UMA QUESTÃO DE HONRA
O que leva um cidadão a se tornar um policial.
Você, leitor, muito provavelmente não sabe o que é um "pemezito". Trata-se de uma medalha redonda sobre um fundo de couro que alguns policiais ostentam no bolso esquerdo da camisa. A Láurea do Mérito Pessoal é um privilégio de poucos. Somente os melhores entre os melhores logram alcançá-la.
É a marca dos bravos, daqueles que se destacaram - revelando inteligência e destemor - no confronto com os bandidos. A cor do couro varia - preto, vermelho, branco. Aqueles poucos que chegam à cor branca, se tornam verdadeiras lendas vivas na corporação.
Sempre que converso com um policial militar e vejo no seu uniforme um "pemezito", faço questão de cumprimentá-lo. Ajo assim porque sei que ninguém o faz. Aquele homem é um herói. Mas é um herói anônimo, incompreendido, uma vez que a esmagadora maioria da população não faz a menor idéia do que aquela condecoração significa. Não lhe conferimos o menor valor. Mal sabemos nós o quanto de si aquele policial empenhou para merecê-la.
O "pemezito" é o símbolo maior do imenso abismo de valores, crenças e convicções que distingue o policial do cidadão comum.Nós não costumamos arriscar a vida por medalhas. Lutamos por dinheiro, conforto, status, poder. Jamais por recompensas simbólicas. Não obstante o policial o faz. Para ele, o valor maior é a honra, sua grande ambição é o reconhecimento.
Alguns dirão que tudo isso é bobagem, que não são todos os policiais que pensam assim. Todos não, concordo. Mas a maioria, com certeza. O que levaria milhares e milhares de jovens, todos os anos, a abraçar a carreira policial?
O que leva centenas de filhos da classe média a procurar a Academia do Barro Branco? Existem horizontes mais promissores. A carreira policial, como o sacerdócio, é antes de tudo uma vocação. Os exames de admissão são difíceis, o curso é penoso, a disciplina é férrea, os sacrifícios e renúncias pessoais são inúmeros. Tudo isso em troca do que? De uma carreira rígida, com baixa remuneração, poucas recompensas e altíssimo risco - inclusive da própria vida.
Refiro-me, aqui, a policiais militares, mas o argumento também é valido, em grande parte, para os civis.
O treinamento é árduo. Uma coisa é preparar gerentes para trabalhar em empresas; outra, bem diferente, é forjar soldados para enfrentar uma guerra. Requer-se aqui uma psicologia especial. No futuro policial há de se incutir valores tais como o brio, a disciplina, a hierarquia, o espírito de corpo, a coragem, a renúncia de bens e o sentimento exaltado do dever. É uma preparação massacrante. Mas dela emerge um novo homem. Um homem substancialmente diferente dos demais.
Muitos se corrompem pelo caminho, é verdade. Outros tanto acabam por adotar padrões éticos mais liberais. Mas a maioria não. Os valores que lhe foram incutidos permanecem por toda a vida.
A não compreensão dessas características tem levado inúmeros governantes a grandes equívocos em matéria de segurança pública.
Exemplo disso é o que estava ocorrendo, até há pouco, em São Paulo.
A nossa polícia, de um mês e meio para cá, mudou. E mudou substancialmente. O salto qualitativo é evidente. Uma polícia que vivia tímida, acovardada, desmoralizada dia após dia pela ousadia dos marginais, de repente resolveu reagir. O monstruoso "Andinho", que escarnecia das autoridades freqüentando livremente as boates da moda em Campinas, agora está preso. Presos também estão os seqüestradores de Washington Olivetto, e os assassinos do Celso Daniel.
Menos notórios, dezenas de outros criminosos contumazes estão agora atrás das grades. Blitzes estão sendo realizadas quase todos os dias. Os índices de criminalidade estão em queda. O número de seqüestros caiu para a metade. Como coroamento de todos esses esforços, ocorreu a espetacular operação que liquidou 12 membros do PCC na estrada de Sorocaba. Uma ação brilhante e impecável em todos os sentidos, quer no que tange à inteligência, estratégia, tática e logística, quer no que diz respeito à coordenação de esforços, coragem e disciplina.
A população, aos poucos, está voltando a acreditar na nossa polícia. O jogo realmente está virando!
Parte do mérito se deve a Saulo de Castro Abreu e seu adjunto, Marcelo Martins de Oliveira, os novos titulares da Secretaria da Segurança Pública. Pelo que se diz por aí, até pouco tempo atrás, quando se discutia segurança pública, os interlocutores do governo - pasmem! - eram o padre, o sociólogo, o psicólogo, o ideólogo, o "achólogo" e o assistente social.
Essa malta de "especialistas", ao que parece, foi gentilmente dispensada. Quem tem voz, agora, são delegados de polícia, juizes de direito, promotores de justiça e policiais militares, ou seja, gente que realmente sabe do que está falando.
O governador Alckmin, por sua vez, parece que acordou: eis que finalmente vestiu a camisa da polícia. Ele agora a defende e a prestigia. E ela, motivada, está lhe apresentando resultados surpreendentes.
Muito bem, governador. É este, sem dúvida, o caminho.
E quanto aos zangados e quixotescos ativistas dos "direitos humanos"? Bem, Dr. Alckmin, sugira-lhes ir queixar-se ao bispo! Da sacristia do qual, aliás, jamais deveriam ter saído.
Tenha sempre em mente que, para os policiais, acima das recompensas materiais, estão a sua honra, os seus brios, a sua auto-estima.
Dê-lhes reconhecimento e eles serão capazes de operar milagres. Mas negue-lhes isto e os terá despojado de tudo.
Fonte: OESP
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