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Quando o secretário da Administração Penitenciária do Estado, Nagashi Furukawa, "esclareceu" - o que já pode entrar para a antologia das pérolas acacianas - que "pode ter havido falha (nas revistas) ou corrupção de funcionários" (por que a alternativa se a probabilidade maior é de as coisas estarem ligadas?), nada mais fez do que uma confissão retumbante das próprias falhas, na qual se inclui o anúncio de que o governo instalará 66 aparelhos de raio X em prisões do Estado, para impedir a entrada de armas e celulares nas unidades. "Estamos treinando os funcionários que vão trabalhar com esses aparelhos." A indagação a fazer ao secretário é uma só e muito simples: por que só agora? Há quanto tempo o aperfeiçoamento tecnológico das vistorias nos presídios passou a ser uma necessidade absolutamente essencial da segurança, não só interna, dos estabelecimentos penitenciários, mas sobretudo externa, da população, porquanto só com armas presos conseguem provocar rebeliões que resultem em fuga em massa? Acresce que "todo mundo sabia que tinham armas", como revelou o cunhado de um dos agentes penitenciários mortos, que dele ouvira tal preocupação. Infelizmente, aqueles funcionários - William Nogueira Benjamim, de 28 anos, recém-casado, e Vicente Luzan da Silva, de 31, pai de dois filhos (de 3 e 5 anos) - que cumpriam seu dever em situação de alto risco, assim como seus colegas reféns que foram espancados, torturados com espetadas de facões diante das câmeras de TVs, ameaçados de terem suas cabeças decepadas ou de serem jogados de cima do prédio, sem que seus algozes sofressem o menor risco de serem fulminados por algum atirador de elite colocado em posição estratégica para lhes arrefecer a bestialidade, como teria de acontecer se os policiais não estivessem acovardados ante a vigilância dos campeões dos "Direitos Humanos", visto que estes são, cada vez mais, prerrogativas inalienáveis e exclusivas dos bandidos. Então, só lhes resta a cara, a coragem e o cada vez mais inexplicável amor ao perigoso ofício, para enfrentar, no trabalho com que dão sustento a suas famílias, uma selvageria sem limites.
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