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" A VIDA DO POLICIAL MILITAR "

Dai-me força, oh!Grande Mestre
Criador da humanidade
Para que eu vença na vida
Lutando sempre pela Justiça
Seja com o risco da própria vida
Nesta ou em qualquer cidade

Abracei a vida Policial
Com amor e dedicação
Jurei fidelidade e lealdade
Honrar a minha Corporação
Jurei defender a Sociedade
Como se fôssemos irmãos

Ser um policia militar
É a missão mais espinhosa
Nem sempre é visto com carinho
Nem todo dia é "mar-de-rosa"
Há sempre contraventor tentando
Desmoralizar a nossa " Gloriosa"

Trabalhando  sem condições
De bem sua missão desempenhar
Na sociedade ainda existindo
Pessoas sempre a criticar
Esquecendo-se que enquanto dormes
O policial está sempre a lhe guardar

Trabalhar no interior
Em área sempre isolada
Pessoas de várias procedências
Gente boa e marginalizada
Onde o policial tem que ser esperto
Prá não entrar em enrascada

Depara com gente boa
Pistoleiros e ladrões
Viciados em drogas e meretrizes
Caloteiros e beberrões
Marginais e políticos
Completando a confusão

Grileiros de terras existem
Chamados de fazendeiros
Exploradores de minérios
Conhecidos garimpeiros
Onde ocorrência é constante
Onde há sempre pistoleiros

Quantos companheiros já tombaram
No cumprimento da missão?
Quantos militares processados
Sem ninguém lhes dar a mão?
Será que é falta de meios?
Ou completa ingratidão?

No cumprimento da missão o PM
As vezes é desacatado
O infrator por ter dinheiro
Sempre é acobertado
O policial que estava certo
Passa a ser o cabra errado

A comunidade assiste ao fato
Nega ao policial defender
Dizendo ainda o vizinho
" - Não vamos nos comprometer
Que a Polícia se dane
Não sou eu que vou sofrer "


Quando o pau pega do seu lado
Corre à Polícia a se queixar
Torna-se amável e carinhoso
Enquanto dela precisar
Quando tudo está tranqüilo
A Polícia que vá se danar

Eu alerto aos companheiros
Por todas essas verdades
Confie sempre desconfiando
Esteja atento às crueldades
Pois é mania desse povo
Chamado de "Sociedade"


O vencimento do policial
Continua ainda aquém
Mas isso não é motivo
Para não sentir-se bem
Se um dia não comer carne
Outro passará também

O policial sempre passa
Risco de vida a ocorrer
Ainda assim está contente
De útil, considerado ser
E agora esse risco aumentou
De nem o salário receber

O Povão sempre alertando
Calma pessoal, lealdade
Vamos trabalhar bonito
E sensibilizar a autoridade
Quero ver quem dos bons tempos
Hoje não sente saudade

No lar os barrigudinhos
Estão sempre a preocupar
Aluguéis e prestações vencidas
Os juros sempre a aumentar
Para completar o arroxo
Vem a Cemat a luz cortar

Em casa a mulher reclama
Uma assistência mais decente
No quartel o praça é ferrado
Por atraso de expediente
Na rua ainda é visado
Como se fosse um incompetente

Há Comando que reconhece
A situação do pracinha
Fornece-lhe ajuda de rancho
Com arroz, feijão e farinha
E pra fazer molho às crianças
Dão-lhes asas de galinha

Há chefes mais rigorosos
Um verdadeiro militar
Como exemplo tem Caxias
Querendo ser exemplar
Não olhando o outro lado
Se vive ou vai vegetar


Não importa se com o praça
Está tudo bem no momento
Ao cidadão só interessa
O bendito regulamento
Quer ver o coturno brilhando
E goma no fardamento

O Oficial chega da Escola
Inventando toda arte
Qualquer coisa com o praça
O moço já quer dar Parte
Servindo às vezes de graça
Igual a Pedro Malazarte

Querendo mostrar serviço
Ao seu nobre superior
Dedica a inventar coisinhas
E ao pracinha tocar horror
Marchar quase o dia inteiro
Sem música e sem tambor

" - Ai que saudade da Escola "
Ainda assim ele diz
" - Todos tem o regulamento
Bem na ponta do nariz
Dei duro com meus colegas
Hoje me sinto feliz "


Chega no corpo da tropa
Com garra e dedicação
Prepara logo um QTS
Prá ministrar instrução
No almoxarifado não existe
Fardamento, coturno ou calção

