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Os Policiais que trabalham em áreas
insalubres devem conhecer bem o que é a malária
e os males que pode causar ao organismo humano.
MALÁRIA
A
malária é uma doença infecciosa, potencialmente
grave, causada por parasitas (protozoários do gênero
Plasmodium ), que são transmitidos de uma pessoa para outra
pela picada de mosquitos ( Anopheles ). A malária , contra
a qual não estão disponíveis vacinas , é
a principal preocupação dos viajantes atendidos
pelo Cives .
Transmissão
A
malária é transmitida por fêmeas de mosquitos
do gênero Anopheles . A transmissão é mais
comum em áreas rurais e semi-rurais, mas pode ocorrer em
áreas urbanas principalmente na periferia. Em altitudes
superiores a 1500 metros , no entanto, o risco de aquisição
de malária é pequeno.
O
Anopheles darlingi, que tem como criadouro grandes coleções
de água, é o principal transmissor na Região
Amazônica. Na faixa litorânea , inclusive no Rio de
Janeiro, o Anopheles aquasalis, que prolifera em coleções
de água salobra, predomina sobre o A. darlingi . Esses
mosquitos tem maior atividade durante a noite, do crepúsculo
ao amanhecer e, geralmente picam no interior das habitações.
A
doença é causada por protozoários do gênero
Plasmodium . Quatro espécies podem produzir a infecção
- Plasmodium falciparum , Plasmodium vivax , Plasmodium malariae
e Plasmodium ovale . O P. ovale ocorre apenas na África
e, raramente, no Pacífico Ocidental. O P. falciparum é
o que causa a malária mais grave, podendo ser fatal. O
risco maior de aquisição de malária é
no interior das habitações, embora a transmissão
também possa ocorrer ao ar livre.
Áreas
de Risco

Cerca
de 40% da população mundial vive em áreas
com risco de transmissão de malária , resultando
em não menos que 300 milhões de pessoas infectadas
no mundo a cada ano. A transmissão ocorre em países
da América Central, América do Sul, América
do Norte (México), África sub-saariana, da Índia,
do Sudeste da Ásia, do Oriente Médio, e da Oceania,
entretanto, mais de 90% dos casos ocorrem em países africanos,
com um número de mortes entre 1 e 1,5 milhões. A
situação da malária parece estar piorando,
especialmente nas "fronteiras" de desenvolvimento econômico
da América do Sul e do Sudeste da Ásia. Os problemas
são mais graves em áreas de conflitos armados e
deslocamentos de refugiados.
No
início do século vinte, a malária ocorria
praticamente em todo o território brasileiro. Na década
de 40 eram estimados cerca de 8 milhões de casos por ano.
As medidas de controle, incluindo o uso de DDT, fizeram com que
o número fosse reduzido, chegando a 50 mil em 1970. A partir
de então, em razão da descoberta de ouro e dos projetos
de desenvolvimento que levaram à ocupação
desordenada da Região Amazônica, o número
de casos subiu progressivamente. Em 1999 foram registrados 630.747
mil casos de malária , 629.000 dos quais na Amazônia.
A
distribuição do risco de aquisição
de malária não é uniforme dentro de um mesmo
país e, freqüentemente, é desigual para locais
situados em uma mesma região, além de sofrer variações
com as estações do ano e ao longo do tempo. Em geral,
o risco é elevado na África
(sub-saariana), América do Sul (Bacia Amazônica),
Irian Jaia, Madagascar, Papua-Nova Guiné, Sudeste da Ásia
e Vanuatu. É relativamente baixo
no Afeganistão (leste), América Central, América
do Sul (exceto na Bacia Amazônica), América do Norte
(áreas rurais do México), China (norte), Egito,
Índia, Indonésia, Iraque, Irã, Malásia,
Sri Lanka, Sul do Iraque, Oriente Médio, Paquistão
e Península Arábica (sudeste).
No
Brasil, a transmissão da malária está basicamente
restrita à Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas,
Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima,
Tocantins). Nas capitais dessa região, em geral o risco
é pequeno, mas pode haver transmissão nos arredores
das cidades. Nos Estados do Sudeste e do Sul, a não ser
esporadicamente, não ocorre transmissão. Em áreas
onde transmissão da malária foi interrompida, como
o Rio de Janeiro, como em geral não é possivel eliminar
os Anopheles , pode eventualmente ocorrer a reintrodução
da doença..
Medidas
de proteção individual
O
risco de malária depende do itinerário e da duração
da viagem. Não existem vacinas disponíveis
contra a malária . Para estar o mais protegido
possível, o viajante deve estar informado sobre os riscos
de aquisição da doença, empregar medidas
de proteção adequadas e estar ciente que todos os
métodos de prevenção podem falhar.
