Edição 0101 - 30 de Dezembro de 2005
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SINAIS PARTICULARES

Por inaptidão, despreparo ou falta de vontade, o presidente Luiz Inácio é a perfeita ilustração da música que ele mesmo disse gostar, e que parece ter adotado como hino particular: “Deixa a vida me levar”. Mas enquanto Sua Excelência leva a vida, que certamente não quer largar de jeito nenhum (tão-pouco seus companheiros de alto escalão acostumados às doçuras, privilégios e bem-aventuranças comuns aos donos do poder), sinais particulares vão surgindo nitidamente no quadro político do momento. Sem nada a ver com infâmias, como gosta de dizer o presidente que sempre se coloca no papel de vítima, esses sinais agourentos para ele são decorrência de um processo, onde se acumularam de forma desmedida a incompetência e a ganância do modo petista de governar.

Os maus agouros surgiram claramente nas últimas pesquisas, e em que pese essas sondagens de opinião muitas vezes não serem confiáveis, traduzindo modos camuflados de propaganda ou a falsa certeza dos números, não devem ter agradado à atual corte brasiliense.

Conforme pesquisa CNI/Ibope, divulgada em 14/12, adversários do PSDB, partido que Luiz Inácio mais detesta e teme, vão se posicionando favoravelmente. José Serra ganha no segundo turno por folgados 13 pontos porcentuais e Geraldo Alckmin já está empatado tecnicamente com o eterno candidato presidencial que começa a se ver reduzido aos seus tradicionais 30%, porcentagem de votos que lhe ocasionaram três derrotas seguidas.

O grande fenômeno eleitoral da pesquisa é o governador de São Paulo, que saiu de um dígito para ascender rapidamente nas intenções de votos. O argumento de que não é conhecido não é tão importante. Naturalmente Serra é mais conhecido porque chegou ao segundo turno das eleições presidenciais passadas. Mas o palanque eletrônico da TV rapidamente garantirá a visibilidade necessária a Geraldo Alckmin, caso seja ele escolhido como candidato do PSDB. Calmo, articulado, dando demonstrações reais de competência em sua trajetória política, elegante e sóbrio, ele apresenta um contraste estonteante com o candidato à reeleição. E como tudo nessa vida cansa, pode ser que o povo queira agora algo diverso do que elegeu em 2002. Mesmo porque, a pesquisa CNI/Ibope mostra que hoje são apenas 43% os que confiam no presidente, contra os 76% que confiavam em junho de 2003. Os que não confiavam naquela época eram apenas 19% e agora chegam a 53%.

Para piorar, a pesquisa indicou que a reprovação popular incidiu justamente em áreas nas quais Luiz Inácio se gaba de ser um condutor genial. Reprovaram o combate à pobreza 50% dos entrevistados, contra 46% que aprovaram. Programas de educação e saúde: 48% reprovaram e 47% estão satisfeitos. Segurança pública: 65% reprovaram e apenas 29% aprovaram. Combate à inflação: 54% estão insatisfeitos contra 37% de satisfeitos. Taxas de juros: 63% reprovaram e 25% aprovaram. Combate ao desemprego: 62% reprovaram e 34% aprovaram. Impostos: 69% criticaram contra 23% que aprovaram.

É também sinal particular significativo o resultado de uma pesquisa da GlobaScan, divulgada na reunião da Organização Mundial do Comércio, em Hong Kong. A sondagem que ouviu 20 mil pessoas em 20 países mostra que o Brasil foi o país em que o governo mais perdeu prestígio diante de sua população, na comparação com outros 14, nos últimos 12 meses.

Além das análises quantitativas, há certos sinais particulares importantíssimos que incidem sobre aspectos qualitativos. Por exemplo, O Estado de S. Paulo, de 15/12, trouxe duas notícias que demonstraram a insatisfação de duas instituições que, através de nossa história, quando desfavoráveis ao governo o colocavam em sérias dificuldades: a Igreja Católica e as FFAA. Portanto, mesmo sem o poder de outrora, é significativo o fato dos bispos do Brasil, segundo o jornal citado, terem ido recentemente se queixar ao Papa com relação às políticas sociais do governo Luiz Inácio. Recorde-se que o PT é filho dileto da Ecclesia e sempre contou com seu apoio.

Em outra página, o comandante do Exército, General Francisco Albuquerque, reclamava entre outras coisas de que os militares não estão conseguindo fazer as três refeições por dia.

Analistas e adeptos do governo petista falam que Luiz Inácio pode reverter o quadro. Ele possui a máquina estatal que é pródiga em benefícios e caridades oficiais quando interessa. Talvez isso aconteça, pois em política os cenários mudam rapidamente e o PT no poder acostumou-se a comprar tudo e todos. Mas que os sinais particulares do momento estão adversos, marcantes e pressagiadores de derrota para o PT, isso lá estão.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.


 
 

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