Obesidade é um excesso de gordura corporal que freqüentemente causa significativo dano à saúde. Já há muito que é considerada uma doença pela OMS (Organização Mundial de Saúde), pois diminui a qualidade e a expectativa de vida do seu portador.
No Brasil 33% das mulheres e 13% dos homens estão acima do peso, e muitos sofrem das complicações da obesidade mórbida. As principais causas da doença são de origem genética, fatores ambientais, familiares e raciais, problemas psicológicos e psiquiátricos, drogas medicamentosas, distúrbios endócrinos e metabólicos, comer em excesso, comer rápido, comer mal e falta de exercício ou sedentarismo.
É uma doença em que há excesso de energia ingerida armazenada sob forma de gordura. O parâmetro mais utilizado para mensuração da obesidade é o Índice de Massa Corporal (IMC). A obesidade mórbida é estabelecida quando o IMC é superior a 40 kg/m2 (em média 45kg acima do peso ideal). O IMC é calculado pela fórmula: Peso (kg) dividido pelo quadrado da Altura (metros) = (kg/m2).
TRATAMENTO CIRÚRGICO
São variados os procedimentos cirúrgicos para o tratamento da obesidade grave, e os cinco mais freqüentemente empregados são a Derivação Gástrica em Y de Roux (inclui a cirurgia de Capella), a Banda Gástrica Ajustável, as derivações biliopancreáticas tipo Duodenal Switch e Scopinaro e a Gastroplastia Vertical com Banda.
A cirurgia promove o emagrecimento através da criação de um ou dois mecanismos: 1) A Restrição Alimentar e; 2) A Disabsorção Intestinal. No caso da restrição alimentar o reservatório gástrico que recebe o alimento é reduzido e, desta forma, a quantidade de alimentos sólidos a ser ingerida é limitada. Esta restrição pode ser em graus variados dependendo da técnica empregada.
Por outro lado, a disabsorção é obtida fazendo um desvio intestinal. Desta forma o alimento ingerido percorre um caminho menor no intestino delgado, o que diminui a absorção dos alimentos. As diferentes técnicas cirúrgicas utilizam um destes mecanismos isoladamente ou associados, em graus variáveis. A graduação da restrição ou disabsorção depende da técnica utilizada.
Há técnicas cirúrgicas que até permitem ao paciente manter um hábito alimentar liberal, dentro de um padrão considerado normal, podendo inclusive comer churrasco, e não comprometendo a perda de peso. Nestes casos a perda de peso geralmente é até mais acentuada que nas técnicas puramente restritivas.
Há serviços que realizam somente um tipo de procedimento, e outros que estão aptos a oferecer diferentes opções técnicas. O cirurgião deve escolher a técnica cirúrgica baseando-se principalmente na sua experiência, mas deve também levar em consideração os hábitos do paciente, aspectos psicológicos e a expectativa do mesmo.
Apesar da eficácia e relativa segurança da cirurgia aberta, observam-se índices significativos de complicações, principalmente relacionadas diretamente à abordagem cirúrgica (incisão), tais como hérnias incisionais e infecção de subcutâneo.
A cirurgia laparoscópica (cirurgia por vídeo ou popularmente chamada de cirurgia a Laser) revolucionou o tratamento de uma série de afecções digestivas baseada no princípio de mínima agressão, reduzidos índices de complicações, curto tempo de internação hospitalar, rápida recuperação e melhor estética.
As contra-indicações da cirurgia por vídeo são semelhantes às adotadas para cirurgia aberta. Durante qualquer cirurgia por vídeo, inclusive na obesidade, há a possibilidade de conversão para cirurgia aberta, sempre com objetivo de manter a segurança do paciente (como em casos de dificuldade técnica, limitação do campo cirúrgico ou falha de algum equipamento).
