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CÂNCER DE PRÓSTATA

O QUE É A PRÓSTATA

A próstata é uma glândula, do tamanho de uma amêndoa, pesando cerca de 20 gramas que situa-se na base da bexiga e circunda a uretra. Sua função é produzir uma parte do sêmen.

 

ESTATÍSTICAS

Os problemas da próstata são muito comuns e atingem desde o homem jovem até o mais idoso, predominando a partir dos 50 anos  

O Urologista é o médico indicado para diagnosticar e resolver tais problemas e a maioria destes pode ser tratada sem afetar as funções sexuais.

DOENÇAS

Para fins didáticos, dividiremos as doenças da próstata em "Não Cancerosas" e "Cancerosas".

  1. DOENÇAS NÃO CANCEROSAS

PROSTATITE AGUDA

É uma infecção bacteriana da próstata que ocorre em qualquer idade. Febre, calafrios, dor perineal, dificuldade e ardência para urinar são os principais sintomas. O tratamento é feito com antibióticos específicos e a cura é quase sempre obtida.

PROSTATITE CRÔNICA

O QUE É

É uma infecção bacteriana recidivante, ou seja, vai e volta.

SINTOMAS

Os sintomas são semelhantes aos da prostatite aguda, porém, sem febre, em menor escala e de duração bem mais prolongada.

TRATAMENTO

O tratamento é feito com antibióticos e/ou outros medicamentos de suporte. A condição é de difícil tratamento e pode haver necessidade de massagens prostáticas.

HIPERTROFIA BENIGNA DA PRÓSTATA (HBP)

O QUE É

É o aumento do volume (tamanho) da próstata, ou seja, crescimento benigno.

CAUSAS

As causas ainda são indeterminadas.

ESTATÍSTICAS

    • Ocorre dos 40 anos em diante
    • É mais comum a partir dos 60 anos
    • Atinge 50% dos homens aos 60 anos
    • Acomete 90% dos homens entre 70 e 80 anos

SINTOMAS

O crescimento da próstata comprime a uretra (canal da urina) determinando uma série de sintomas urinários. Os mais comuns são:

    • Levantar-se várias vezes à noite para urinar
    • Ardência para urinar
    • Diminuição da força e calibre do jato urinário
    • Sensação de não ter esvaziado completamente a bexiga após urinar
    • Urinar em dois tempos
    • Desejo imperioso de urinar
    • Aumento do número de micções
    • Urina sanguinolenta
    • Gotejamento acentuado no final da micção
    • Diminuição do volume do ejaculado
    • Incapacidade de urinar espontaneamente (retenção urinária)

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico baseia-se nos sintomas, em:

    • Exames de laboratório (urina, PSA, etc)
    • Toque retal
    • Ultra-sonografia da próstata
    • Endoscopia Urinária: Um exame no qual o Urologista introduz na uretra do paciente, um tubo longo e fino, com iluminação própria, que lhe permite "enxergar" por dentro, a uretra, a bexiga e a próstata, identificando qualquer condição anormal que possa existir em tais órgãos
    • Endoscopia Urodinâmica: Exame no qual o Urologista introduz pequenas sondas (tubos de borracha) no reto e na uretra do paciente, que funcionam como "sensores", ligadas a um equipamento computadorizado que avalia o estado de funcionamento do sistema urinário inferior

TRATAMENTO

O tratamento é escolhido de acordo com o caso e inclui:

    • OBSERVAÇÃO CUIDADOSA: Onde apenas acompanha-se a evolução do caso
    • alfa-bloqueadores, medicamentos que relaxam a musculatura da próstata e facilitam a emissão da urina. Há melhora dos sintomas mas a próstata continua crescendo. Efeitos colaterais incluem: dor de cabeça, tonturas e cansaço.
    • FINASTERIDA: Medicamento que diminui parcialmente o tamanho da próstata, por inibir a ação do hormônio masculino. Deve ser usado por longo prazo e seus efeitos colaterais incluem diminuição do desejo sexual, dificuldade em obter ereções e problemas ejaculatórios.
    • RESSECÇÃO TRANSURETRAL DA PRÓSTATA (RTUP): padrão ouro no tratamento cirúrgico da HBP. É a cirurgia que tem a melhor relação entre os riscos e os bons resultados. Realiza-se através da uretra, sem cortes, introduzindo-se um tubo até a próstata e cortando-a em pequenos fragmentos que são posteriormente aspirados.
    • CIRURGIA CONVENCIONAL (prostatectomia a céu aberto): Realizada através de incisão no baixo ventre. Empregada para próstatas muito grandes. Dá excelentes resultados também, com um pouco mais de risco em relação à RTUP.
    • ELETROVAPORIZAÇÃO (EVAP) e ABLAÇÃO A LASER: Também são cirurgias realizadas pela uretra, sem cortes. Apesar dos seus nomes sugerirem "avanços" tecnológicos, ainda não conseguiram provar que seus resultados são superiores aos da RTUP.

ATENÇÃO: Todas as cirurgias para HBP não retiram completamente a próstata, mas apenas o "miolo", deixando a cápsula (casca) intacta. O que obriga o paciente operado a continuar fazendo seu exame preventivo uma vez por ano.

É importante frisar que os tratamentos cirúrgicos da HBP, dificilmente levam à impotência sexual, ao contrário da cirurgia radical utilizada para o tratamento do câncer da próstata, onde cerca de 30% dos pacientes podem ficar impotentes.

COMPLICAÇÕES

A HBP não tratada, pode levar a sérias complicações:

    • Retenção urinária (urina presa)
    • Infecção urinária
    • Cálculos (pedras) na bexiga
    • Insuficiência renal
    • Descompensação da bexiga

 

  1. DOENÇAS CANCEROSAS

TUMORES MALÍGNOS (HBP)

Como os demais órgãos, a próstata pode ser acometida por tumores malignos primários e secundários, de vários tipos e linhagens. Porém, o tumor maligno de importância clínica por sua freqüência, é o "Adenocarcinoma da Próstata".

