selvageria sem limites.


Fonte: O Estado de São Paulo – Editorial
Colaboração: Cel RR PMMT Léo G. Medeiros

 

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