Edição 0095 - 18 de Novembro de 2005
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PROFETIZANDO

Eu já fui de esquerda. Todo mundo já foi de esquerda. Até o Olavo de Carvalho já foi de esquerda. Ser de esquerda era como pegar caxumba. Todo mundo um dia acabava passando. E passava. Porém, como a caxumba, alguns ficavam "marcados", digamos assim. Ou ela ficava encubada. Ou não se curavam mesmo. Na verdade ser de esquerda era uma tentativa pífia, para muitos, de se tornar um liberal num país sem tradição democrática. Como a gente vivia sendo esmagado pelo estado acabava querendo um regime tolerante, democrático e humano.

Mas porque ia escolher justo o pior modelo? Escolher o modelo comunista? É que também a gente era meio desinformado. Acreditava em tolices e achava que a fantasia era realidade. Mesma coisa que hoje o Lula, que acha que realidade é fantasia. Bem, o caso é que, não importa a razão, aquilo passou. Mas, me deu uma espécie de capacidade de "previsão", digamos. Como eu sabia um pouco como pensa e age este pessoal, ficou claro que o governo deles ia ser uma meleca. Dito e feito.

No começo quando eu falava o pessoal de esquerda, semi-esquerda, esquerda simpatizante, esquerda light, proto-esquerda e ultra-esquerda (até alguns destros) já ficavam ofendidos. "Como falar do Lula! Ele recém assumiu e lá vêm críticas! Vocês da direita são uns reacionários!".

É claro, que para um sujeito da esquerda (qualquer modalidade) qualquer pessoa que fala qualquer coisa contra eles ou qualquer crítica aos seus atos é imediatamente tachado de direita, nazista, fascista e reacionário.

O tempo passou, o Lula governou mais um pouquinho e aí as vozes em defesa do PT foram sumindo. Alguns diziam: "Ei, eu sou socialista e não a favor do Lula", assim por diante. Mas, eu como já estava prevendo, enquanto a coisa não esquentasse e não se tornasse uma ameaça séria ao governo, tudo ia ficando assim. Porém, no momento em que não era mais a reeleição que estava em jogo, mas a própria mentira da esquerda, a coisa ficou séria. Levantaram-se defensores do Dirceu, do Lula, do Palocci e até da Corrupção.

Começaram a atacar as pessoas, pintá-las de nazistas, ofender a imprensa, chamar de "denuncismo". O caso é que estes defensores da irrealidade e do totalitarismo tem algo em comum. Como diria Popper, a "teoria da conspiração" encoraja reais conspirações. Este pessoal sempre acreditou que alguém armava contra eles: os pais, a família, Cristo, os capitalistas, EUA, o imperialismo, os filósofos, etc. Assim eles resolveram armar contra todos.

Já notaram como estes "amantes da paz e contra a guerra" são os primeiros a serem VIOLENTOS. Não quero ficar aqui profetizando, mas estes caras querem um regime de opressão. É por isso que as vezes aparecem as contra-revoluções. É um contra ataque. Um contra-golpe. Como no boxe a gente tem que ficar contra-golpeando. Eles já estão apelando para seus piores e mais radicais "pensadores".

Isto aqui não pode virar Cuba.

Milton Larentis
filósofo e professor.

Colaboração: Leo Medeiros


 
 

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