SINAIS
PARTICULARES
Por
inaptidão, despreparo ou falta de vontade, o presidente
Luiz Inácio é a perfeita ilustração
da música que ele mesmo disse gostar, e que parece ter
adotado como hino particular: “Deixa a vida me levar”.
Mas enquanto Sua Excelência leva a vida, que certamente
não quer largar de jeito nenhum (tão-pouco seus
companheiros de alto escalão acostumados às doçuras,
privilégios e bem-aventuranças comuns aos donos
do poder), sinais particulares vão surgindo nitidamente
no quadro político do momento. Sem nada a ver com infâmias,
como gosta de dizer o presidente que sempre se coloca no papel
de vítima, esses sinais agourentos para ele são
decorrência de um processo, onde se acumularam de forma
desmedida a incompetência e a ganância do modo petista
de governar.
Os
maus agouros surgiram claramente nas últimas pesquisas,
e em que pese essas sondagens de opinião muitas vezes
não serem confiáveis, traduzindo modos camuflados
de propaganda ou a falsa certeza dos números, não
devem ter agradado à atual corte brasiliense.
Conforme
pesquisa CNI/Ibope, divulgada em 14/12, adversários do
PSDB, partido que Luiz Inácio mais detesta e teme, vão
se posicionando favoravelmente. José Serra ganha no segundo
turno por folgados 13 pontos porcentuais e Geraldo Alckmin já
está empatado tecnicamente com o eterno candidato presidencial
que começa a se ver reduzido aos seus tradicionais 30%,
porcentagem de votos que lhe ocasionaram três derrotas
seguidas.
O
grande fenômeno eleitoral da pesquisa é o governador
de São Paulo, que saiu de um dígito para ascender
rapidamente nas intenções de votos. O argumento
de que não é conhecido não é tão
importante. Naturalmente Serra é mais conhecido porque
chegou ao segundo turno das eleições presidenciais
passadas. Mas o palanque eletrônico da TV rapidamente
garantirá a visibilidade necessária a Geraldo
Alckmin, caso seja ele escolhido como candidato do PSDB. Calmo,
articulado, dando demonstrações reais de competência
em sua trajetória política, elegante e sóbrio,
ele apresenta um contraste estonteante com o candidato à
reeleição. E como tudo nessa vida cansa, pode
ser que o povo queira agora algo diverso do que elegeu em 2002.
Mesmo porque, a pesquisa CNI/Ibope mostra que hoje são
apenas 43% os que confiam no presidente, contra os 76% que confiavam
em junho de 2003. Os que não confiavam naquela época
eram apenas 19% e agora chegam a 53%.
Para
piorar, a pesquisa indicou que a reprovação popular
incidiu justamente em áreas nas quais Luiz Inácio
se gaba de ser um condutor genial. Reprovaram o combate à
pobreza 50% dos entrevistados, contra 46% que aprovaram. Programas
de educação e saúde: 48% reprovaram e 47%
estão satisfeitos. Segurança pública: 65%
reprovaram e apenas 29% aprovaram. Combate à inflação:
54% estão insatisfeitos contra 37% de satisfeitos. Taxas
de juros: 63% reprovaram e 25% aprovaram. Combate ao desemprego:
62% reprovaram e 34% aprovaram. Impostos: 69% criticaram contra
23% que aprovaram.
É
também sinal particular significativo o resultado de
uma pesquisa da GlobaScan, divulgada na reunião da Organização
Mundial do Comércio, em Hong Kong. A sondagem que ouviu
20 mil pessoas em 20 países mostra que o Brasil foi o
país em que o governo mais perdeu prestígio diante
de sua população, na comparação
com outros 14, nos últimos 12 meses.
Além
das análises quantitativas, há certos sinais particulares
importantíssimos que incidem sobre aspectos qualitativos.
Por exemplo, O Estado de S. Paulo, de 15/12, trouxe duas notícias
que demonstraram a insatisfação de duas instituições
que, através de nossa história, quando desfavoráveis
ao governo o colocavam em sérias dificuldades: a Igreja
Católica e as FFAA. Portanto, mesmo sem o poder de outrora,
é significativo o fato dos bispos do Brasil, segundo
o jornal citado, terem ido recentemente se queixar ao Papa com
relação às políticas sociais do
governo Luiz Inácio. Recorde-se que o PT é filho
dileto da Ecclesia e sempre contou com seu apoio.
Em
outra página, o comandante do Exército, General
Francisco Albuquerque, reclamava entre outras coisas de que
os militares não estão conseguindo fazer as três
refeições por dia.
Analistas
e adeptos do governo petista falam que Luiz Inácio pode
reverter o quadro. Ele possui a máquina estatal que é
pródiga em benefícios e caridades oficiais quando
interessa. Talvez isso aconteça, pois em política
os cenários mudam rapidamente e o PT no poder acostumou-se
a comprar tudo e todos. Mas que os sinais particulares do momento
estão adversos, marcantes e pressagiadores de derrota
para o PT, isso lá estão.
Maria
Lucia Victor Barbosa é socióloga.