Começa logo a sentir
A triste realidade
Sente o peso da missão
E a grande necessidade
De usar sempre o bom senso
Companheirismo e amizade

Ser policial de verdade
É ter amor à profissão
Disciplina, integridade e coragem
Energia, bom senso e vocação
Ter iniciativa é importante
Prá melhor cumprimento da missão

Há vezes em que o policial
Tem que cumprir uma missão
Não recebendo o transporte
Nem grana prá alimentação
Tem que ter autodomínio
Prá não cair em tentação

Eu peço a Virgem Maria
E ao Meu Senhor do Bonfim
Olhai sempre os policiais
Defendei-os do 'Cabra Ruim'
Conscientize a sociedade
E dai sempre força prá mim

Existe na sociedade
Homens cheios de arrogância
Vivem criando mentira
Idênticos a uma criança
Para provar a inocência
Respondemos a Sindicância

Esse fato já ocorreu
Com este nobre redator
Que cumpria sua missão
Com justiça, dedicação e amor
Foi um dia ainda acusado
Por um irresponsável agitador

A justiça sempre vence
Em prol da sociedade
A mentira tem perna curta
É uma grande realidade
O infrator é desmascarado
Pela própria comunidade

M inha história é realidade
I sso o leitor pode crer
L endo tomará conhecimento
I nformando, passará a saber
T odos lutamos com sacrifício
A inda dizem ser parte do ofício
R eformar em vida ou morrer


Um conselho aos companheiros
É trabalhar bem intencionado
Quando acontecer um imprevisto
O Povão estará do seu lado
Valorizando o seu trabalho
Sentindo-se assim gratificado

Existe na população
Gente boa de verdade
Que dão apoio a justiça
Dedicando-se à sociedade
Essas pessoas são merecidas
De nossa grande amizade

Existem também os falsos
Iguais cartas de baralho
Que para aparecer só falta
Colocar no pescoço um chocalho
É igual carne temperada
Com apenas sal e alho

No trabalho do dia a dia
Peço sempre a proteção
De Nossa Senhora da Guia
E a Imaculada Conceição
Guiai-me sempre com justiça
Paz e amor no coração

Vou deixar aqui os pracinhas
Lutando pela situação
Prá falar do Alto Comando
Convocando uma reunião
Com seu Estado Maior
E Oficiais da Corporação

Disse o Coronel aos presentes
Demonstrando muita energia
Quero o apoio dos senhores
Prá acabar com essa anarquia
A coisa tá ficando preta
Ninguém mais tem alegria

Quero ver todos amanhã
Fardados com toda decência
Já cansei de ver meus praças
Ao povo pedindo clemência
Já convoquei uma reunião
Com sua nobre Excelência


Vamos todos nós unidos
Lutar por uma total mudança
A começar do Estatuto
Descontos existentes como herança
Pois o que vejo no contra cheque
Parece coisa de criança

Tem que criar outro nome
Para o nosso pagamento
Porque o de 'vencimento'
Nos preocupa a cada momento
Pois estando sempre 'vencido'
Só nos traz aborrecimento


Tem que inventar outra sigla
Para nossa antiga CPA
Falando também do Pepomat
Se continua ou tem que acabar
Pois, não vejo ninguém seguro
Quando vem dele precisar

Descontos mensais ao IPEMAT
Como uma espécie e seguro
Ninguém é bem atendido
Só se será no futuro
Para termos médico e hospital
Gastamos até ficar duro

Políticos sempre cobrando
Um trabalho mais competente
Vamos ver o que já fizeram
Para esta nossa gente
Pois só em época de campanha
Que nos aparece sorridente

Se não recebermos apoio
Meus praças não se reunam
Nossas famílias todas unidas
Dá para encher muita urna
Vamos deixá-los encurralados
Igual gado em uma furna


Conforme a Constituição
Não podemos fazer greve
Conhecemos nossas forças
E podemos pisar de leve
Todos somos conscientes
Sabemos quem serve ou não serve

Meus praças do interior
Passam muita necessidade
Não dizendo os da Capital
Com uma triste realidade
Quase sempre criticado
Por nossa sociedade

Há um ditado muito certo
Nem todos gostam de ouvir
Ao invés de fazer crítica
Vamos juntos a dor sentir
Fazer algo em prol da PM
Prá depois então exigir


