ESTÁ
FALTANDO ZIRIGUIDUM
Muitas pessoas têm
comentado que não encontram eleitores de Luiz Inácio,
em que pese todas as pesquisas apontarem o candidato e presidente
como imbatível já no primeiro turno. Familiares,
amigos, vizinhos, conhecidos, desconhecidos, gente humilde,
gente endinheirada, ninguém assume o voto no petista.
Até seus ex-adeptos se dizem decepcionados. O que transparece
são queixas, indignação, temor de um segundo
mandato. Entretanto, a cada pesquisa LILS sobe e já apresenta
seu plano de governo para 2022, com reiteradas promessa que
não cumpriu no atual mandato. Uma delas, o crescimento
de 6% do PIB que aconteceria naquela longínqua data.
Se as pesquisas traduzem
a realidade, o que muita gente duvida, isso se deve a alguns
fatores já exaustivamente apresentados e repetidos, mas
que valem à pena ser recordados:
Primeiro, não
existe oposição ao PT. Segundo, há quase
quatro anos o presidente usa e abusa dos meios de comunicação,
notadamente, da TV. Terceiro, a partir do início deste
ano o candidato e presidente esbanjou “bondades”.
Quarto, Luiz Inácio foi superprotegido por todos os partidos.
Na verdade, pouquíssimos
parlamentares do PSDB e do PFL se destacaram nas CPIs como verdadeiros
oposicionistas. Entre eles, o senador Álvaro Dias, o
deputado Gustavo Fruet e alguns outros parlamentares capazes
de demonstrar coragem e ostentar brio e equilíbrio diante
da difícil tarefa de enfrentar a tropa de choque do PT
no Congresso. Os petistas de tudo fizeram para evitar as CPIs
e, depois, quando as Comissões foram instaladas, abateram-se,
inclusive, sobre as testemunhas. Eles utilizaram suas habituais
táticas, capitaneados pela estridente senadora Ideli
Salvati: gritar, desclassificar, afrontar, constranger, distorcer,
intimidar.
O governo do PT teve
um grande êxito: a compra da base aliada acabou por desmoralizar
o Congresso como um todo, e esse pilar da democracia emergiu
como uma aberração imoral. Vieram à tona
falcatruas e negociatas feitas por homens e mulheres que foram
eleitos para fiscalizar o Executivo e fazer as leis. Condenados
no Conselho de Ética, os mensaleiros, com exceção
de três, foram perdoados no plenário e saudados
com grandes palmas. Um espetáculo nauseante, onde trapaceiros
vencem. Alguns espertos renunciaram para não perder os
preciosos mandatos, trampolins para as maracutaias de toda espécie.
Ao final, salvaram-se praticamente todos. Eles voltarão,
quem sabe, junto com os sanguessugas, perdoados pela sociedade
e ungidos pelo grande companheiro presidente. Não é
difícil que um João Paulo, um Luizinho e outros
amigos de Marcos Valério consigam novo mandato.
A mixórdia de
imoralidades, porém, proveio do Executivo. Afluiu com
o caso Waldomiro Diniz, homem forte de José Dirceu, por
sua vez homem forte do presidente da República. Como
ficou por isso mesmo, a quadrilha (termo usado pelo procurador-geral
da República) foi adiante. Nem os dólares na cueca,
nem os pedidos de justiça feitos pelos irmãos
de Celso Daniel, abalaram a República dos companheiros.
Impunes, Delúbios e Silvinhos, Genoinos e Paloccis, continuam
ser medo de serem felizes.
Enquanto isso, incólume,
o presidente Luiz Inácio pairou sobre seu partido e seu
governo como se não tivesse nada a ver com eles. Nem
os crimes de seus auxiliares mais íntimos abalaram sua
reputação. Bastou alegar que nada sabia, nada
via e, por um decreto invisível, foi instaurado no país
o cinismo institucionalizado, a mentira como norma, o desregramento
como regra.
Sua Excelência
contou especialmente com o apoio do PSDB e do PFL, que lhe foram
de uma dedicação extrema. Enquanto isso, José
Dirceu punha a culpa nas elites (leia-se, PSDB e PFL), e tratava
de expulsar de suas hostes os companheiros mais ensandecidos
pela fúria sagrada da causa.
A queda do agronegócio,
o aumento da inadimplência, o declínio da produtividade
industrial, os pesados impostos (sendo que a arrecadação
bateu novo recorde), a corrupção estarrecedora,
nada é capaz de abalar o prestígio de Sua Excelência,
conforme as pesquisas. E Geraldo Alckmin, que poderia enfrentá-lo,
está sendo cristianizado pelo PSDB, não conta
com apoio efetivo do PFL, foi enjeitado pela cúpula tucana
e está pessimamente assessorado. Educado, inteligente,
técnico, falando bem, expressando-se com objetividade,
mostrando experiência política e administrativa
através de sua carreira, o ex-governador de São
Paulo parece bom demais para o Brasil. Dizem que lhe falta ziriguidum.
Ora, o povo quer apenas ziriguidum e futebol. No mais, como
justificou o ator e petista Paulo Betti: “não se
faz política sem sujar as mãos”. E olha
que de mãos sujas esse governo do PT entende.
Maria
Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br