Edição 0113 - 24 de Março de 2006
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Não considero que a missão do Exército esteja cumprida, estaria cumprida se os autores do delito estivessem presos e respondendo à Justiça. Estaria cumprida também se a recuperação das armas - se é que foram as mesmas, estou no aguardo do Laudo Técnico-pericial - e a prisão dos meliantes tivesse sido realizada pelos órgãos de segurança constitucionalmente e erroneamente designados. A presença do Exército nos morros somente mostrou a falência total do Estado, que deixou de ter competência para realizar sua missão: levar a segurança pública a todos os cidadãos. O problema da segurança no Brasil chama-se impunidade, é a certeza de não ser punido. O da corrupção, política em especial, apenas uma fatia". (Gerhard Erich Boehme)

A partir de 2002 comecei a estudar o tema e as distorções que vivemos no Brasil, em especial relativas a Polícia Judiciária. Minhas convicções foram reforçadas depois de assistir à Aula Magna proferida pelo Procurador-Geral da República, professor Cláudio Fonteles, quando vi-o também denunciar umas das principais distorções que, segundo o meu entendimento, temos no Brasil. Esta Aula Magna foi transmitida pela TV Justiça e foi gravada no Auditório do Supremo Tribunal Federal, em Brasília. O Procurador falou brilhantemente sobre "O Ministério Público e a Investigação Criminal".

Sobre esta questão da criminalidade, sou extremamente céptico, especialmente no momento em que as estatísticas internacionais apontam que mais de 10% dos homicídios cometidos no mundo ocorrem no Brasil. Vale lembrar que a população mundial já ultrapassa os 6 bilhões de pessoas e os brasileiros não representam 10% da população mundial, portanto estamos muito acima da média. Sou céptico, pois os políticos de plantão a administram com incompetência, só gerando injustiça e impunidade. Veja o caso da Reforma do Judiciário, nem ao menos se discutiu “por alto” a grave distorção que temos no Brasil no que se refere a Polícia Judiciária, ela mesma, que é responsável pelos primeiros passos da justiça, principalmente nos caso mais graves, como a criminal.

Vamos a questão da segurança pública:

Deformação histórica

A Polícia Judiciária no Brasil é resultado de uma deformação história, é provincial (Estados da União) e política (comandada pelos políticos de plantão), quando deveria ocorrer como em qualquer país democrático: nacional e jurídica. Quando menciono a Polícia Judiciária, estou mencionando as Polícias Civil e as Polícias Técnico-científica. O problema da segurança no Brasil chama-se impunidade, é a certeza de não ser punido. O da corrupção, política em especial, apenas uma fatia.

Mas quais são as causas?

A questão da segurança pública deveria ser uma das nossas principais prioridades no momento, seja pelo desperdício de recursos materiais e vidas humanas, seja pelas conseqüências que a cada dia mais nos afetam, principalmente pelos exemplos que nos chegam através dos noticiários, como de um Batalhão do Exército ou da Aeronáutica ser "assaltado" ou um grupo de políticos ligados diretamente ao Presidente formarem uma das maiores pandilhas de toda a história brasileira. Inacreditável... ... uma situação que não nos passaria pela cabeça alguns anos atrás. O Presidente Lula estrategicamente vinha se esquivando desta questão, de olho nas futuras eleições e assegurar a sua impunidade, não queria se ver envolvido ou ter sua imagem associada ao segundo maior problema dos brasileiros: a segurança pública. Optou por transferir responsabilidades.

Transferência de responsabilidade

Logo no início do seu mandato, Lula patrocinou uma ofensiva de mídia anunciando medidas do governo para a Segurança Pública. Dentre elas estavam a construção de dezenas de presídios federais; a criação de um cadastro único da bandidagem, integrando os sistemas de informação das polícias de todo o país; a criação de uma força nacional de segurança, composta por policiais destacados das polícias militares estaduais e o repasse de verbas para os governos estaduais reequiparem e treinarem suas polícias. Para variar, quase nada do discurso de Lula virou realidade. As verbas federais para a área estão contingenciadas, e o pouco que foi feito não é percebido pela população, pois não tem visibilidade midiática e, o que é mais importante, não está exercendo efeito prático e nem produzindo resultados perceptíveis à população, em termos de melhoria da situação da Segurança Pública no país.

O problema da violência e da insegurança, que já era sério, se agravou ainda mais sob o governo de Lula e dos atuais governadores estaduais e, para desespero de todos os governantes que sonham com a reeleição, será um dos pontos centrais da agenda eleitoral de 2006. Isso ficou claramente evidenciado e catalisado pelo recente referendo sobre o comércio de armas e munições. Pior para os políticos de discurso fácil, depois da decepção com Lula os eleitores estão críticos, exigentes e pouco afeitos a se deixar engambelar por simulacros publicitários em substituição ao compromisso com projetos sérios para resolver os problemas reais da população. Apresentar propostas consistentes para esse e outros problemas, portanto, é um desafio dos eleitores aos pretendentes ao poder em 2006. Ter estado no governo sem avançar soluções para demandas como a da segurança Pública certamente contribuirá para dificultar a reeleição dos atuais governantes, notadamente de Lula. Afinal, se estiveram no poder por quatro anos e não fizeram, por que lhes dar nova chance?

E como Lula estás lidando com sua fatia do problema? Bem ao estilo petista; transferindo responsabilidades. Nas entrevistas que concedeu recentemente Lula fez questão de afirmar que a maior parte dos problemas da Segurança Pública, existentes no país, é, por determinação constitucional, atribuição dos governos estaduais resolver. Mentira! Os governos estaduais e municipais têm suas culpas, mas os grandes problemas relacionados à Segurança Pública no país hoje estão ligados ao crime organizado, tráfico de drogas e armas, contrabando, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, controle de fronteiras e crimes correlatos, todos eles da área afeta às responsabilidades do governo federal. Quando PT governava Porto Alegre, culpava os governos estadual e federal pela insegurança pública. Quando chegou ao governo do estado do RS, passou a culpar o governo FHC e a globalização pela violência e insegurança. E agora que chegou ao governo federal, Lula transfere suas responsabilidades sobre a insegurança pública e a violência para os governadores. Se tiver que encarar as urnas com esse lero-lero, terá mais um sério problema com os eleitores, não bastassem todos os outros que já criou para si e para seus correligionários.

O problema da Segurança Pública é grave, profundo e abrangente. Requer investimentos em políticas sociais e em soluções técnicas adequadas em todas as esferas de ação e atribuição do Estado, envolvendo os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em âmbito federal, estadual e municipal. Ainda que requeiram tempo, as soluções existem. Mas, dependem de pesquisa científica, projetos sérios e planejamento. Seriedade e trabalho senhores candidatos! Os eleitores de 2006 aguardam suas propostas para decidir em quem votar.

TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE: LULA FOGE DA SEGURANÇA PÚBLICA

Imaginem então o cidadão comum, ainda mais agora, quando esta prestes a perder o direito sagrado de defender sua vida impedido pelos políticos de plantão através do chamado "Estatuto do Desarmamento". Uma questão polêmica, eu sei. Não sou defensor das armas, mas do direito de qualquer um usá-la de forma responsável e atendendo aos requisitos legais, em especial por ver um princípio Constitucional ser respeitado: o da igualdade de todos perante a lei.

A importância do debate

Este debate faz-se necessário e urgente pois se nos mantivermos calados estaremos concordando com tudo que hoje se discute. em especial a intervenção da Polícia Federal nos trabalhos das Polícias Estaduais. Veja o exemplo dos Protestos do Greenpeace no caso da irmã Doroty Stang. Devemos ter uma posição firme sobre o segundo maior problema nacional depois da educação básica. A educação básica é seguramente o primeiro, pois o brasileiro não encontra os meios necessários para desenvolver suas potencialidades, incluindo as ações necessárias para firmar conceitos e valores que possam minimizar os efeitos na área da segurança pública, e a questão da impunidade. Este tema vem sendo alvo de discussão, os posicionamentos e questionamentos estarei apresentando na seqüência.

Cenário nacional

Na diretriz de qualquer proposta para não permitir que a criança ou adolescente entre para a criminalidade e para o combate à criminalidade devemos considerar o perfil sócio-econômico e político do país e certamente encontramos um país repleto de contrastes com a uma significativa concentração de renda, assim as propostas de melhorias para a segurança pública tem que se calcarem nessa realidade, pois não podemos deixar de acreditar que não seja vontade política de nossos governantes a redução das ocorrências criminais e principalmente no tocante à sua gravidade e é nesta característica que fica difícil copiar modelos de outros países, pois até conceitos do que seja crime podem sofrer variações, sem contar o espírito paternalista brasileiro que no afã de querer corrigir todas as injustiças, criamos mais leis criminalizando cada vez mais o cidadão brasileiro e comprometendo a eficácia do judiciário pela maior carga de trabalho, normalmente desnecessária, pois a sociedade conta com outros meios para resolver muitos de seus problemas. Resultando no seu jargão: Essa lei não saiu do papel... ... ou Essa lei não pegou... Essa lei pegou, pegou pois interessa uma parcela da sociedade politicamente influente e articulada ou é do interesse de quem detém poder econômico ou poder político.

A justiça não pode ser administrada desta forma! Falta Gestão!

Duplicidade de esforços

O modelo brasileiro de segurança pública é calcado em duplicações e variantes de instituições policiais, cheios de entraves, impedindo ou desestimulando ações e o resultado prático é visível, com o constante aumento da criminalidade, do crime organizado e da impunidade. É fácil exercitar o que foi dito: O cidadão chama a polícia por um telefone de três dígitos e muito constantemente ao invés de ter sua “missão cumprida”, se depara com um diálogo que muito constantemente o faz desistir; não é aqui, é outro órgão, é outra polícia, etc. ; apenas por fatos como este se denota com a necessidade de centralizar-se um Serviço de Atendimento ao Cidadão, com os devidos “links” com outros órgãos, policiais ou de controle/fiscalização; o que interessa é que o cidadão está participando ou tentando participar, consciente ou inconscientemente para um programa de “Tolerância Zero”.

Diante de tantas nuances na organização policial/fiscal fica difícil, para qualquer um (mesmo aos iniciados), saber onde recorrer. Ainda mais os mais ignorantes que nem ao menos sabem o papel da Polícia Civil ou da Polícia técnico-científica ou nunca entraram em uma Delegacia.

Na ilustração da dificuldade de iniciados entenderem, de órgãos competentes serem envolvidos e na contribuição cidadã podemos citar um exemplo prático: os crimes sobre a moeda, são federais, de competência da Polícia Federal, mas quem os detecta, atende e abre procedimentos policiais é na quase que totalidade dos casos são as Policias Civis Estaduais e invariavelmente acionam os Institutos de Criminalística Estaduais é o exemplo que a duplicidade não funciona, pois não é difícil imaginar como seria difícil envolver a Polícia Federal se todos sabemos que ela não está em todo lugar, principalmente no ponto de vista pericial, não custa nada imaginar o tratamento de outros crimes federais como ambientais, nas rodovias federais, nos quartéis, nas Caixa Econômica etc. Seria a solução engordar o contingente federal, para cobrir todo o território nacional, duplicando contingentes específicos em todo o país ou seria mais inteligente, próprio, econômico e racional haver convênios com os Estados da Federação?

Colocar em prática princípios federalistas

Não estou sugerindo acabar com a Polícia Federal, estou apenas observando que a Polícia Federal tem o seu lugar de destaque poderia estar em patamar diferenciado, junto com o Ministério da Segurança Pública, provendo recursos para os Estados, fazendo convênios, requisições de serviços, especificações gerais, definindo curricula etc, funcionando como mais como uma Agência Reguladora e ligada a órgãos de inteligência, “terceirizando” a atividade policial com os Estados, com a função também fiscalizadora ou de intervenção, haja vista que é quem estaria pagando a conta, em todo ou em parte, do sistema de segurança (nacional). Como se espera que o país, com dimensões territoriais semelhantes aos Estados Unidos, mas com situação econômica similar a paises africanos tenha uma Polícia Federal ao modelo do FBI? E por sinal, será que o FBI funciona de forma eficaz e sem conflitos e ciumeiras nas investigações?

No sistema da Segurança Pública temos:

Polícia Técnico-científica (Institutos de Criminalística – Peritos Criminais e Instituto Médico Legal – Médicos Legistas e respectivas equipes) Esta Polícia é aquela que examina o local, é a que deve encontrar o local preservado para que possa realizar os exames necessários e colher provas materiais, no caso o local e o corpo da missionária ou no caso do Ratinho, o local, seu veículo e o corpo de seu amigo/empregado. No Estado de São Paulo e alguns outros Estados ela é desvinculada da Polícia Civil ou Judiciária. Na sua função de materializar provas, requer independência plena para não vir a sofrer influencias de outros órgãos policiais ou políticos, tem que ser visto como prestador de serviços, idôneo, com capacitação e competência, agindo sobre sistema de requisição de serviços/exames e trabalhando ombro a ombro com as autoridades encarregadas no deslinde de um crime.