Fonte: (Portal Unimeds com informações da Editora Paulista - Via Unimed RP)
Conheça melhor as cirurgias para emagrecer

A obesidade possui diversas formas de tratamento. As opções se relacionam diretamente com o grau de obesidade, pessoas com IMC até 35 podem ser tratadas apenas pelos métodos tradicionais (dieta, exercícios, medicamentos e mudança de hábitos), desde que não tenham desenvolvido nenhuma co-morbidade, isto é, não possuam nenhuma doença que tenha sido provocada pela obesidade. Contudo, nos casos de obesidade mórbida e superobesidade estes métodos, isoladamente, já se mostraram pouco efetivos. Para estes casos a cirurgia é um tratamento comprovadamente eficaz na redução e manutenção do peso.
Veremos mais adiante que existem diversos tipos de cirurgia. E que devemos escolher qual procedimento trará melhores resultados para cada caso.
Veja quem está indicado para o tratamento cirúrgico
- Pacientes com IMC acima de 40;
- Pacientes com IMC acima de 35 que possuem co-morbidades médicas;
- Pessoas que não são dependentes de drogas ou álcool;
- Pessoas que não obtiveram sucesso em tratamentos clínicos anteriores;
- Ter uma obesidade que esteja estável nos últimos dois anos;
- Não ser portador de nenhuma doença ou condição que contra-indique a cirurgia.
Além disto, toda pessoa que pretende se submeter ao tratamento cirúrgico tem que estar ciente dos riscos e conseqüências que ela corre quando sofre uma intervenção cirúrgica deste porte.
É muito importante mencionar que a cirurgia não é recomendada por motivos estéticos. Essa é uma cirurgia radical, que pode ser definitiva e ter conseqüências nos seus hábitos de vida. Seu objetivo é tornar a vida do paciente mais saudável e mais longa.
Porque algumas pessoas optaram pelo tratamento cirúrgico contra a obesidade?
" Quero viver mais tempo... "
" Quero ter uma qualidade de vida melhor... "
" Poder amarrar os cordões do meu sapato... "
" Passear no Jardim Botânico... "
" Dobrar minhas pernas... "
" Arrumar um namorado... "
" Arrumar um emprego melhor... "
Quantos tipos de cirurgia existem?
Existem vários tipos de cirurgia que são divididas em 3 grupos. As equipes médicas, em geral, não têm predileção por nenhuma técnica. Realizam todas as técnicas, entendendo que devem adaptar a cada paciente um tipo de procedimento. Para isso, avaliam o perfil de cada paciente a fim de saber qual o melhor tipo de cirurgia para aquele caso.
Cirurgias restritivas
Neste grupo se destaca técnica que consiste em construir um pequeno reservatório no estômago (30 ml) que se comunica com o restante do órgão e que tem seu esvaziamento retardado por um anel, impedindo que se coma grandes volumes de comida. Esta cirurgia não impede a ingestão de líquidos, mesmo os hipercalóricos (que engordam) como sorvetes, refrigerantes, leite condensado etc.
Por este motivo é necessário grande colaboração do paciente para que os resultados sejam compensadores, por este motivo, esta técnica falha em 30% dos casos.
Esta cirurgia apresenta mecanismo de ação e resultados semelhantes àquela para colocação de banda gástrica, uma espécie de balão inflável, adaptada próximo à junção do esôfago com o estômago.
Cirurgias disabsortivas
Nestas operações um grande segmento do intestino delgado é excluído da passagem do alimento. O estômago pode ou não ser mantido intacto. Desta forma o alimento ingerido não é absorvido. Esta cirurgia permite grande perda de peso sem alterar muito a quantidade de comida ingerida. No entanto, esta técnica pode causar carências de ferro, vitaminas, proteínas e sais minerais, se não houver acompanhamento e reposição adequados.
Os médicos dizem que este tipo de técnica tem excelente resultado na perda de peso de pacientes superobesos e pacientes com compulsão alimentar.
Cirurgias combinadas
Nas técnicas combinadas há construção do pequeno reservatório gástrico, com anel, assim como a exclusão de um pequeno segmento intestinal. Nesta técnica, pode-se obter as vantagens das duas anteriores, com menores índices de complicações metabólicas (carência de vitaminas, proteínas, ferro e sais minerais) uma vez que o segmento intestinal excluso é menor. Esta cirurgia é a que se adota na maioria dos casos. Quando a pessoa se alimenta, o reservatório do estômago se enche rapidamente, mandando um sinal ao cérebro que interpreta como saciedade, ou seja, come-se pouco, mas parece que comeu muito.
