Divagações sobre Segurança Pública
As análises sobre segurança pública na grande
mídia, via de regra, são um festival de clichês
esquerdistas e demagógicos, que servem apenas para esconder
o despreparo e mentiras que envolvem as políticas oficiais
para a área. As
preocupações com a Segurança Pública
sempre ganham destaque quando fatos dantescos ocupam as telas
da TV ou preenchem espaços nas páginas dos jornais
e revistas. Assim foi no caso da ação de marginais,
narcotraficantes, no ataque com requintes de selvageria, ao ônibus
da linha 350, Centro-Irajá, incendiado na noite de 30/nov/2005,
com cerca de 30 passageiros a bordo, tendo morrido 5 passageiros,
entre os quais uma menor. A reportagem, desdobrada em vários
dias, envolveu em seu curso um quadro das usuais suposições
que marcam as matérias que possuem aspectos dúbios
a serem explorados, com emprego dos típicos "suposto",
"supostamente" e termos do gênero.
As
ressalvas que faço aos trabalhos de sociólogos e
estudiosos, praticamente sem experiência de trabalho de
campo, reunidos em Centros de Estudos de Universidades, criados
há apenas alguns poucos anos e dedicados à implantação
de (teóricas) Políticas Públicas, é
de natureza pessoal e prática na área de Segurança.
Donos
de títulos pomposos e de acesso fácil à mídia,
agentes de influência naturais, quase sempre com definidos
traços de posicionamento ideológico, típicos
dos "intelectuais orgânicos", donos da inconteste
"verdade social" de tom progressista e revanchista,
costumam influenciar a massa, criando situações
de acordo com seus interesses. A
forma de se expressar e o linguajar destes estudiosos, e da mídia
que os apóia, têm aspectos característicos
e tendem a transmitir para o imaginário dos leitores versões
dos fatos, não raro tendenciosas e, com o tempo, perigosas.
Exemplifiquemos. Considerando que:
-
Estes Centros de Estudo ou órgãos semelhantes têm
um estereótipo definido a respeito da Polícia e
da ação policial, vista como violenta e arbitrária,
o que pode até ter suas razões de ser, com raízes
históricas que vão além de meados do século
passado por erros que repousam muitíssimo mais nas esferas
políticas civis, em seus vários níveis, do
que nas esferas policiais estaduais e federais, estas sempre atadas
aos interesses daquelas;
-
Há uma vesga tendência em atribuir à estrutura
policial um procedimento herdado no bojo do sistema coercitivo,
nascido no combate ao terrorismo, hipótese ideológica
formulada por acadêmicos civis, jamais embasada em debates
francos com especialistas civis e militares, com vivência
nas áreas de Inteligência, Contra-Inteligência
e Segurança Interna, quer no âmbito do SISNI (Sistema
Nacional de Inteligência), quer no âmbito do SISSEGIN
(Sistema de Segurança Interna);
-
Os confrontos violentos entre marginais, supostos ou não,
e Policiais ocorrem, em sua quase totalidade, próximos
ou em áreas de risco de possíveis confrontos, definidos
ou suspeitos sendo, portanto, objeto de alguma vigilância
pelas forças de Segurança Pública;
-
Estas áreas de risco normalmente servem de abrigo a facções
de marginais, supostos ou não, e não raro estão
próximas de familiares ou pessoas relacionadas com os mesmos;
-
É normal que estas áreas sejam dominadas por uma
facção criminosa, ou sejam palco da disputa entre
facções;
-
A mídia tem apresentado, há muito tempo, fotografias
e filmes de adolescentes ou não, portando armamento de
grosso calibre (revólveres, pistolas, carabinas, metralhadoras
de mão) em várias destas áreas;
-
Tem sido quase norma as reportagens apresentarem, após
a ação policial, havendo ou não vítimas,
o testemunho de moradores locais sobre as ocorrências;
-
Quando há vítimas é usual os conhecidos ou
familiares de feridos ou mortos, acrescerem o rol de testemunhos,
em princípio criticando a atuação da Polícia,
e a expressão "a polícia chegou atirando para
todo lado" já é clichê ;
-
Certos jornalistas bem conhecidos por seus vieses revanchistas,
ligados ou não às
organizações marxistas, chancelam as reportagens
ou matérias que difundem o pensamento destes Centros, tais
como o Caco Barcelos, o Élio Gaspari e outros.
Do
exposto, é natural que: O
repetido noticiar pela mídia e o tom de suposição
criado nos confrontos entre policiais e prováveis meliantes,
em áreas sujeitas à prática de ações
ilícitas, quando a ação policial é
tipificada e clara e as de seus oponentes é a de "supostos"
agentes de atos ilícitos, tendem a criar no imaginário
do leitor ou do ouvinte a dúvida a respeito da licitude
da ação policial, gerando, em conseqüência,
as mais variadas ilações exploradas pela mídia.
Assim,
todo Sistema de Segurança Pública é atingido
pela suposta aderência à prática de violência
e todo policial é nivelado pelo mau uso da autoridade.
Ao
mesmo tempo, cria-se a imagem de que o marginal é pobre
e sempre ou quase sempre é pessoa de cor, desempregado,
morador dos núcleos desassistidos, vítimas da sociedade
burguesa. Esquecem
que a grande maioria destas áreas é composta de
gente ordeira e que os governos dos partidos ideológicos
(PT, PCB, PC do B e outros), os populistas e as ONGs de fachada
social nada ou quase nada fizeram e fazem para apoiá-las
de fato. Quando governo, só adotam medidas paliativas.
Na
realidade a constatação da maioria ordeira existente
nestas áreas e seus "porquês", sempre foi
menosprezada nos estudos e nas pesquisas de cunho sociológico,
não merecendo a devida atenção dos exploradores
ideológicos da miséria, marxistas e padrecos das
CEBs. As
tais políticas públicas visam as conseqüências
muito mais que as causas e só se reavivam nas épocas
eleitorais. Quem
se lembra quando a Segurança Pública foi impedida
de subir os morros no Rio? Quem se digna a afirmar que o PT implantou
algo de bom na Segurança Pública aonde foi governo?
Quem ousa afirmar que agora, envolvido como está com a
corrupção e a malversação dos dinheiros
públicos, fará algo? Quem ousa afiançar que
o clima de violência pode diminuir ante a escalada da falta
de autoridade moral congênita do chefóide do governículo
federal, Luis Inácio Lula da Silva, seus ministrículos
da Justiça e da Defesa, defensores do brasílico-cubano
Zé Dirceu? Não
tem razão o brasileiro, ao pedir que o Presidente fale
pelo menos uma vez a verdade? Se ele nunca falou a verdade, como
irá falar sobre o que não sabe? E mesmo que falasse
quem acreditaria? Eu? Nunca!
Observação
- elementos que assessoraram ou participaram das Comissões
de Direitos Humanos, a meu ver, não possuíam cabedal
para os assuntos de Segurança aqui abordados.
por
José Luis Sávio Costa
Colaboração:
Leo Medeiros