Convênio não é apenas uma boa sugestão é a solução, pois viriam de maneira apropriada a regulamentar, não só as requisições de serviço a atuação do Perito Criminal, permitindo a centralização de orientação técnica (treinamento), regionalização e distribuição racional e efetiva de recursos, tanto materiais como humanos o que seria a efetiva otimização de recursos, distribuindo-os com a efetiva necessidade. Não é demais lembrar que alguns equipamentos necessários para perícias custam alguns milhões de dólares e todos sabemos que é preciso massa crítica para justifica-los e/ou mantê-los operacionais. Como a Polícia Técnico Científica é composta de Instituto de Criminalística e de Médico Legal, devemos sugerir que este último tenha sua abrangência de suas especialidades ampliada, por exemplo, com a medicina animal.

Quando falamos da impunidade, estamos alertando para o fato de que sem recursos de pessoal capacitado e equipamentos, por exemplo, a Polícia Técnica se encontra impossibilitada de reunir provas necessárias para incriminar este ou aquele marginal.

Polícias Militares

Tem uma estrutura muito bem definida e abrangente e está perfeitamente estruturada para atuar até como Guarda Nacional, nas ocasiões de conflitos ou motins e nas suas atividades de policia preventiva e ostensiva e desempenha-se muito bem, acredito em todo o território nacional, inclusive nas atividades de apoio a outras polícias.

A Polícia Judiciária (chamada indevidamente em muitos Estados de Civil)

Com a função de repressão ao crime tem a função precípua de investigar crimes e a execução de mandatos judiciais de busca e captura. É uma polícia formada de Delegados e outras funções e é composta de delegados, pois estes recebem delegação e SMJ da Justiça, assim já temos, com alguma boa vontade um juiz de instrução em cada cidade deste país, faltaria apenas um órgão fiscalizador e/ou representante do MP.

Outras polícias

São todas aquelas entidades que se confundem nas atividades de fiscalização ou vigilância e tem e devem ser amparadas em suas ações, quando necessário, por entidades de poder de força para o desempenho de seus objetivos sociais, por exemplo um vigia de obra que na calada da noite vê um ato com características criminosas tem que contar com uma entidade de caráter policial (força) para agir na repressão, idem no caso de fiscais Municipais, por exemplo no combate aos comércios clandestinos, independente de produtos em descaminho (federal), há o prejuízo local da sonegação do ICMS e outros impostos, idem a outras atividades fiscalizadoras, sejam elas ao nível que for, como a saúde dos portos, fazendárias ou de alfândegas. A diferença dessas entidades para as Guardas Municipais é que esta tende a ser armada e o seu nicho é a municipalidade, agindo na repressão de atos outros e lesivos às finanças da municipalidade e poderia também abrigar a guarda escolar e a tão citada guarda de quarteirão. Um país com as condições territoriais do Brasil e com o seu perfil econômico e social não pode dar-se ao luxo de ter uma polícia que trabalhe em camadas incompletas, a organização para atender as necessidades deste país tem que ocorrer em fatias de especialidades, profissionais, com uma distribuição corporativa, como nas empresas multinacionais e nada impediria que politicamente funcionasse no modelo atual, com secretários de segurança nos estados, funcionando como gerentes da gestão de segurança e atuando e/ou participando em todas as fatias de combate a crimes, como drogas, descaminhos, fronteiras, portos, rodoviárias etc., com “over laps” desejáveis e com visão holística.

A falácia da integração das polícias realizadas pelos políticos

A integração vem sendo discutida e posta em prática pelos políticos de plantão, principalmente para não investir no setor e sim continuar na prática clientelista própria dos governadores. A mudanças constantes não permitem que os órgãos planejem, executam, controlem suas ações com eficácia. Neste ponto as diretrizes políticas que se alternam a cada quatro anos ainda agravam os problemas e não permitem a constância dos propósitos, inovação e melhorias sejam realizadas. Sem contar que facilmente podem ser colocadas não a serviço da justiça, mas sim de quem, naquele momento, detêm o poder político.

Integração com universidades

Uma grande vantagem de um sistema integrado (ou único) é a otimização dos recursos e a oportunidade de bons funcionários destacarem-se em suas atividades, em nível nacional e na sua carreira; não há o porque da organização procurar um perito em alguma Universidade, pois certamente a organização terá todos os melhores peritos (do mundo) disponíveis, mesmo que este perito tenha que recorrer a algum órgão ou especialista em alguma Universidade.

Corrupção

De certa forma já tivemos a oportunidade de trabalharmos assim; no tempo da repressão os policiais dos estados, em vários níveis, inclusive periciais, prestavam serviços à Policia Federal e algumas aberrações que possam ter vindo à baila, ocorreram pela falta de uma agência reguladora, que entendemos ser urgente a necessidade de sua criação. A corrupção é um fato que tem obstruído em muito as reformas em nosso país e rotulam-se as polícias como o retrato da corrupção, mas na realidade temos visto que a corrupção está presente em todas a atividades (públicas ou privadas) e é o grande mal de nosso país, ocorre entretanto que as polícias possuem corregedorias que costumam trabalhar com bastante rigor na punição de infratores, muito embora não esteja livre de influências naturais do espírito de corpo.

O policial, de forma geral é mais visado, trabalha mais junto ao povo e de forma freqüente em situações de stress (cabeça quente) e na nossa cultura, com “pavio curto”, e a imprensa se encarrega do tempero para a degustação social e faz mais uma vítima da falta de treinamento profissional, ainda por conta da imprensa há o clamor pelo aumento de penas e nunca chega a abordar os aspectos de qualidade das penas e alimenta distorções que não cabe aqui discutirmos, freqüentemente o policial é exonerado, perde seus direitos, inclusive de aposentadorias e outras carreiras o que perdem?

Um funcionário público não pode receber presente acima de certo valor, mas qual a ênfase do fato quando um presidente da republica recebe cavalos de presente? E quando isto ocorre qual é a mensagem que passa ou há alguém (além da imprensa) que tenha mais poder de fazer opinião publica que um presidente da república?

Das propostas desastradas

Mais uma vez a força da mídia chega para conturbar um assunto técnico que não pode ser tratado por leigos, como as aberrações propostas:

usar a polícia federal para os casos em que a atribuição é clara da polícia civil e técnico-científica;
usar o exército na segurança é sem dúvida a maior das discrepâncias;
juntar as polícias militar e civil teria o aspecto do conflito de corpo, mas juntar os elementos administrativos como corregedorias, hospitais, departamentos de compras, departamentos de pessoal, obras, formação, treinamento e rádio/comunicação só, traria benefícios, mantendo-se nas entidades os elos de ligação como RH, o planejamento e outras interfaces. Uma sistemática administrativa como esta evitaria duplicações importantes, e permitiria a assimilação da necessidade eventual de criação de uma nova polícia ou a independência de um determinado setor, como por exemplo a própria Polícia Técnico-cientifica, num ato simples resultaria em conflitos administrativos mínimos e assim cada polícia atenderia as atividades relativas às suas vocações.

