CAROS SRS E SRAS
Ainda
lembram da história do termo circunstanciado em São
Gonçalo e das vítimas de violência doméstica
recebendo atendimento mais célere por parte da PM e da
Justiça? Da redução da sensação
de impunidade e de suas consequências para a melhoria
da segurança pública? Das idéias constantes
de livro escrito pelo Sr Anthony Garotinho, das quais nos utilizamos?
Do "poderoso" lobby dos delegados para barrar o trabalho?
Do destaque dado em periódicos como JB e Extra acerca
do mesmo? Da manifestação do Conselho de Segurança
de São Gonçalo sobre da importância do trabalho
que vínhamos desenvolvendo? E da ordem do Secretário
Delegado para que fosse interrompido?
Pois bem, por ironia do destino, logo agora que estamos prestes
a galgar liminares que nos fariam reiniciar, com força
total, o trabalho, fruto de ações impetradas pela
ASSINAP e pela AME/RJ, fontes seguras revelam que na semana
vindoura (ou seguintes) o Cmt do 7º BPM (São Gonçalo/RJ)
será exonerado. Por que? Segundo revela a matéria
anexa, publicada no periódico "Extra", em face
do aumento do número de homicídios, roubos a pedestres
e a residências no município.
Talvez tenha sido fabricado o argumento que faltava, desviando-se
o foco da insatisfação dos delegados para a própria
sociedade. Logo ela, que estava sendo melhor atendida e tratada
de forma diferenciada em relação às rotinas
policialescas ainda vigentes em nossas práticas anacrônicas.
A propósito da matéria citada e de suas reais
intenções, algumas perguntas parecem merecer respostas:
Os índices aumentaram apenas em São Gonçalo?
Qual a relação entre as taxas de elucidação
da Polícia Civil e o acréscimo dos índices
de criminalidade? Os Delegados de Polícia também
serão exonerados? Qual o meio mais eficaz de "combater"
homicídios e roubos em residências? Seria a aplicação
de um policial em cada esquina ou a redução da
sensação de impunidade, através da elucidação
de tais delitos (de competência da Polícia Civil)?
Mas e no que concerne aos roubos a transeuntes, o que poderíamos
ter feito que não fizemos?
Vamos a REALIDADE, NUA e CRUA: O que estávamos tentando
construir?
Buscávamos, com muito custo, penetrar na "caixa
preta" da polícia "investigativa" para
ter simples acesso, em tempo real, aos registros de ocorrência
coletados, de forma a permitir aplicação mais
técnica e eficaz da polícia ostensiva. Paralelamente,
estávamos utilizando a estatística, embora defasada
em sua divulgação, da própria Secretaria
de Segurança, através de seu Instituto, com igual
mister. Nossos efetivos policiais estavam se dedicando mais
ao policiamento ostensivo, uma vez que ficavam liberados de
fazer o que mais faziam, ou seja, permanecer nas Delegacias
de Polícia apresentando ocorrências, já
que seu maior número respeitava às infrações
penais de menor potencial ofensivo, hipótese que estava
merecendo encaminhamento direto, célere e informal para
o Poder Judiciário (encerrando-se no próprio local).
Quanto aos homicídios, certamente estávamos contribuindo
para sua redução, uma vez que, com respostas muito
mais eficazes direcionadas às infrações
das quais podiam redundar (ameaça, lesões corporais
leves e outras), marcadamente sob o enfoque da violência
doméstica, gerávamos maior confiabilidade na polícia
e, em consequência, decréscimo no sentimento de
que procurá-la não daria em nada (as audiências
na Justiça eram marcadas pelo próprio PM, no local
das ocorrências). Mas o trabalho parou! Por que?
Talvez por que tenhamos ferido interesses outros, certamente
desprovidos de caráter público.
Afinal, quanto foi (e está sendo ainda) gasto para vender
a idéia de que as decantadas Delegacias Legais são
a solução do problema de segurança pública?
Interessa informar à sociedade que nossas Delegacias
Legais não elucidam quase nada, senão vejamos:
Taxas médias de apuração de ilícitos
das Delegacias Legais (Constantes do Boletim Mensal de Monitoramento
e Análise-ano 1, n.º 2, julho 2003 - único
que divulgou tais índices).
Homicídios - 2,7%
Roubos de carga - 5,4%
Roubos a bancos - 2%
Roubos a pedestres - 3%
Roubos a residências - 4,5%
Roubos a estabelecimentos comerciais - 3,7%
Mas quem somos nós, simples mortais, para mostrar que
com um pouquinho de boa vontade, baixo investimento, idéias
nem tão novas assim e algumas horas extras de dedicação
à causa PÚBLICA, podemos verdadeiramente contribuir
para a redução da sensação de impunidade
em nossa Cidade?
Talvez sejamos pessoas que acreditam que, como diz a canção,
"...quem sabe faz a hora, não espera acontecer...".
Que acreditam no poder das idéias e no potencial de pessoas
para subverter realidades indignas e cruéis. Que acreditam
que mais vale combater o bom combate, arcando com todas as consequências
advindas dos interesses particulares atingidos, a conformar-se
com a realidade de polícias seletivas (na pior acepção
da palavra) em suas ações preventivas e repressivas,
ineficazes, pouco inteligentes e pouco ou nada profissionais.
Talvez tenhamos perdido a batalha, mas realmente não
sabemos lutar no terreno lodoso em que passou a ser travada.
Só temos nossas idéias, a consciência de
sua importância para a Segurança Pública
e o conhecimento para pô-las em prática.
Mas de que valeu tudo?
Alguém se importou?
Alguém, além de nós, de nossa tropa, da
justiça e das pessoas que foram por nós atendidas,
acreditou no trabalho que chegamos a realizar?
Por que quase todos nos viraram as costas?
Por que pouquíssimos firmaram posição a
respeito do que estávamos fazendo?
Por que incomodamos tanto, já que, em verdade, só
fizemos auxiliar pessoas necessitadas de atenção,
de auxílio e de acesso ao poder judiciário?
Por que a maioria de nossos amigos, de ONGs contactadas, de
setores públicos e privados também cientificados,
se limitou a assistir de distância convenientemente segura
o trabalho realizado pela PM em São Gonçalo?
Quantos saberão dos reais motivos da queda do digno e
corajoso Comandante do 7º BPM?
Quantos vão se lembrar do que realmente ocorreu?
Quantos vão se importar?
Quantos vão "brigar" para assumir (ou indicar)
seu posto?
Obrigado!
Wanderby Braga de Medeiros-Major PM
Subcomandante do 7º BPM