CONDENANDO O AZULÃO DA PMMT

Há mais de uma década venho defendendo a necessidade da troca dos padrões de cor e de tecido do uniforme da Papa Mike. Existem vários estudos feitos por especialistas, inclusive psicólogos, que estão nos arquivos da Instituição e todos recomendam a substituição do atual uniforme por tecido e cor adaptados às condições climáticas de MT.
Não bastasse isso, existe o ranço histórico de aversão a cor azul escura, azul petróleo com dizem alguns, por relacionarem a cor do uniforme da Polícia, ao período repressivo do governo neste país, no qual as PMs foram a ponta de lança no combate urbano e rural, bastando ver o número de policiais militares mortos, no período, em confronto com as forças antagônicas de esquerda; ainda mais, o uniforme escuro é tradicionalmente usado pelos grupos essencialmente repressivos das Policiais no mundo por trazerem impacto psicológico aos movimentos que se antepõem a ação policial e impelir quem o usa a sentir-se mais forte e em conseqüência mais violento, que o digam os especialistas.
Tal fato contraria a doutrina básica das Instituições Policiais Militares que é da execução do policiamento ostensivo e preventivo, àquele que deve agir antes do fato delituoso existir ou em apoio a qualquer membro da comunidade em caso de necessária assistência.
Para melhor entendimento recomendo a leitura do livro: "Os Senhores das Gerais" de uma autora mineira, onde a mesma traça claramente o perfil das Corporações Policiais Militares em 74, suas diversidades de doutrina, de emprego, uniforme, etc... Dessa diversidade resultou a padronização de cores dos uniformes das policias estaduais militares brasileiras, por imperativa necessidade de emprego operacional na repressão, para que houvesse clara identificação, não só dos grupo nacionais como também para a facilidade de reconhecimento das forças amigas pelos tradicionais "consultores estrangeiros" que aqui militaram;
Dan Mitrione por exemplo. Com a ascensão ao poder e ao Governo do Estado do Sr. Dante de Oliveira vislumbramos na época, a possibilidade de, explanando ao mesmo as razões históricas e operacionais anteriormente resumidas, mudar a face da Instituição, começando pelo uniforme, que seria de cor cáqui clara, semelhante ao hoje usado pelo Corpo de Bombeiros.
Tiro n'água.
Fomos incompetentes na argumentação.
Perdeu-se um passo na história.
Com os novos tempos as Policias Militares, com raras exceções, retornaram as origens, paulatinamente adaptaram seus uniformes às características regionais de cada Estado.
Ao argumento e alegação de despesas desnecessárias, para a substituição do uniforme, sobrepõem-se imensos benefícios pessoais que seriam proporcionados a cada Policial Militar, especialmente na área da saúde, em conseqüência para a Instituição resultando na melhoria da qualidade do serviço prestado.
Imagine-se, você leitor, vestido em Cuiabá, no verão, às 14:00 horas, no entroncamento da Prainha com a Generoso Ponce, controlando o trânsito, com o atual uniforme da PM, azul escuro, equipado com cinturão de couro e revólver na cintura, coturno barato de couro mal curtido, sola de borracha derretendo no asfalto que frita ovo, temperatura ambiente de 40 graus, buzina de lotação no ouvidos, respirando monóxido de carbono de ônibus mal regulados, ruído de motores a decibéis infernais, motoristas mal educados, maus motoristas, semáforos com defeito, esgoto fétido, sem vento, sirenes de ambulâncias, camelôs gritando, filhos doentes, lista de remédios no bolso, sem crédito na farmácia, mulher mal humorada, aluguel em atraso, débito com o boteco, vontade de beber "uma", sexta-feira... Imaginou-se? Pois bem, é a rotina do PM, de trânsito, principalmente. Sem contar as varizes nas pernas, que doem horrivelmente, - doença profissional não reconhecida.
Todo esse desconforto, para falar politicamente correto, é agravado pelo uso do uniforme - que não obedece as mínimas características profissionais - que lhe é imposto e que poderia e deveria ser substituído bastando boa vontade, inteligência e respeito a dignidade humana.
Ainda é tempo de mudar.
Léo G. Medeiros
É Coronel da PMMT