REVOLTANTE
O
menor que atirou no meu filho estava sendo acompanhado pelo Conselho
Tutelar há muito tempo. Ele foi criado pelo pai e avós
paternos, uma família de classe média, aqui de Curitiba.
Ele já havia sido convidado a se retirar de algumas escolas
antes do conselho tutelar o colocar na escola do meu filho, sabendo
que ele era Sociopata, conforme laudo psiquiátrico! Não
houve qualquer tipo de aviso aos pais que este menor era perigoso.
Em
2002, assumiu uma nova Diretora na escola, que já conhecia
o histórico do menor, então vendo que ele ainda
estava na escola ela chamou o conselho tutelar e o pai e disse
que ele não poderia permanecer lá, pois ele representava
risco para os outros alunos,mas o conselho tutelar não
fez nada e obrigou a nova diretora a mantê-lo na escola.
Em final de março finalmente ele entrou para a sala do
meu filho e ai começou o contato entre os dois!
Em
abril aconteceram alguns problemas com este menor na escola. Ele
não ameaçava as pessoas falando, ele fazia desenhos
como de um livrinho em quadrinhos, em abril ele fez um desenho
em quadrinhos no verso de uma prova, neste desenho ele colocou
como ele ia matar, cortar e consumir com o corpo da Diretora e
da coordenadora da escola. Era um desenho com requintes de crueldade
onde ele fazia cortes no corpo da diretora e da coordenadora como
se fossem aqueles que você vê nos açougues
indicando cortes de carnes em um boi e na volta deste desenho,
ele desenhou muitas vezes a tal espingarda e em vez de balas ela
atirava vários pênis, inclusive havia um pênis
enorme desenhado num canto desta prova.
A
diretora chamou o pai dele e o conselho tutelar e mostrou a prova,
inclusive ela tirou um xerox de todas as provas dos outros alunos,
da lista de chamada e fez ele assinar o tal desenho para provar
que foi ele, pois o conselho assim mesmo não o retirou
e obrigou a escola a ficar com ele. O pai neste dia ouviu da diretora
que ele deveria consumir com a tal espingarda e a resposta do
pai foi: a espingarda esta bem escondida, mas vou tomar providencias
( a espingarda estava em uma caixa desmontada em três partes
em cima de uma prateleira de mais ou menos 1,60 de altura).O conselho
tutelar não fez nada, obrigou a escola a manter o menor
e nós os pais não fomos avisados do problema.
Em
27 de maio de 2002, meu filho me telefonou no trabalho e pediu
para ir brincar na casa do menor, que mora em um bairro próximo
do meu, eu perguntei como ele iria lá, ele me disse que
o pai do menor viria buscá-lo, eu falei pra minha empregada
que ele poderia ir desde que o pai do menor realmente viesse buscar
e o trouxesse de volta. Eu não sabia da história
do menor e o pai do menor ia estar junto, como recusar?
Quando
foi umas 16 horas um bombeiro de nome Assis, ligou no meu trabalho
e me disse a queima roupa: Você é mãe do Giorgio
Renan, ele acabou de morrer! Eu pirei! Comecei a discutir com
o tal Assis, dizendo que era um trote, pois ninguém daria
uma noticia destas assim tão, no fim acabei jogando o telefone
em cima da mesa e a minha gerente pegou o telefone e falou com
o tal bombeiro.
A
empresa que eu trabalhava nesta hora praticamente parou, para
minha gerente na época que ligasse para minha família
e pedisse que alguém de lá fosse ao local, pois
eu não acreditava que fosse verdade, ai um diretor nosso
se prontificou e foi até o local e eu fui logo atrás
no carro da minha gerente, mas achando que não passava
de um trote, pois a gente na realidade não quer acreditar.
Quando estávamos quase chegando ao local, o celular da
minha gerente tocou, era o diretor da nossa empresa, que havia
saído antes, dizendo que não era para ela me levar
lá! Mas nós já estávamos na rua da
casa do menor, onde meu filho estava e este diretor fala alto
e eu escutei! Na frente da casa do menor e vi a policia, a ambulância
dos bombeiros, o carro do IML e um monte de jornalistas. Pirei
de vez, minha gerente estacionou o carro e meu cunhado e dois
amigos meus se colocaram nas portas do carro impedindo que eu
descesse, pois eu estava fora de controle e só queria descer
e ir lá.
Eles
não deixaram e me levaram para o hospital, minha pressão
estava acima de vinte, lá no hospital o médico me
deu duas injeções de sei lá o que e dois
comprimidos de Valium (e mesmo assim eu não apaguei!)Foi
uma briga, pois eu não queria ficar no hospital nem a tapa
e o médico não queria me liberar. Por fim ele me
liberou desde que alguém ficasse comigo o tempo todo, monitorando
a pressão, minha gerente não me largou um só
minuto e sei lá quantos calmantes tomei, me sentia flutuar
acima da realidade, tava pirada.