ADENOCARCINOMA DA PRÓSTATA (HBP)

O QUE É

Mais conhecido apenas por "câncer da próstata", é um dos cânceres mais comuns do sexo masculino.

ESTATÍSTICAS

    • Aparece dos 40 anos em diante
    • Mais freqüente a partir dos 65 anos
    • Mais comum na raça negra
    • Mais comum nos pacientes com história familiar de câncer

Nos estágios iniciais, limita-se à próstata. Se deixado sem tratamento, poderá invadir órgãos próximos como vesículas seminais, uretra e bexiga, bem como espalhar-se para órgãos distantes como ossos, fígado e pulmões, quando torna-se incurável e de nefastas conseqüências.

DIAGNÓSTICOS

•  Sintomas urinários, que são iguais aos apresentados pelos portadores de HBP

•  Toque retal

•  Exame de sangue específico chamado PSA

•  Ultra-sonografia da próstata

•  Biópsia da próstata

TRATAMENTO

O tratamento depende de cada caso e se o tumor está confinado à próstata ou se já espalhou-se para outros órgãos. As opções de tratamento são:

•  CIRURGIA RADICAL: Indicada apenas se o paciente é jovem, tem boa expectativa de vida e com tumor em estágio inicial. Estritamente limitado à próstata.

É uma cirurgia de grande porte, onde a próstata e as vesículas seminais são retiradas em bloco. É o único tratamento que garante a cura completa.

*Tem como desvantagem, a possibilidade de em alguns casos, deixar o paciente impotente ou incontinente (perda involuntária de urina). Mesmo assim, há possibilidade de se corrigir tais complicações

•  RADIOTERAPIA: Onde aparelhos emitem grandes doses de energia radioativa que é direcionada aos órgãos doentes, no intuito de fazer "murchar" as células cancerosas. *Impotência sexual também poderá ocorrer após radioterapia

•  HORMONIOTERAPIA: indicada para os casos em que o câncer já se espalhou para outros órgãos, nos estágios avançados da doença, onde não há possibilidade de cura completa. São usados vários medicamentos à base de hormônios, no intuito de deter o crescimento do tumor.

*A castração, retirada cirúrgica dos testículos, também é empregada como hormonioterapia, já que elimina os órgãos que produzem o hormônio masculino, responsável pelo crescimento do tumor

PREVENÇÃO DO CÂNCER DA PRÓSTATA

Só existe um modo seguro de se curar o câncer da próstata: descobrindo-o precocemente, ou seja, submetendo-se ao exame preventivo.

O exame preventivo deve ser realizado por urologista, anualmente, a partir dos 45 anos. Dessa forma, consegue-se detectar tanto a HBP quanto o câncer em fase inicial e ainda curável.

Mesmo os pacientes operados da próstata por HBP, devem submeter-se ao preventivo, pois, as cirurgias para o tratamento das doenças benignas da próstata, não a retiram por completo, deixando intacta sua cápsula, a partir de onde o câncer pode desenvolver-se.

Não se deve esperar pelo aparecimento dos sintomas para recorrer ao exame preventivo. Seguramente, quando os sintomas começarem a se manifestar, a doença já existirá há algum tempo. O exame preventivo é extremamente simples:

•  CONSULTA: onde o Urologista fará perguntas gerais e específicas sobre o sistema urinário e genital

•  EXAME DE SANGUE: solicitado pelo urologista, o PSA, é extremamente útil para monitorar o aparecimento do câncer, visto que sua concentração no sangue quase sempre mantém-se em níveis normais na HBP e aumenta consideravelmente nos casos de câncer da próstata

•  TOQUE RETAL: um exame clínico feito pelo Urologista. O toque retal é realizado pela introdução do dedo indicador do médico, lubrificado e enluvado, no ânus do paciente. Dura de 5 a 30 segundos, é relativamente indolor e presta ao médico informações como:

      • Estado do esfíncter anal (músculo que segura as fezes)
      • Estado das fezes dentro do reto
      • Presença ou não de tumores do reto, alcançáveis pelo dedo do médico
      • Presença ou não de dor na próstata, vesículas seminais e reto, que pode indicar presença de inflamações.
      • Avaliação do tamanho da próstata
      • Avaliação da mobilidade da próstata
      • Avaliação da presença de nódulos suspeitos de câncer da próstata
      • Avaliação da consistência da próstata. Se mole, dura ou elástica
      • Avaliação dos bordos, limites e simetria da próstata.

DESMISTIFICANDO O TOQUE RETAL

    • Ao contrário do que se pensa, o toque retal não é um exame "antigo" ou "superado".
    • Não compromete a masculinidade nem é indigno.
    • Nenhum outro exame dá as informações do toque retal.
    • Jamais deverá ser trocado por qualquer outro exame tipo ultra-sonografia ou radiografia, que não o substituem, mas complementam-no sempre.

CONCLUSÃO
Concluído o exame preventivo, se nada de anormal for encontrado, o paciente é orientado para retornar após um ano.

Caso haja alguma suspeita de câncer da próstata ou HBP importante, o Urologista tomará providências para esclarecer o caso, aprofundando a investigação através da realização de outros exames.

 

Cálide Gomes - São Luís/MA
*Professor de Urologia da Ufma, Urologista do Urocentro e Teleconsultor da Home Page Auto-ajuda, em Urologia
http://www.geocities.com/HotSprings/6078 (Medicina Virtual - Urologia e Andrologia)

 

 

 

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