Acrescentando às propostas que o Prof. Ubiratan nos apresenta no artigo abaixo, podem ainda ser analisadas as seguintes propostas plausíveis e urgentes:

a) A criação de juizados de instrução não seria difícil de aplicar, haja vista haver Delegados de polícia (judiciária) na maioria dos municípios deste país;

b) Criar uma Agência de Segurança Publica, aproveitando os atuais dirigentes da Policia Federal e destaques das Policias Estaduais para compor a sua coordenação;

c) Unificar as Policias Técnico-cientificas (Nacional), provendo assim de laboratórios de referencias;

d) Unificar os arquivos de identificação criminal e de RG’s, de forma a impedir que uma mesma pessoa seja portadora de vários Registros, permanecendo “limpo” em algum estado enquanto com extensas fixas em outros.

Estabelecer qualidade de penas em que o infrator tenha o verdadeiro “in-site” de sua atitude desviadora e que no caso de penas privadoras da liberdade o sejam de forma que o infrator sinta falta da liberdade e às favas aqueles que falam em necessidade de aumentar penas, esquecendo-se de quem as custeia (o povo) e sem procurar situar-se, mesmo em imaginação, em exílio social. Devemos consignar que há casos que a delinqüência ocorre por questões de saúde mental e devem ser tratados convenientemente. Finalmente dotar o salário do policial com padrões adequados à dignidade de sua função, evitando que o mesmo tenha que recorrer a jornada dupla ou tripla de trabalho para ter um pouco de dignidade. Finalmente dotar o salário do policial com padrões adequados à dignidade de sua função, evitando que o mesmo tenha que recorrer a jornada dupla ou tripla de trabalho para ter um pouco de dignidade.

Ou nos mobilizamos e nos posicionamos a respeito, ou seremos alvo da criminalidade que aí está agindo impunemente devido a desorganização e politização do setor levado a termo na maioria dos Estados. Tivemos no Paraná o nosso polêmico-governador assumindo a Secretária durante meses a fio, no Rio temos a figura despreparada do ex-Governador Garotinho, em São Paulo o Governador se esquivando dos principais problemas e não fornecendo os recursos necessários para a realização de suas atividades e em muitos Estados a questão de Segurança Pública sendo tratada segundo os objetivos dos políticos de plantão. No Pará o problema certamente não é o mais grave, lá os profissionais policiais são remunerados com mais dignidade. E o pior: aqueles que lutam pela justiça social, sem conhecimento de causa, somente a criticam ou desmoralizam-a ainda mais.

Concordo que é preciso mudar o sistema, não só através de políticas públicas que sejam eficientes no combate à marginalidade, mas que haja mais ética na polícia e na sociedade em geral. Precisamos proteger nossas crianças e promover seu pleno desenvolvimento.

Dois anos atrás desenvolvi um Curso voltado à criação, ou melhor, a efetiva implantação e implementação dos CONSEG – Conselhos Comunitários de Segurança. A conclusão que cheguei é de que as lideranças políticas, religiosas, empresariais, representantes das instituições de ensino e as sindicais não estão nada preocupadas com o que é hoje o principal problema brasileiro, depois da falta de educação básica. A falta de segurança e o aumento da impunidade não é problema deles. Pior ainda é a posição do brasileiro, desprestigia a educação e a segurança. Tanto isso é verdade que durante o FSM nada foi mencionado a respeito. Se a missionária tivesse sido assassinada antes, teria sido o principal tema do evento. Aliais algo que deveria ser também objetivo de todos que lutam por mais justiça social e respeito à Lei. Quanto ao aumento da criminalidade entre os jovens, e o conseqüente aumento da população carcerária, as causas são que o Governo está deixando de cumprir com seu papel, prioritariamente voltado à educação básica, à segurança e à saúde, etc. passa a expor parcelas da população, que são mais vulneráveis, aos problemas sociais, a criminalidade em especial.

Segurança pública em uma sociedade democrática

A criminalidade vem crescendo no Brasil e no mundo, com a exceção de uns poucos países. Aumenta, conseqüentemente, a preocupação com essa patologia social. Procuraremos analisar, a seguir, algumas sugestões inadequadas para a solução do problema e diferentes tentativas de organizações destinadas a preservar ambientes de segurança, paz e ordem. Locke já nos alertava sobre a importância da segurança como responsabilidade pública, principal função do Estado na teoria democrática do estado. Um cidadão vitimado por um marginal não está interessado nos bons hospitais e escolas públicas ou na eficiência da previdência social pública, e menos ainda no prestígio e na segurança conferidos ao país pelas Forças Armadas. Primeiro ele quer sua vida e sua integridade física e patrimonial protegidas, e depois a execução de outras funções públicas. Piora nas cidades do mundo a segurança, embora se constate reversão parcial em algumas cidades americanas. Na Argentina, a criminalidade chegou a crescer 300% em Buenos Aires nos últimos anos; aumentou até na Europa tradicional, local de paz pública, onde há algumas décadas a polícia britânica andava desarmada. A grande violência no século XX foi a política, praticada nas guerras mundiais e nos genocídios estatais. Quando não havia guerra o cidadão desfrutava de uma tranqüilidade desconhecida até então na história.

O aumento da criminalidade em nossa época seria uma ilusão de ótica, gerada pela multiplicação de normas, ou seja, pela nossa exigência maior de tranqüilidade e pelas características perversas da sociedade em que vivemos. A nossa literatura acadêmica ainda repete isso. Mas já em 1985 Ralph Dahrendorf, em seu profético livro A Lei e a Ordem (traduzido e publicado pelo ILRJ em 1997), nos indicava estarmos no caminho da anomia, ao apontar (1) a impunidade geral caracterizada pelo crescente número de delitos sem a reação das autoridades. Ou, o que é mais grave, (2) o fato de que a maioria dos pequenos delitos e alguns dos grandes são praticados por jovens que não são punidos.

