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SEQUESTROS À VISTA

É ponto pacífico entre os analistas de inteligência que para se emitir parecer acerca de um determinado assunto, faz-se mister conhecer o passado histórico, bem como ter uma visão global da situação contemporânea , a fim de que possa assessorar a quem tem poder decisório, opinando sobre os prováveis quadros que advirão.

Com fulcro nesse paradigma trazemos a questão da violência ao centro do debate, principalmente a violência que atualmente assistimos no Rio de Janeiro. Há trinta anos, qual o quadro futuro que nossos analistas de inteligência vislumbraram para o Rio de Janeiro? O que se passou na mente dos analistas militares e policiais acerca  da então crescente favelização que surgia nos lotes contíguos à principal via que corta o Rio de Janeiro, no caso, a Avenida Brasil ? Será que ninguém percebeu que o eixo que liga a Baixada Fluminense, e a Zona Oeste, ao centro da cidade poderia ser deliberadamente alvo de ataques criminosos, prejudicando sensivelmente a segurança pública? Será que ninguém percebeu que o eixo rodoviário em questão, cercado por favelas, por onde diariamente circula uma porcentagem significativa de pessoas e riquezas do Estado do Rio de Janeiro, poderia sofrer  revezes que acarretariam sérios prejuízos econômicos?

As modernas empresas estão estabelecendo UIC (Unidade de Inteligência Competitiva), as quais utilizam seus analistas de inteligência para as questões econômicas. Antigamente uma empresa, para fins de instalação de uma fábrica, observava  o poder aquisitivo da população economicamente ativa, o escoamento garantido da produção e as isenções de impostos, ou seja, bastava haver mercado, uma boa rodovia pavimentada e vantagens fiscais, para que o empresário decidisse implantar uma fábrica numa região. Ora, os analistas de inteligência dessas empresas já devem ter percebido que não basta  apenas  essas condições para  emitirem um parecer favorável à instalação de uma fábrica num determinado local. Além disso, é necessário haver segurança para o transporte de suas mercadorias. É necessária a garantia de que não só os produtos, mas também os executivos possam se utilizar da via pública com segurança, doutra forma não opinarão favoravelmente à instalação de uma nova unidade de produção num local que não preencha um requisito tão determinante no cálculo de seus custos de investimento.

Anteriormente, as ações criminosas dos meliantes na Avenida Brasil eram destacadamente nas madrugadas. Atualmente, a ousadia desses facínoras se tornou tão absurda que passaram a agir a qualquer hora, inclusive utilizando fuzis automáticos (arma de guerra) para roubarem veículos na referida via, matando covardemente os condutores, quando identificados como policiais. Essa é a atual situação que nossos analistas de inteligência, há trinta anos, não conseguiram vislumbrar.

Guardada as devidas proporções, o que a história pode nos ensinar acerca dos fatos que se seguiram à  concentração  de pessoas, contrárias à ordem vigente, junto a fronteiras e edificações? Expliquemos melhor : Apesar de todo seu poder econômico e militar, apesar de sua riqueza cultural, o que ocorreu ao Império Romano quando os bárbaros Germânicos  se estabeleceram junto às suas fronteiras? O que ocorreu também com a sociedade feudal quando os mercadores se estabeleceram junto aos muros de seus castelos, isto é, junto aos burgos? É de todos sabidos que pouco a pouco o Império Romano ruiu, bem como o feudalismo.

O que o contexto atual tem a nos ensinar, e que se somados à análise dos fatos históricos supracitados, poderão permitir que aventemos hipóteses para o futuro? Ora,  A mídia, vez por outra, tem publicado que nos morros e favelas cariocas, guerrilheiros angolanos e das FARCs – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, estão ministrando instrução de caráter militar aos narcotraficantes. Lembrem-se  que Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foi preso na Colômbia. Ademais, vários policiais já se depararam com elementos do crime transitando, de favela a favela, às vezes na própria via, em conduta de patrulha, com uniforme camuflado ou todo de preto. Recentemente foram apreendidos, num morro carioca, alguns uniformes usados pelos traficantes, os quais traziam estampadas em suas camisas, palavras de ordem favoráveis às FARCs, bem como contrárias aos Estados Unidos da América. Tais fatos, por si só, consubstanciam claramente o início da politização do crime organizado no Rio de janeiro.

Observando os anos dos governos militares, quando  a política penitenciária de se misturar no mesmo presídio, presos comuns com presos políticos, resultou no surgimento das organizações criminosas cariocas, com esteio nessa constatação histórica, podemos  aventar que a mistura das supracitadas guerrilhas com os traficantes cariocas, não tanto em presídios, mas no interior das favelas, redundará em organizações criminosas de modus operandi similar, ou seja, é questão de tempo para que os traficantes cariocas passem a agir conforme às alusivas organizações estrangeiras. Olhando para Colômbia, assistimos quase quotidianamente seqüestros de autoridade. Portanto, é questão de tempo para que os traficantes cariocas também passem a seqüestrar autoridades públicas.

Queremos advertir nossas autoridades, civis e militares, para que levem essa possibilidade bem a sério e tomem as devidas medidas para se cercarem dos meios necessários a evitar essa vergonhosa situação, que desmoralizaria nossa nação, pondo-nos na estatística de países sem lei e ordem, esfacelado por organizações criminosas.

MELQUISEDEC CORREIA DO NASCIMENTO - TENENTE PM
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS MILITARES AUXILIARES E ESPECIALISTAS DO RJ
VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS POLICIAIS MILITARES DO BRASIL/SUCURSAL RJ
www.amaerj.org

 

 

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