DEPUTADO
ESTADUAL, CORONEL UBIRATAN FALA SOBRE A VIOLÊNCIA EM SÃO
PAULO
Sr. Presidente, Srs. Deputados, aqueles que nos assistem das galerias
e que nos acompanham através da TV Assembléia, venho
a esta tribuna para dizer da tristeza e da preocupação
da atual situação da Segurança Pública
no nosso Estado. Vemos com tristeza, a cada dia, os nossos policiais
e os agentes penitenciários, policiais civis sendo mortos
por marginais comandados de dentro do presídio. A situação
chegou a esse ponto em razão do não-enfrentamento
necessário à marginalidade. Essa é a grande
verdade. Ao longo da vida, trinta e poucos anos na Polícia
Militar, nas ruas enfrentando o crime, sempre alertamos sobre
isso. Está aqui o nobre Deputado Conte Lopes. Tive a satisfação
de trabalharmos juntos no 1º Batalhão de Choque -
Rota, e aprendemos que bandido só respeita uma coisa: força
maior do que a dele. Não respeita discurso, campanha tipo
“Sou da Paz” ou “Vamos soltar as pombinhas”
ou “Vamos nos vestir de branco”. Infelizmente, em
função da nossa legislação, a estratégia
do não enfrentamento adotada - já é de longo
tempo que venho alertando sobre isso - resultou no que estamos
passando hoje, quando marginais assumiram, em grande parte, o
comando dos presídios na Capital. Exigiram e foram atendidos.
Exigiram mudanças de uniforme e foram atendidos. Exigiram
televisão e foram atendidos. Foram atendidos em tudo quanto
é exigência.
Temos nesse país um dos maiores absurdos que eu já
vi. Já trabalhei e viajei muito vendo as coisas de segurança.
Temos a aberração da visita íntima que, além
da violência, da promiscuidade com que é praticada,
acarreta um mal social tremendo. Vai lá a mulher, a amante
ou a garota de programa para a visita no fim de semana, muitas
vezes engravidam e vêem ter os filhos fora das prisões.
Quem
criou filho sabe do que estou falando, o quanto é difícil
trabalharmos e lutarmos para encaminhá-lo no rumo certo
da vida. Que dirá com o pai preso e a família desestruturada.
Isso vira uma bola de neve, e é o que está acontecendo.
Fora as benesses da lei, quando dá essas saídas
temporárias, quando por cinco vezes os presos vão
às ruas nas datas específicas - Dia dos Pais, Dia
das Mães, Páscoa e tal. Vão e 10% deles não
retornam aos presídios; estatística da Secretaria
de Administração Penitenciária. Essa estatística
não é minha. Se eles não voltam para o sistema
vão para onde? Voltam para o crime. É outra bola
de neve, e nós ficamos correndo atrás e os nossos
policiais morrendo.
Desta tribuna, gostaria de fazer um apelo ao Sr. Secretário
de Administração Penitenciária e ao nosso
Governador do Estado para que, já que houve a autorização
para agente penitenciário ter uma arma fora de serviço,
o Estado forneça essa arma. E não o agente comprar.
O agente não tem condições de arcar com a
despesa de comprar uma arma, e fazer o curso necessário.
E para o Estado, no meu entender, a compra de 20 mil armas para
esses funcionários, homens que trabalham na Segurança,
não seria ônus nenhum.
Penso
que seria uma questão de Justiça, o Estado responsável
pelas armas, comprá-las e entregá-las aos agentes
para que eles possam defender as suas vidas. Estamos perdendo
um agente penitenciário a cada 30 horas. É de estarrecer.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
Deputado Estadual, Coronel Ubiratan