Depois, (3) apontava as áreas de exclusão que, apesar de negadas pela polícia, sabemos existir em todas as grandes cidades. Em conseqüência, aumentaram os sistemas privados de vigilância e polícia no primeiro mundo. Outro indicador (4) da impunidade e da anomia é a impossibilidade de se aplicar a lei; cada dia mais grupos depredam, invadem propriedades, prendem pessoas e autoridades em cárcere privado e “desafiam o processo de imposição de sanções, que se dirige a indivíduos e pequenos grupos identificáveis”(Dahrendorf, op. cit., p.35). Os dados preocupantes de Dahrendorf são reforçados pelo sociólogo Zygmunt Bauman, em Globalização - As Conseqüências Humanas (Zahar, Rio de Janeiro, 1999): dois por cento da população americana e da russa estão na prisão, em seus respectivos países; até em países pacatos, ricos e reticentes na imposição de penas de prisão, como a Noruega, a proporção de prisioneiros subiu de menos de 40 (nos anos 60) por 100.000 habitantes para 64 agora (em 97, quando escrevíamos o livro). Na Holanda e na Inglaterra precisa-se de uma nova prisão a cada semana (Bauman, op. cit., p.123).

Outra conseqüência são os contínuos motins e rebeliões em presídios em todo o mundo e a impunidade dos crimes ali praticados. Bauman extrai a conclusão de que como o problema é geral, não é causado por políticas públicas particulares a um país. Mas é óbvio que a solução deverá, como em Nova Iorque, basear-se em políticas públicas locais.

Conceito de Segurança Pública

A noção de segurança pública refere-se àquela que é proporcionada principalmente, ainda que não de modo exclusivo, pelo Estado, para seus cidadãos e residentes, visando à garantia e ao desfrute dos respectivos direitos básicos à vida, à integridade física, à liberdade, à propriedade pessoal e à inviolabilidade de seu domicílio. Nossa Constituição diz com elegância e imprecisão: “A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio” (art.144).

A ordem pública e os demais direitos garantidos pelo Estado democrático o são pela lei e outros corpos e apenas indiretamente pela ação das polícias executoras da segurança pública, que surgem elencadas nos incisos do artigo: polícia federal; polícia rodoviária federal; polícia ferroviária federal; polícias civis; polícias militares e corpos de bombeiros militares. A segurança pública refere-se a indivíduos, incumbindo sua obrigação a todos, em princípio, e passando, em seguida, sua obrigação ao Estado.

Os Três Tipos de Corporações Incumbidas de Manter a Segurança

Desde o início do Estado constitucional democrático seus teóricos, como Benjamin Constant, em sua obra Princípios de Política (1815), reconheciam que a organização da força armada num estado democrático devia distinguir três tipos: a força armada destinada a proteger o país da invasão estrangeira (exércitos e marinhas profissionais, hierarquizados e disciplinados sob comando único). Nas repúblicas européias criou-se um corpo de elite, uma Guarda Nacional Republicana, para proteção do governo e controle sobre a força armada comum.

A Guarda Nacional

Há ainda um outro tipo de força armada, dispersa, não concentrada pelo território, para não deixar nenhum ponto livre aos criminosos. Seu objetivo, diz Constant, é reprimir os delitos privados cometidos dentro do país, não no exterior. Dirige-se não contra Estados ou organizações armadas estrangeiras, mas contra indivíduos e organizações privadas com propósitos criminosos nos termos da lei e da moral vigente numa região. Constant observa: “A força destinada a reprimir esses delitos deve ser absolutamente diferente do exército de linha” (Oeuvres, Gallimard, p.1164, Paris, 1957). O motivo principal que ele nos dá é interessante: todo cidadão deve assistência ao magistrado na imposição da lei, mas essa obrigação tem o inconveniente de impor ao cidadão deveres odiosos e perigosos. E em nossas cidades populosas, diz, a cada dia cem cidadãos seriam presos por se recusar a prender um só. É necessário que homens assalariados (e treinados) se encarreguem dessas tristes funções.

O ethos e o tipo de trabalho da polícia (denominação usual para esse segundo corpo armado) são diversos do primeiro. Seu tipo de remuneração, seu armamento, sua característica de atuar isoladamente ou em pequenos grupos e o tipo de disciplina exigente, mas menos formal e rígida, requerem um adestramento contínuo e uma capacidade de iniciativa diversa e superior à do soldado. Esse tipo de treinamento é encontrável em algumas unidades de elite, como os Rangers, os Comandos e outras similares, o que as habilita a exercer funções policiais por tempo limitado em áreas especiais, ao contrário do soldado e do marinheiro comuns. Benjamin Constant aponta com propriedade a necessidade de um terceiro corpo armado: aquele destinado a reprimir perturbações e sedições, mantendo a ordem pública em exatos termos. Por se tratar de uma função já política, ele a reserva para a Guarda Nacional, a milícia cidadã, exclusiva dos cidadãos (e de proprietários, à época, pela obrigação da compra do equipamento). O uso do exército nacional para esse propósito coloca dificuldades políticas por sua estrita submissão regulamentar ao governo; numa sedição o governo é antes parte que árbitro. Por isso o recurso à Guarda Nacional, conjunto de todos os cidadãos ativos.

Problemas técnicos relativos à evolução da tecnologia militar, seu custo crescente e a necessidade de um treinamento maior levaram à obsolescência da instituição Guarda Nacional, e o que subsiste hoje com esse nome ou são partes do exército (como nos Estados Unidos) ou tipos de polícias (como no Panamá). De fato, a manutenção da ordem contra motins, sedições e perturbações envolvendo um grande número de pessoas exige um tipo de profissional mais armado do que o policial comum, sem armas pesadas mas já com treinamento militar, aquartelado e concentrado em locais estratégicos no interior do território e das grandes cidades. Daí a existência em alguns países de gendarmerias nacionais, como a Guarda Civil espanhola, o CNRS francês, os carabineiros no Chile e na Itália e as já mencionadas Guardas Nacionais Republicanas. Nossa polícia militar estadual, por sua estrutura e subordinação ao governador, está destinada a essas funções, mas cumpre também a de polícia civil preventiva, para a qual sua estrutura, seu treinamento e seu equipamento não a credenciam.

A Polícia Judiciária

A função policial de repressão ao crime e proteção da vida e da propriedade do cidadão também se divide, no ensino e na prática dos países democráticos, em dois tipos: primeiro a polícia judiciária, ou seja, a organização destinada à investigação criminal e à execução dos mandatos judiciais de busca e captura de indivíduos e apreensões. Esse policial investigativo presta um serviço exclusivo à justiça e, por isso, nos países europeus está diretamente subordinado, através do juiz de instrução, ao poder judiciário. Noutros países, como nos Estados Unidos, está subordinado ao promotor.

No Brasil, por uma deformação da história republicana, a polícia saiu do Ministério da Justiça, onde estava durante o Império, e passou para os estados e, nestes, ao governador, deixando de ser nacional e jurídica para ser provincial e política.

