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O FUNDAMENTALISMO DE O GLOBO
(Carta do Tenente Melquisedec Nascimento ao Jornal O GLOBO)

Como assinante e leitor assíduo de O GLOBO, não pude deixar de perceber a forma parcial como este prestigioso jornal vem tratando a questão do Desarmamento no país. Na edição de Domingo, 06/03/2005, havia uma matéria crítica, por sinal muito apropriada, sobre o fundamentalismo conservador nos EUA, que mediante forte pressão via internet, conseguiu a demissão de dois grandes profissionais da mídia estadunidense. Entretanto, podemos perceber, infelizmente, o mesmo tipo de fundamentalismo nas opiniões de O GLOBO quando o assunto é o Desarmamento.

Recentemente o jornal francês LE MONDE publicou uma matéria sobre a violência no Rio de Janeiro, tendo O GLOBO feito um resumo da matéria, porém omitiu o comentário do periódico francês sobre a ineficácia da campanha do desarmamento.

Na supracitada edição de 06/03/2005, O GLOBO publicou duas cartas, cujos autores são favoráveis à campanha do desarmamento, sem ao menos ter tido o cuidado de permitir a publicação de pelo menos uma carta de cidadãos contrários à dita campanha.

Na edição de 08/03/2005, temos dois grandes espaços cedidos para colunista e articulista defenderem o plebiscito de outubro sobre a proibição ou não da venda de armas e munições no Brasil. Ambos argumentam de forma tão primária, que ofendem aos leitores de O GLOBO, pois zombam de nossa inteligência com os seguintes argumentos: O juiz de Sobral é exemplo de que se deve tirar o porte de armas dos juízes; que o recolhimento de armas tem reduzido a violência etc.

Ora, caro editor, num universo de 14 mil juízes, só porque um agiu de forma incorreta devemos punir a todos os Juízes? Em Cuiabá o número de homicídios aumentou, só que se tem matado à paulada e até a pedradas, portanto a índole de matar não é impedida ao se tirar as armas das mãos do ser humano.

Átila, o rei dos hunos, não possuía uma arma de fogo, entretanto matou tanto que entrou para história como "o flagelo de Deus". Ademais, o que o caso de Sobral, no Ceará, o caso do PM que efetuou disparos contra o Via show, no Rio de Janeiro e o caso do Promotor de São Paulo que matou um jovem têm em comum? Resposta: todos estavam embriagados, logo não é a condição em si de juiz, promotor, e PM que deve servir de argumentação para se proibir o porte de armas a essas autoridades, conforme um leitor propôs em sua carta ao GLOBO em 06/03/2005. As ações ilícitas dessas autoridades não significam que temos argumentos sólidos para se defender a proibição do porte de arma a essas autoridades, doutra forma eu estaria plenamente fundamentado para pedir uma nova lei seca!

Portanto, O GLOBO prestaria um grande serviço à recente democracia brasileira se atuasse de forma imparcial nessa questão do desarmamento, dando espaços iguais a ambos os lados.

Respeitosamente,

Tenente Melquisedec Nascimento
Presidente da Associação dos Militares Auxiliares e Especialistas
AMAE
www.amaerj.org
(21) 9196-8466


 


   

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