Por volta das 18:30 horas a moça da doação
de órgãos me ligou no celular e pediu a doação,
eu disse que eu assinava a autorização. Seis meses
depois eu soube que a doação não pode ser
feita, pois não havia nenhuma gota de sangue no corpo do
meu filho para fazer os exames necessários.
O
tiro pegou no pescoço (quase decepou) o que fez a veia
principal ser cortada e o menor em vez que sair gritando ou entrar
em choque por ter atirado no amigo, simplesmente fez massagem
cardíaca o que fez o sangue espirrar inteirinho para fora
do corpo nas paredes e chão da casa.
Após
isso ele ligou na maior calma, para o pai que os havia deixado
sozinhos, para a policia e para os bombeiros (eu ouvi a gravação
dos bombeiros ele fala como se dissesse: meu amigo acabou de tomar
um sorvete! Na maior calma!)
Bem
isso foi na segunda feira, o corpo foi liberado mais ou menos
a 1:30 da madrugada, eu fui pro cemitério, onde fica a
capela para velórios em torno de 2 horas da manhã.
Chegando lá o corpo estava já na capela, pois minha
família havia providenciado tudo, comprado roupas novas
para ele. Havia sido feita uma reconstituição para
“esconder” o rombo no pescoço e tirar as marcas
de pólvora do rosto, mas mesmo assim ainda ficou. Eu chegando
lá, não tinha coragem de ir ver o corpo do meu filho,
tentei várias vezes entrar na capela, mas não conseguia
simplesmente, fiquei na sala da capela, estava muito mal mesmo!
Fui
criar coragem só quando estava amanhecendo o dia, entrei
e fui olhar! Ele estava bonito, haviam maquiado e escondido as
marcas, perecia dormir.
No dia seguinte vieram todos os parentes, amigos, vizinhos e etc
....Nunca vi tanta gente junta num enterro. Tinha muita gente
mesmo.
Os colegas de escola com seus pais, os professores e demais funcionários
da escola vieram em peso, meu filho era muito querido por todos,
ai a diretora sentou comigo e disse: eu tenho que te contar algo
e despejou em cima de mim toda esta história do menor!
E do que havia ocorrido na escola, me dizendo que sentia muito
e que estaria a minha disposição para ir testemunhar
sobre isso tudo, e para tudo o que eu precisasse.
Ela
é minha testemunha em todas as etapas do processo, inclusive
o testemunho dela esta no processo do menor contando tudo isso,
o menor ficou três dias preso, e foi liberado, passando
depois diversas vezes em frente a minha casa, parava e ficava
me olhando quando eu estava no jardim.
Bem
imagine minha surpresa ao saber de toda esta história em
pleno enterro do meu filho!A diretora foi comigo e com um advogado
meu amigo na delegacia do adolescente e depôs contando tudo
isso, o delegado desta delegacia do adolescente Dr. Toledo fez
um laudo confirmando que o menor tinha habilidade com a arma.
O menor montou e desmontou cinco vezes na frente do delegado.
É uma espingarda antiga, desmontada em três partes,
o menor montou-a e colocou a bala e, para atirar, precisava puxar
o cão e o gatilho.
O
menor deu três depoimentos diferentes, um dizendo que meu
filho pediu para ele montar a arma, e que ela disparou ao meu
filho tentar tirá-la na mão dele; depois disse que
a arma disparou ao cair e bater na quina de uma escada; depois
que disparou por acidente ao montar. Só faltou dizer que
meu filho atirou nele mesmo ou pediu pra levar o tiro!
Mesmo
com isso tudo, laudo do delegado, dizendo que ele tinha habilidade
com a arma, os depoimentos conflitantes dele, o depoimento da
diretora contando toda história do conselho tutelar e dos
desenhos, mesmo com as três costelas do meu filho que apareceram
na autópsia quebradas de maneira inexplicável, o
menor foi liberado após três dias!
Eu
fiquei muito doente, tive choque pós-traumático,
engordei 40 kilos, meu cabelo caia como se tivesse feito quimioterapia,
minha tiróide para de funcionar, tinha diarréia
e enjôo diários, só dormia com soníferos
e passava o dia a base de antidepressivos. Só chorava.
Contratei
um advogado criminalista para me ajudar e acompanhar o caso, passou
um ano de luta, o Juiz nunca permitiu que eu ao menos pudesse
ler o processo na delegacia do adolescente só dizia que:
o processo corre em segredo de justiça e que mesmo eu sendo
mãe da vitima não poderia vê-lo, fui com o
advogado diversas vezes na delegacia do adolescente e o Juiz se
recusou vistas ao processo em todas as vezes, o promotor me atendia
com um ar de "que saco!", só me enrolou, após
um ano da morte do meu filho continuava tudo na mesma, um dia
eu fui lá e pedi novamente vistas ao processo do menor,
o Juiz disse diga para seu advogado fazer uma requisição,
meu advogado prontamente sentou numa mesa da própria delegacia
e fez a requisição e entregou na mão dele:
ele assinou e carimbou : INDEFERIDO!