O ministério público, desvinculado da polícia ia até há pouco subordinado politicamente ao executivo, contribuía para esse quadro de desorganização e impunidade, de que é resquício a necessidade de se reproduzir na justiça o inquérito policial, tempos depois da infração, por não ter o delegado de policia autoridade judiciária, com grave dano à repressão ao crime pela aberta possibilidade de coação às testemunhas e pelo efeito corrosivo do tempo sobre as provas e sua memória. A polícia judiciária, apoiada em vasto arquivo computadorizado nacional (da memória criminal e das peças identificatórias do cidadão), só pode funcionar integrada com o poder judiciário e não dele apartada, como sucede entre nós. O mecanismo da integração via juiz de instrução, via promotor ou via qualificação especial do delegado policial deve ser estudado e adotada a melhor solução. Mas como o crime é nacional (e, hoje, até internacional), não tem sentido a jurisdição da polícia judiciária ser limitada ao estado ou à província. A autonomia estadual poderia exigir, quando muito, uma polícia militar estadual, mas jamais uma polícia judiciária estadual. O Império estava com a boa doutrina.

A Polícia Preventiva

O segundo tipo é a polícia preventiva: ela não investiga, não tem arquivos nem se especializa em determinados tipos de infração – destina-se exclusivamente à manutenção preventiva da ordem. Atua com policiais atuando individualmente, aos pares ou em pequenos grupos nos quarteirões e praças, caracterizando o policial de tipo comunitário que conhece as pessoas, identifica estranhos ao bairro, alerta e reprime pequenas contravenções, presta pequenos serviços à população, como auxiliar velhinhas e crianças a atravessar as ruas, visita doentes abandonados para informar aos serviços de saúde, etc. Esse tipo de polícia deve ser local, sob o controle das prefeituras, como nos países mais adiantados.

Atente-se que no Brasil houve uma tradição da existência de Guardas Civis e Guardas Noturnas, uniformizadas, privadas ou semi-privadas, que exerciam tais funções sem o concurso da polícia militar estadual. É necessário dar competência policial às guardas municipais já criadas nos municípios maiores, armando-as para essa finalidade. Não cabem preconceitos quanto ao armamento das guardas municipais quando há no país um efetivo enorme (várias vezes maior que o das polícias militares) de polícias privadas quase sem controle e sem treinamento, armadas a serviço de organizações que vão desde bancos, transportadoras, boates e clubes noturnos, passando por tribunais e órgãos públicos.

A Agência Reguladora

Torna-se urgente criar uma agência reguladora e fiscalizadora do poder público sobre a disseminação descontrolada de polícias privadas no país. É o tipo de serviço que se o Estado não presta ou presta mal, acaba substituído clandestinamente por pessoas ou empresas não qualificadas e que alimentam, por sua incompetência ou pela difusão de armas, a criminalidade. Urge regular e fiscalizar tal atividade e não tentar um monopólio impossível e contrário à nossa tradição para as polícias militares, como o conseguiu o lobby das PMs na Constituição de 1988. Os especialistas em segurança recordam que as polícias, como entidades civis especializadas, diferentes da guarda política das autoridades e separadas das forças armadas, são uma criação do século XIX, quando sir Robert Peel reorganiza, no início do século, a polícia metropolitana de Londres. Durante todo o século XIX e a primeira metade do século XX permaneceu como uma atribuição característica do Estado. Após a segunda guerra mundial, o advento do terrorismo e o crescente aumento da criminalidade urbana levaram a uma privatização acelerada das funções policiais no primeiro mundo, tornando-se a polícia do Estado cada vez mais composta de agências especializadas; em alguns países, a polícia judiciária tem recorrido a particulares na captura e na guarda de criminosos.

Unidade ou Pluralidade das Polícias

Outro princípio fundamental no estado democrático, estranhamente esquecido na prática política nacional, é o do pluralismo e da multiplicidade das organizações policiais. Numa democracia, se houver um só corpo armado o guarda passa a ser soberano, e não há como resistir a suas demandas salariais e outras, e não há para quem apelar quando de sua corrupção. Por isso, todos os Estados democráticos do mundo convivem com uma pluralidade enorme de organizações policiais que se recobrem parcialmente. Examinemos, a título de curiosidade, a organização americana, por ser a de um estado federal, multi-cultural e de dimensões similares às brasileiras. Nos EUA há polícias judiciárias, federais, estaduais e locais, além de uma polícia estadual (quase sempre rodoviária) que lembra nossa polícia militar. Magruder, no clássico livro sobre o governo americano: “Não há uma única força policial federal. Várias agências investigam a violação da lei federal e fazem as necessárias prisões.” Entre as mais importantes estão a Alfândega, a Agência de Narcóticos, hoje DEA, a Agência de Tabaco e Armas de Fogo, o Serviço de Renda Interna, o Serviço Secreto e a Guarda Costeira, todos no Departamento do Tesouro. A Guarda Costeira faz parte da Marinha, obedece a seus regulamentos mas opera em tempo de paz sob o controle do Tesouro. Há uma polícia postal subordinada ao Postal Inspector, no Departamento de Correios, a FDA e o servi-ço de saúde pública, no Departa-mento de Saúde; o Serviço de Imigração e Naturalização, no Departamento de Justiça (os Departamentos dos EUA correspondem aos Ministérios brasileiros).

Há ainda outras polícias em nível federal, como o famoso FBI, com competência sobre 170 matérias. A organização mais antiga é o Serviço Secreto, de 1860, que é a polícia da moeda e suas falsificações. Não confundir com o Serviço Secreto de Proteção ao Presidente da República e demais autoridades e tampouco com as inúmeras agências de informações, comumente chamadas de serviço secreto, que cuidam da espionagem fora do país e de atividades de contra-informação externa – como a National Defense Agency (NDA), a maior, ou a CIA (a mais conhecida) ou os serviços secretos militares, ou ainda o serviço secreto de monitoramento por satélites, localizado no Departamento da Agricultura, por ter começado como órgão previsor de safras agrícolas no mundo.

Interessante é a existência de uma Agência Federal de Administração de Emergências, que trata de calamidades e emergências, com pessoal e equipamentos próprios e poder de requisição e coordenação. Há numerosos problemas de coordenação e jurisdição resolvidos por comissões. A coordenação abrange também as polícias estaduais, locais e a Guarda Nacional. As próprias forças armadas são plurais, são quatro: os Marines, autônomos apesar de pertencerem à Marinha, o Exército e a Força Aérea. O Presidente, comandante-em-chefe de todos, só pode usar a Marinha e a Força Aérea com autorização do Congresso. O Exército está subordinado ao Congresso, que autoriza sua convocação e uso sob as ordens do Presidente, em caso de guerra. Os Marines têm uma subordinação mais direta à presidência.

