TRANSFERÊNCIA
DE RESPONSABILIDADE
Logo
no início do seu mandato, Lula patrocinou uma ofensiva
de mídia anunciando medidas do governo para a Segurança
Pública. Dentre elas estavam a construção
de dezenas de presídios federais; a criação
de um cadastro único da bandidagem, integrando os sistemas
de informação das polícias de todo o país;
a criação de uma força nacional de segurança,
composta por policiais destacados das polícias militares
estaduais e o repasse de verbas para os governos estaduais reequiparem
e treinarem suas polícias. Para
variar, quase nada do discurso de Lula virou realidade. As verbas
federais para a área estão contingenciadas, e o
pouco que foi feito não é percebido pela população,
pois não tem visibilidade midiática e, o que é
mais importante, não está exercendo efeito prático
e nem produzindo resultados perceptíveis à população,
em termos de melhoria da situação da Segurança
Pública no país.
O
problema da violência e da insegurança, que já
era sério, se agravou ainda mais sob o governo de Lula
e dos atuais governadores estaduais e, para desespero de todos
os governantes que sonham com a reeleição, será
um dos pontos centrais da agenda eleitoral de 2006. Isso ficou
claramente evidenciado e catalisado pelo recente referendo sobre
o comércio de armas e munições. Pior para
os políticos de discurso fácil, depois da decepção
com Lula os eleitores estão críticos, exigentes
e pouco afeitos a se deixar engambelar por simulacros publicitários
em substituição ao compromisso com projetos sérios
para resolver os problemas reais da população. Apresentar
propostas consistentes para esse e outros problemas, portanto,
é um desafio dos eleitores aos pretendentes ao poder em
2006. Ter estado no governo sem avançar soluções
para demandas como a da segurança Pública certamente
contribuirá para dificultar a reeleição dos
atuais governantes, notadamente de Lula. Afinal, se estiveram
no poder por quatro anos e não fizeram, por que lhes dar
nova chance?
E
como Lula estás lidando com sua fatia do problema? Bem
ao estilo petista; transferindo responsabilidades. Nas entrevistas
que concedeu recentemente Lula fez questão de afirmar que
a maior parte dos problemas da Segurança Pública,
existentes no país, é, por determinação
constitucional, atribuição dos governos estaduais
resolver. Mentira!
Os governos estaduais e municipais têm suas culpas, mas
os grandes problemas relacionados à Segurança Pública
no país hoje estão ligados ao crime organizado,
tráfico de drogas e armas, contrabando, lavagem de dinheiro,
sonegação fiscal, controle de fronteiras e crimes
correlatos, todos eles da área afeta às responsabilidades
do governo federal.
Quando
PT governava Porto Alegre, culpava os governos estadual e federal
pela insegurança pública. Quando chegou ao governo
do estado do RS, passou a culpar o governo FHC e a globalização
pela violência e insegurança. E agora que chegou
ao governo federal, Lula transfere suas responsabilidades sobre
a insegurança pública e a violência para os
governadores. Se tiver que encarar as urnas com esse lero-lero,
terá mais um sério problema com os eleitores, não
bastassem todos os outros que já criou para si e para seus
correligionários. O
problema da Segurança Pública é grave, profundo
e abrangente. Requer investimentos em políticas sociais
e em soluções técnicas adequadas em todas
as esferas de ação e atribuição do
Estado, envolvendo os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário,
em âmbito federal, estadual e municipal.
Ainda
que requeiram tempo, as soluções existem. Mas, dependem
de pesquisa científica, projetos sérios e planejamento.
Seriedade
e trabalho senhores candidatos! Os eleitores de 2006 aguardam
suas propostas para decidir em quem votar.
Paulo
G. M. de Moura, cientista político