Os nossos políticos só sabem
Dar uma de competente
Quando eleitos não atendem
No horário de expediente
Só no período de campanha
Abraçam toda nossa gente

Disse o Coronel ao Ajudante
Pegue ali meu paletó
Mande o corneteiro tocar
Até arrebentar o gogó
Reunião de Oficiais
E praças em uma hora só

Nisso chega um Soldado
Correndo nesse momento
Batendo os dois calcanhares
Como diz o regulamento
Pedindo licença ao Coronel
Para um grande esclarecimento

O Coronel atencioso
Atende bem ao Soldado
No relato foi notando
Que estava muito afobado
" - Diz Soldado, do que se trata?
Tenha calma e mais cuidado "

O Soldado aborrecido
Disse então ao Coronel
" - O Senhor bem me conhece
Que sou praça fiel
Que sou pai de cinco filhos
Cuido da sogra e da mulher

Ocorre que eu de serviço
Na rua Fernando de Noronha
Detí um casal de jovem
Com um punhado de maconha
Ainda fui desacatado
Como imbecil ou sem-vergonha


Cheguei na Delegacia
O ocorrido foi registrado
Vi logo a preocupação
Do seu Bacharel Delegado
Dizendo-me em particular
Que o praça aqui está enrolado

Disse-me ainda o Delegado
Que por mim nada vai fazer
Porque seu cargo é político
Seu ganha-pão pode perder
Somente o meu Comandante
Pode o pracinha defender

Ocorre que o casal detido
São filhos de figurões
De grande influência política
Em todas estas regiões
Prometeu me tirar da farda
Arrebentando os meus botões "

O Coronel ouviu o Soldado
Com muito detalhe e atenção
Levantando-se disse ao praça
Com energia e convicção
" - Desça para o pátio meu filho
E incorpore ao Pelotão "


O Soldado sentindo-se amparado
Pediu a permissão contente
E ao chegar no corredor
Cruzou logo com um Tenente
Fez-lhe duas continências seguidas
Com a boca cheia de dente

O Coronel sobre o assunto
À tropa estava falando
Quando um componente da Guarda
Chegou logo se apresentando
Dizendo que alguns políticos
Por ele se encontrava esperando


O Coronel disse ao Guarda
Mande-os logo aqui entrar
Estamos todos aqui reunidos
Eles poderão participar
Conscientizando, que Polícia e Política
Não devem se misturar

Os políticos no salão entraram
Todos de colarinho erguido
Apresentado-se ao Coronel
Sentindo-se muito ofendido
Tratando logo o Soldado
Como se fosse um bandido.

Disse o Coronel ao político
" - Peço calma e explicação
Meu Soldado apenas cumpriu
Uma de suas missão
E o que o Deputado tem feito
Prá nossa grande população?

De muitas promessas eu lembro
Do Deputado quando em campanha
Que projeto apresentaste
Contra o uso da maconha
Prá proteger o seu filho
Mente e acusa sem vergonha

Quantas crianças abandonadas
Transformando-se em delinqüentes
Que projeto tem o Deputado
Em favor desses inocentes
Quero que o nobre Deputado
Faça explanação aos presentes

Nosso Deputado está sentindo
Do Estado a grande pujança
Que projeto foi criado
Em favor da Segurança
Vem no Quartel nos dar ordens
Pensando sermos crianças?

Nos meios de comunicação
Está sempre a nos acusar
Elementos inescrupulosos
Contra a PM a declarar
E aqui no nosso Comando
Ninguém vem certificar

A Polícia sempre na luta
De combate aos marginais
Defendendo os inocentes
Das garras dos Satanás
Combatendo os viciados
Prá não se repetir mais

Esteja em nosso Quartel
No horário de formatura
Veja o fardamento dos praças
Assim como nossa viatura
Projetos de melhoria
Talvez na campanha futura

Com cento e cinqüenta anos
Não possuímos um Quartel
O que Vossa Excelência diz
A este nobre Coronel
Gastando mensal uma fortuna
Em imóvel de aluguel

Vamos deixar o Coronel
Falando com o Deputado
Conversando se entende
Entendendo será acertado
Esperamos que não prejudique
O nosso querido Soldado


Vou falar do meu Estado
Meu querido Mato Grosso
Terras férteis em abundância
Fartura aqui é um colosso
Onde velhos e velhas de contentes
Com o tempo ficam moço