Pluralidade e Especialização

A concepção presente em todo o mundo civilizado é a da pluralidade e especialização dos organismos policiais. A especialização dá melhores resultados, e a pluralidade dos órgãos retira sua força de pressão interna, estabelecendo um sistema de vasos comunicantes que permite um melhor sigilo das investigações e uma barreira eficaz à corrupção, sempre possível e temível num serviço policial. Do ponto de vista liberal e democrático, os diferentes corpos armados devem ser plurais quanto ao estilo, ao armamento, ao recrutamento e à autoridade sob a qual servem imediatamente, e sobretudo devem ser especializados, isto é, o treinamento, o equipamento e a subordinação precisam levar em conta o objetivo de sua missão principal.

Atuação das Polícias

A atuação da corporação encarregada de enfrentar distúrbios, da judiciária ou das encarregadas do policiamento ostensivo se dará sempre em defesa dos direitos humanos básicos da população que as remunera, e terá como regra a defesa dos direitos humanos. Mas a prioridade está sempre com a população-alvo e, em segundo lugar, com a integridade da própria polícia e, em terceiro lugar, dos criminosos, também titulares de direitos humanos, pois sua conduta contrária aos direitos humanos das vítimas os coloca em prioridade posterior, mas não os priva dos mesmos.

O infrator vem em última prioridade no resguardo dos seus direitos, depois da vítima e do policial, mas conserva seu direito à vida, à integridade física e à liberdade. Por isso a polícia deverá ter à sua disposição armas e meios especiais para imobilizá-lo na proteção da vítima e em defesa da sociedade e do próprio policial encarregado de defendê-la. Armas letais só devem ser usadas em último caso, e o infrator só perde a liberdade com a expressa autorização do juiz, ao qual deve ser apresentado tempestivamente após sua prisão.

A estrita legalidade é, pois, um princípio de atuação da polícia. Outro princípio é sua permanente preparação, com treinamento e tolerância mínima para seus abusos e faltas, dada a especial importância dos bens a que deve proteger. Em outros termos, é necessária uma intensa profissionalização dos serviços policiais.

Outro princípio é a ênfase à prevenção, conhecido desde Cesare Beccaria no século XVIII, segundo o qual a repressão é custosa e incerta; além disso, deve-se levar em conta que o principal não é o quantum de pena que deve ser aplicado, mas a certeza da repressão. Esse princípio de penologia vale para a polícia, no sentido de que nenhuma ofensa à ordem pública deve ficar sem resposta, ainda que a resposta seja a possível e não a suficiente e melhor.

Propostas para a Segurança Pública no Brasil

Propostas Desastradas

Em face do enunciado, fácil é entender que as três principais propostas para solucionar o aumento da criminalidade no país são desastradas. Primeiro, o emprego do Exército, inviável pelo seu treinamento, pelo equipamento e pelo fato de se constituir de recrutas com preparo escasso e para outra finalidade. A segunda é a unificação das polícias, sugerida por governos e pela mídia, o que levaria a um risco enorme de corrupção e abuso de poder, além de misturar contingentes com treinamento diferente, e que deve continuar sendo diferente. A terceira proposta é o desarmamento universal da população, inviável num país de áreas rurais, com selvas e animais perigosos, e inútil, pois como recentes apreensões confirmaram, o crime utiliza fuzis AR15 e granadas que nunca estiveram de posse da população civil, e as pistolas utilizadas pelo crime normalmente são tipos especiais, nunca ou pouco vendidos no país. As armas do crime são importadas por ele ou desviadas da própria polícia ou das forças armadas. E como mostra o exemplo da Suíça e de outros países europeus, não é a posse de armas pela cidadania que contribui para o crime – até porque, na Suíça, todo cidadão tem armas em casa, inclusive armas militares, além de que o número de armas remanescentes de guerras mundiais na Europa em poder da população é enorme –, e a taxa da criminalidade lá é menor do que a nacional, encontrando-se em elevação hoje pela chegada de imigrantes com outra educação e outros valores, e não pela posse de armas pela população.

Inúmeros especialistas pregam que uma grande quantidade de armas ajuda a reduzir a taxa de criminalidade, como diz o título do livro de John R. Lott Jr., More Guns Less Crime (University of Chicago Press, 1998), em que ele apresenta farta evidência empírica de sua tese.

Propostas Plausíveis e Urgentes

Providências de ordem legal e judiciária: integrar a polícia judiciária ao judiciário, como nos Estados Unidos e na Europa, de modo a economizar tempo e dar mais força à repressão das infrações; reformular a legislação, diminuindo prazos, limitando recursos e não apenas agravando penas, mas tornando-as mais possíveis de serem aplicadas para aumentar a certeza da repressão; ampliação do número de juízes, criando juizados com competência sobre contravenções, em especial as de trânsito, e que funcionem dentro da polícia e resolvam em menos de uma semana tais casos. Assunção pelo governo central (União) das responsabilidades que governos centrais exercem normalmente na segurança pública. Por exemplo, polícia de fronteiras, para evitar a entrada de armas e drogas.

Criar dentro do Ministério da Fazenda uma Polícia Fazendária, incumbida dos crimes contra a moeda, contra o sistema bancário e do mercado de capitais, além da repressão à sonegação fiscal, com pessoal treinado à altura das dificuldades e da delicadeza desse tipo de missão.
Criar uma agência ou uma divisão da Polícia Federal incumbida da repressão aos crimes pela internet, ao tráfico de menores, mulheres e órgãos humanos, pela implicação internacional de tais delitos. Estudar o exemplo internacional em outros tipos de agências policiais especializadas, como, por exemplo, num país de vocação para o turismo, uma polícia alfandegária com jurisdição sobre aeroportos e portos de entrada do país, com educação, civilidade e competência integrada para analisar a entrada e a saída de estrangeiros e nacionais. Hoje, vários serviços (receita federal, polícia federal, serviços sanitários e aeroportuários) disputam e complicam a entrada e a saída do país. Unificar as polícias rodoviária e ferroviária federais, aumentar seu equipamento e efetivo, mantendo sua subordinação ao Ministério dos Transportes.

Criar um Serviço de Proteção às Autoridades dos três poderes, em especial do Presidente, incluindo visitantes oficiais, para evitar os problemas políticos e corporativos do uso da Polícia Federal ou do Exército ou de seguranças privadas em tal função. Criar no Ministério da Justiça um centro de informações servindo a todas as polícias do país e delas recebendo e suprindo informações, bem como laboratórios e serviços especializados de criminologia, impossíveis de serem mantidos adequadamente por todos os estados e municípios. Ainda no Ministério da Justiça, criar um mecanismo de apoio às polícias militares estaduais, regularizando e padronizando armamento e treinamento, estabelecendo efetivos mínimos em relação à população e respeitando sua autonomia no estado federal. A secretaria disporia de um fundo para subsidiar as ações de sua competência. Criar uma Agência Nacional Reguladora das Polícias Privadas, incumbida de estabelecer normas, autorizá-las, fiscalizá-las e estabelecer sua área de atuação (presídios, polícia municipal etc.).