A
transmissão de malária ocorre em áreas que,
em geral, são de risco potencial para febre amarela (a
vacina deve estar atualizada) e também para dengue . Devem
ser adotadas, portanto, medidas de proteção contra
infecções transmitidas por insetos, que são
as mesmas empregadas contra a febre amarela e o dengue . A transmissão
dessas doenças pode ocorrer ao ar livre ou no interior
das habitações.
O
viajante deve usar, sempre que possível, calças
e camisas de manga comprida, e repelentes contra insetos à
base de DEET nas roupas e no corpo, sempre observando a concentração
máxima para crianças (10%) e adultos (50%). Além
disso, deve procurar hospedar-se em locais que disponham de ar-condicionado,
com telas protetoras contra mosquitos, ou utilizar mosquiteiros
impregnados com permetrina e inseticida em aerosol nos locais
onde for dormir. Não existe comprovação
da eficácia do uso de vitaminas do complexo B ou de pilulas
de alho na profilaxia de malária (ou qualquer outra doença
transmitida por vetores).
O
uso de medicamentos (quimioprofilaxia) está indicado para
pessoas que se dirigem para áreas de transmissão,
principalmente se vão ficar sem acesso aos Serviços
de Saúde. O emprego de medicamentos profiláticos
(cloroquina, mefloquina, doxiciclina, azitromicina, cloroquina-proguanil,
proguanil-atovaquone, artemisina-lumefantrine) não deve
ser feito sem prescrição médica especializada.
A seleção das drogas para o esquema profilático
mais adequado para uma determinada área depende do grau
do risco existente, das espécies de Plasmodium predominantes
e da sua resistência às drogas, e do risco de efeitos
colaterais.
Drogas
como a cloroquina e a mefloquina , podem ter efeitos colaterais
importantes ou serem ineficazes, se tomadas em doses e por períodos
inadequados. A cloroquina pode piorar os sintomas de psoríase,
e ocorre resistência do Plasmodium falciparum a essa droga
na maioria das áreas de transmissão. A mefloquina,
uma opção para áreas onde ocorre resistência
à cloroquina, não pode ser utilizada por crianças
com peso menor do que cinco quilos e durante o primeiro trimestre
de gravidez. Além disso, está contra-indicada em
pessoas com antecedentes de distúrbios psiquiátricos,
epilepsia, de condução cardíacas (arritmias),
em uso de beta-bloqueadores ou que exerçam atividades que
necessitem coordenação e discriminação
espacial (como pilotos de avião). A quimioprofilaxia deve
em geral ser iniciada uma semana antes da entrada em área
de transmissão, para a detecção de possíveis
efeitos colaterais, e mantida por quatro semanas após o
retorno.
Não
obstante todas as medidas de prevenção, inclusive
a utilização de medicamentos profiláticos,
o viajante pode contrair malária . Deve ser lembrado que,
a quimioprofilaxia pode prolongar o período de incubação
da malária por muitos meses. O viajante que passou por
uma área de risco para malária e que apresente febre
, durante ou após a viagem, deve procurar rapidamente um
Serviço de Saúde para esclarecimento diagnóstico.
É importante observar que, como as áreas de transmissão
podem ser as mesmas, além de malária, sempre
deve ser afastado o diagnóstico de febre amarela , e investigada
a possibilidade de dengue .
Manifestações
O
desenvolvimento das manifestações da malária
, em geral, ocorre entre 9 e 40 dias (período de incubação)
após a picada de um mosquito infectado, dependendo da espécie
de Plasmodium. Podem, no entanto, surgir meses ou, eventualmente
anos, depois da saída de uma área de transmissão
de malária . As manifestações iniciais são
febre , sensação de mal estar, dor de cabeça,
dor muscular, cansaço e calafrios. Nas fases iniciais,
é comum que a doença seja erroneamente diagnosticada
como virose respiratória ("gripe")
.
Diversos
medicamentos estão disponíveis para o tratamento
da malária, que pode ser tratada com sucesso, especialmente
se a terapêutica for iniciada precocemente. Entretanto,
o retardo do tratamento pode ter conseqüências graves.
Se não for prontamente tratada, pode evoluir com anemia,
icterícia (olhos amarelados, semelhante às hepatites
e à leptospirose ) e, a infecção pelo Plasmodium
falciparum, pode resultar em funcionamento inadequado de órgãos
vitais (rins, pulmões e cérebro) e levar à
morte. Grávidas e crianças estão sob risco
maior de desenvolver formas graves de malária .
Por:
Fernando S. V. Martins & Terezinha Marta P.P. Castiñeiras
Fonte:http://www.cives.ufrj.br/informacao/malaria/mal-iv.html
Ao
primeiro sintoma procure imediatamente auxílio especializado
no serviço de saúde de sua organização
Policial.
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