Prá conhecer meu Estado
Convido todos os senhores
Nesta terra cheia de amor
Até as pedras dão flores
Quem pensar que estou mentido
Pergunte à vovó Dolores

Nosso turismo é fantástico
De beleza nunca igual
Não falando das riquezas
Do meu lindo Pantanal
Onde na paisagem se admira
Todo tipo de animal

Venham conhecer as cidades
Que despontam no momento
Aqui vocês vão pensar
Estar vendo o firmamento
Sentirão o nosso progresso
Com grande contentamento

Meu Estado faz divisa
Com o Amazonas e Pará
Aqui não existe favela
Tem casa prá todos morar
Se prá cá vier magrinho
Logo vai se engordar

Aqui tem peixe gostoso
A começar do Bagre ao Jaú
Geripóca, Piranha e Dourado
O Pintado e o Piavassú
Nem se fale da Piraputanga
E o gostosíssimo Pacú

Nosso Folclore é um dos mais lindos
Que só se faz a gente daqui
O Cururú  cantando em roda
Tem a dança do Siriri
Se existir coisa mais bela
Até hoje eu nunca vi


Diz o Povo entendido
Que o meu Estado é a esperança
De melhorar nosso País
E engordar nossa poupança
Por isso me sinto feliz
De trabalhar na segurança

Aqui não existe tristeza
Cego aqui não pede esmola
Aleijados de contentes
Cantam moda de viola
Malandro aqui não tem vez
Pois, deitam-lhes na padiola

Me orgulho de ter nascido
Nesta terra de esperança
Aqui não tem desemprego
Ninguém liga para herança
Sou feliz em pertencer
Ao setor de segurança

Imigrantes de todos os Estados
Aqui se instalam prá não voltar
Os filhos crescem satisfeitos
Das condições de se educar
A segurança aqui é perfeita
Com a Polícia Militar

Aqui de Oficiais à Soldados
Trabalham com dedicação
Dia e noite combatendo
As mais diversas contravenções
Encarando sempre o perigo
Mas com Deus nos coração

Recentemente ocorreu um fato
Que abalou a corporação
Da maneira que aconteceu
Faz doer o coração
Um companheiro assassinado
Na mais triste ingratidão

Quem não conheceu esse oficial?
Que prá trabalhar não tinha dia
Sempre dedicado ao combate
Contra o crime e anarquia
Vindo perder sua vida
Na mais cruel covardia


Assim é que a Sociedade
O nosso esforço agradece
Valter José Cruz da Rocha
Por ti vou fazer minha prece
A virgem mãe de Jesus
Que de tua alma compadece

Aqui por seus companheiros
Seu nome é sempre lembrado
Morto, apresente ao São Pedro
E seja dele um bom soldado
A ingratidão que sofreu na terra
No céu será recompensado

No Estado foi conhecido
Apenas pelo nome de Cruz
De emboscada perdeu a vida
Quando a noite faltou luz
Covardia também ocorreu
Com o nosso querido Jesus

Na Terra foste traído
Por nossa Sociedade
Não vi nem ouvi a Imprensa
Cobrando apurar a verdade
Quem sabe se o autor ou mandante
Tem poder na Comunidade

Quando o contrário acontece
Envolvendo um Policial
Os políticos prá fazer nome
Publicam em todo jornal
Somos todos acusados
Como um grupo de Chacal

Espero que meus leitores
Do ódio não tenha cobiça
Que o fato não seja encoberto
Igual cabeça de noviça
Confiante em Deus esperamos
Que prá o companheiro faça justiça

Cumprindo mais uma missão
Na terra perdeste a vida
Teve o rosto transformado
Em uma estranha ferida
No céu com os anjos e santos
Receberás amor e guarida

Lembrando sinto um arroxo
No fundo do coração
De ver repentinamente
O companheiro em um caixão
Só nos restando a lembrança
Do Tenente Cruz, nosso irmão

Tem gente que vai levando
A vida de "déu-em-déu"
Igual ver o povo rezando
Com rosto coberto de véu
Prá enganar a consciência
E Ter coragem de olhar pro céu

Ao encerrar este diário
Um esforço do meu trabalho
Pois nunca fui escritor
Escrevo e assino o que falo
Quem quiser saber meu nome
É Jacob Pinto de Carvalho

 

SUB TEN PM Jacob Pinto de Carvalho
Colaboração: Cel RR PMMT Léo G. Medeiros

 


 

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