Eu
perdi minha paciência, chamei o de vagabundo pra baixo!
Fiz um verdadeiro escândalo na porta do juiz, ele saiu da
sala e me disse que o processo não andava porque o menor
estava solto e os menores presos tinham preferência no andamento
dos processos, ai foi a gota d’água que extravagou
meu vaso eu disse a ele aos berros: "ENTÃO VÁ
NO CEMITÉRIO LUTERANO LOTE 13 QUADRA G E SOLTE MEU FILHO,
POIS EU NÃO CONHECO NINGUÉM MAIS PRESO QUE ELE!".
O Juiz se retirou para a sala dele e não saiu de lá,
eu disse aos berros , pois eu vou fazer queixa de você e
do promotor! Seu.............
Sai
dali e fui falar com uma amiga do meu advogado que é a
responsável pelo setor da infância e juventude da
OAB aqui do Paraná, ela ligou para o procurador geral do
estado do Paraná e pediu que ele me atendesse, eu fui lá
no mesmo dia e contei tudo para ele, em 24 horas saiu a sentença
do menor: ele foi condenado a: se tratar com um psiquiatra em
liberdade do trauma causado a ele por ter matado meu filho! E
como ele não poderia voltar para a mesma escola do meu
filho, pois lá havia revolta dos pais e alunos, ele foi
colocado novamente em outra escola – com novas crianças
inocentes como meu filho era!
O
pai dele esta respondendo homicídio culposo, o processo
esta quase sendo arquivado por ser ele réu primário
e o crime ter apenas de 1 a seis anos de prisão, então
ele vai ser condenado apenas a fazer trabalho comunitário
ou pagar cestas básicas. Eu já estive lá
pedindo que o processo do menor fosse juntado ao dele, pois isso
comprova que o pai sabia um mês antes do uso da arma pelo
menor e não tomou providencia, isso foi pedido, mas o processo
esta lá ainda parado. E DETALHE, SÓ NESTA ETAPA
DO PROCESSO VIM DESCOBRIR QUE ALÉM DO TIRO MEU FILHO ESTAVA
COM TRÊS COSTELAS QUEBRADAS – ALIÁS FATO ATÉ
HOJE NÃO EXPLICADO.
Os
conselhos tutelares fazem as escolas de refém e colocam
menores perigosos junto com crianças normais e inocentes,
que ficam a mercê do perigo e os pais nem ficam sabendo
o risco que os seus filhos estão correndo!
Eu
entrei com uma queixa no ministério público denunciando
o Conselho Tutelar, por tudo isso. Mas até para isso foi
um “stress” pois, eu fazendo a denúncia, o
assistente da promotoria dizia: você quer vingança,
tem que perdoar, não pode falar da morte do seu filho com
tanta carga emocional, você ta fazendo esta denúncia,
mas isso não vai dar em nada! E por ai a fora! Olha eu
tive que juntar todo o meu autocontrole para não o mandar
para aquele canto........
Bem
depois que eu falei com o procurador geral do estado e finalmente
saiu a sentença do menor, o Juiz e o promotor da Vara da
Infância e da Juventude me ligaram para dizer que: Eu prejudiquei
a carreira maravilhosa e imaculada deles ao fazer queixa! É
inacreditável a audácia e prepotência do nosso
poder judiciário? Eles fazem o que fazem e nós temos
de apenas ficar quietos!?
E mesmo hoje três anos após o ocorrido, eu não
tenho acesso ao processo do menor, pois é segredo de justiça,
eu queria xerocar alguns itens para poder entrar contra o conselho,
mas não posso!
Até
hoje estou lutando para que a pasta do conselho tutelar do menor
e a pasta completa do processo do menor seja anexado ao processo
do pai, pois provaria que mesmo sabendo dos antecedentes do filho
ele não consumiu com a arma e pior mesmo sabendo do perigo
que seu filho representava levou o meu lá e os deixou sozinhos,
falei com a promotora do caso novamente no mês de novembro
agora de 2005, pedindo isso, ela disse que vai analisar!?
Bem isso é Brasil!
Aqui ninguém assume suas responsabilidades, não
existe Lei e muito menos justiça! E você se reclamar
é considerado um chato ou um saco! Seu filho é assassinado
e você não tem o direito de ver como foi e como esta
sendo apurado o caso! Só os assassinos tem direitos!
Julgue por você mesmo se eu tenho ou não razão!
Indignada, revoltada e triste é pouco diante disso tudo.
E pior eu não consigo para de pensar quantas outras crianças
estão convivendo com o perigo sem elas ou os pais saberem!
Elizabeth
Metynoski
Colaboração: Brasil sem grades