O paciente deverá aprender a mastigar muito bem o alimento e ingeri-lo lentamente. Se comer rápido e pedaços grandes, o alimento não vai passar pelo anel e o paciente vai vomitar. Além disso, se a pessoa “abusar” dos alimentos calóricos líquidos sentirá mal-estar, tonturas e diarréia. Este quadro é chamado de Síndrome de Dumping sendo decorrente da passagem rápida de alimento rico em carboidratos para o intestino. A presença destas manifestações ajuda a inibir a ingestão destes alimentos.
Existem outras opções?
Além das cirurgias descritas acima, os médicos também trabalham com uma técnica conhecida como Balão Intra-Gástrico .
Este tratamento é temporário, podendo ser usado por no máximo 6 meses, nos pacientes super-obesos que precisam perder peso no período pré-operatório, otimizando a sua recuperação no pós-operatório. Também pode ser utilizado nos pacientes com um risco cirúrgico proibitivo para a cirurgia ou nos pacientes que não são candidatos a cirurgia e que necessitam perder peso. Esse tratamento é para ser utilizado com uma dieta supervisionada, associada a um programa de mudança de hábitos de vida. O balão é colocado por endoscopia e o procedimento dura em média 30 minutos.
Outra opção futura e ainda em estudos é o marca-passo gástrico , tal dispositivo ainda não esta disponível no Brasil, mas trabalhos mostram bons resultados em curto prazo, ficando a perda de peso em torno de 30% do seu excesso.
Balão Intra-Gástrico - O que é?
Uma alternativa ao tratamento cirúrgico e clínico da obesidade é o método endoscópico da colocação de um balão intra-gástrico (dentro do estômago). Por meio de endoscopia coloca-se um balão de silicone com cerca de 600ml de líquido dentro do estômago. Em nenhum lugar do mundo, essa técnica é utilizada como método definitivo de tratamento da obesidade mórbida já que sua utilização é temporária.
Como funciona?
Em virtude da presença do balão no estômago, é necessário menor quantidade de comida para que o indivíduo sinta saciedade.
Vantagens:
Não necessita de cirurgia nem anestesia, resultando em recuperação muito rápida. Em caso de desconforto severo pode ser prontamente retirado. Pode servir como uma experiência para o paciente que tem dúvida de como se comportaria com uma cirurgia.
Desvantagens:
Não é um método recomendado como tratamento definitivo da obesidade mórbida, pois tem duração de tratamento de seis meses, tempo após o qual precisa ser obrigatoriamente removido. Geralmente esse período não é suficiente para que o indivíduo emagreça a quantidade que deseja. Pode ser aplicado como alternativa para reduzir o risco das cirurgias e preparo para o procedimento já que, com a redução do peso haverá também melhora das comorbidades. Estimativa de emagrecimento de 10% a 15% do peso.
Considerações Importantes para Todas as Cirurgias da Obesidade
- A cirurgia de perda de peso não é uma cirurgia cosmética.
- A decisão de escolher o tratamento cirúrgico exige uma avaliação dos riscos e benefícios e do desempenho meticuloso do procedimento cirúrgico adequado.
- O sucesso da cirurgia de perda de peso depende de mudanças em seu estilo de vida para sempre, como dietas, exercícios físicos e mudança de comportamento.
- Podem surgir problemas após a cirurgia, o que pode levar a uma nova operação.
- Em uma pesquisa com cerca de 10.000 pacientes, o índice de mortalidade para a cirurgia da perda de peso foi de 0,3%.
O Que Define o Sucesso da Cirurgia da Obesidade?
Um estudo recente determinou o seguinte critério: a habilidade de conseguir e manter o peso em no mínimo 50% do excesso de peso sem ter efeitos colaterais substanciais.
Recursos Adicionais ao Paciente
As informações apresentadas aqui mostram apenas uma visão da cirurgia de perda de peso e não representam todos os procedimentos utilizados neste tipo de cirurgia. Somente um profissional qualificado pode oferecer informações adicionais sobre a cirurgia de perda de peso.
Fonte: www.obesidademorbida.med.br
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