Um último exemplo, já considerado pelo nosso governo central, é a construção de presídios federais de isolamento e segurança máxima, para impedir não apenas as fugas constantes mas também que os detentos de um presídio continuem praticando atos criminosos através de mensageiros ou de seus visitantes. Isso desafogaria os presídios estaduais e acabaria com a carceragem em delegacias, algo cruel e perigoso para a população. Transformar as Guardas Municipais das cidades maiores e mais ricas em Polícia Preventiva e Ostensiva Municipal, com armamento e jurisdição adequados à sua função. Criar um mecanismo financeiro que permita às cidades menores a contratação de serviços policiais por licitação com sua polícia estadual ou organizações credenciadas. Finalmente, duas providências de caráter cultural: (1) desenvolver através das escolas, com ênfase no primeiro grau, atitudes de apoio e colaboração com a polícia, além de disseminar informações sobre o caráter nefando e prejudicial das atividades criminosas, sobretudo para as populações mais pobres, enfatizando os terríveis custos sociais do crime, por afugentar os empregos e aumentar preços. (Uma boa introdução a esse tema é encontrada em David J. Pyle: Cortando Os Custos do Crime - A Economia do Crime e da Justiça Criminal. ILRJ 2000).

Finalmente, (2) incentivar pesquisas para esclarecer os condicionamentos da atual onda de criminalidade e violência e afastar a ingênua tese do iluminismo do século XVIII, de que o criminoso é uma vítima irresponsável da sociedade e da família (ou seria de sua ausência?). Gary W. Bornman, um ladrão de bancos cumprindo uma pena de sete anos num Instituto Correcional Federal na Flórida, escreveu uma carta ao jornal Tallahassee Democrat, da capital do estado, em 1995, em que, dentre outras coisas, diz o seguinte:

“Estou seguro de que quando uma vítima está sendo estuprada ela não se preocupa se seu atacante foi uma criança abusada na sua infância. Tolerando alegações como esta estamos dizendo para toda a sociedade que está OK roubar e assassinar, desde que tenhamos uma boa desculpa. O que aconteceu com a necessidade de assumir a responsabilidade por suas ações? Como alguém que passou a maior parte de sua vida atrás das grades, eu nunca conheci um criminoso culpado. Ouvindo-os, todos, menos ele, é claro, devem ser criticados por fazê-lo cometer o crime: sua mãe, a vítima, a própria sociedade. Acho que já é tempo de pararmos com essa falta de sentido e começarmos a tornar os criminosos responsáveis por suas ações.”

Pesquisa aponta descrédito de carioca com área da Segurança Pública

Rio - A cada minuto, quatro cariocas, em média, são vítimas de atos violentos. O descrédito do governo do Estado do Rio na área da Segurança Pública faz com que a maioria das vítimas não registre ocorrência na polícia. Essa é a principal conclusão de um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), que ouviu 1.100 pessoas no município do Rio, em abril. Segundo a pesquisa, apenas 17,2 % das vítimas de delitos como roubos e furtos comunicaram o problema à polícia.

A maioria considera a medida inútil. A pesquisa apontou que 56,3% dos entrevistados consideram a atuação da governadora Rosinha Matheus (PMDB) na Segurança Pública "menos efetiva" ou "muito menos efetiva" do que há seis meses. Uma quantidade maior ainda (75,8%) acredita que a violência cresceu no último semestre.

A desconfiança em relação às polícias é grande: 54,3% "não confiam" ou "não confiam nada" na Polícia Militar, considerada corrupta e incompetente. Pela mesma razão, a Polícia Civil não tem a confiança de 36,9% dos entrevistados. O problema é ainda mais generalizado quando a pergunta envolve o Sistema Prisional: 61,8% "não confiam" ou "não confiam nada". No caso da Justiça Criminal, o índice alcança 43%.

'Cifra Negra' - "Penso que a alta subnotificação está muito claramente ligada à falta de credibilidade, o grande descrédito em relação ao aparelho policial", afirmou o sociólogo Geraldo Monteiro, diretor do IBPS e coordenador da pesquisa. Um de seus objetivos é mapear as ocorrências que não são registradas, o que os especialistas chamam de "cifra negra". A subnotificação é um fenômeno mundial. Estima-se que 50% dos crimes nos países desenvolvidos não sejam comunicados. No Brasil, porém, a proporção é muito grande, segundo Monteiro

"A pesquisa aponta claramente para a necessidade de reformas do aparelho policial e do sistema penitenciário", avaliou o sociólogo. "A pequena delinqüência não recebe tratamento nenhum da Segurança Pública", acrescentou Monteiro. Esta lacuna, e não apenas a repercussão de crimes pela mídia, é apontada pelo sociólogo como fonte da sensação de insegurança que acomete a população. "Além da amplificação da mídia, existe a experiência real das pessoas, expostas diariamente a diversos tipos de crimes."

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"O candidato a Governador ou a Presidente, qualquer que seja a orientação política - tanto de esquerda como de direita, tanto totalitário como liberal, cada qual na sua extremidade considerando a defesa das liberdades pessoais e econômicas - devem ser avaliados pelo compromisso com a educação básica de qualidade, a segurança pública e a defesa nacional".





VITÓRIA! VITÓRIA!

TODO GRUPO GUARARAPES VIBROU QUANDO O CORONEL CHEFE DO ESTADOR MAIOR DA BRIGADA PARAQUEDISTA DECLAROU QUE AS ARMAS FORAM RECUPERADAS.

O GRUPO GUARARAPES, SEMPRE, ACREDITOU QUE A MISSÃO SERIA CUMPRIDA. A AÇÃO DE TODA TROPA E O ESPÍRITO DO CHEFE – GENERAL CURADO – DAVA-NOS A CERTEZA DE QUE O EXÉRCITO SERIA MAIS UMA VEZ VITORIOSO.

NÃO PRECISAMOS DE MUITAS PALAVRAS PARA INDICAR QUE AS MÁXIMAS DE NOSSOS ANTEPASSADOS ESTÃO VIVAS:

É FÁCIL A MISSÃO DE COMANDAR HOMENS LIVRES. BASTA APONTAR-LHES O CAMINHO DO DEVER”.

“SUSTENTAR O FOGO QUE A VITÓRIA É NOSSA”.

“BRASIL ACIMA DE TUDO”

Colaboração: Gerhard Erich Boehme

 

 


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