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INFORMATIVO

CRIME
PIOR QUE RIO E SÃO PAULO

No combate ao crime, a Cidade do México
começa por prender camelôs e flanelinhas

Não chega a ser um consolo para os brasileiros, mas em quantidade de seqüestros a Cidade do México bate São Paulo e Rio de Janeiro. Só no primeiro semestre foram 100 casos registrados pela polícia na capital mexicana – um a cada quarenta horas. Nos últimos oito anos, a ocorrência desse tipo de crime aumentou 800%. A cidade, com 17 milhões de habitantes, é também a recordista mundial em roubo de veículos. O que mais assusta a população é mesmo o seqüestro. Há três meses, depois de uma série de seqüestros em que os reféns foram mortos mesmo após o pagamento de resgate, 400 . 000 pessoas saíram às ruas para exigir uma resposta dura das autoridades. Foi então que o governo federal decidiu reagir atacando em várias frentes. A medida mais importante foi adotar a tolerância zero para todos os tipos de delito, mesmo os mais simples, como se fez com sucesso em Nova York. A segunda em relevância foi começar a investigar as ligações entre policiais corruptos e o crime organizado.

Uma nova lei pune com até três dias de prisão e multa de 150 dólares guardadores de carro, limpadores de pára-brisa e vendedores ambulantes, que também por lá ocupavam ruas e cruzamentos. A tolerância zero com o comércio informal tem dupla utilidade, pois também reprime os ladrões que se aproveitam do trânsito congestionado para atacar motoristas. Os primeiros resultados são impressionantes. Desde que a lei entrou em vigor, no início deste mês, 11 . 000 pessoas foram detidas. Metade foi indiciada por pequenos delitos e solta em seguida. Mas dezenas de criminosos procurados foram identificados e acabaram atrás das grades. Por outro lado, camelôs e guardadores de carro sumiram das ruas. A lei de cultura cívica, como foi batizada, enquadra-se entre as 146 propostas para combater a violência na Cidade do México sugeridas pela firma de consultoria do americano Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York entre 1994 e 2002, contratada por um grupo de empresários. O valor de sua consultoria está no fato de ele ter derrubado as taxas de criminalidade na cidade americana com a adoção da política de tolerância zero. A perseguição aos camelôs e guardadores de carro causou polêmica por punir, pela primeira vez, o trabalhador informal – e, dessa forma, privar de meios de subsistência muitos desempregados. Também há chiadeira pelo fato de a lei dar mais poderes à Polícia Federal, responsável pela segurança na capital. Seus 10 . 000 agentes são notórios pela corrupção. O governo promete para breve uma depuração na força federal. Uma limpeza em regra na polícia, por sinal, é uma das sugestões de Giuliani.

A capital mexicana tem 12 seqüestros para cada milhão de habitantes. Isso representa 4 vezes mais que em São Paulo e 6 vezes mais que no Rio

 

Fonte: Revista Veja Edição 1872, de 22 de setembro de 2004
Colaboração: Osório Elias Resende

 


 

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