Edição 0114 - 31 de Março de 2006
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REVOLTANTE


O menor que atirou no meu filho estava sendo acompanhado pelo Conselho Tutelar há muito tempo. Ele foi criado pelo pai e avós paternos, uma família de classe média, aqui de Curitiba. Ele já havia sido convidado a se retirar de algumas escolas antes do conselho tutelar o colocar na escola do meu filho, sabendo que ele era Sociopata, conforme laudo psiquiátrico! Não houve qualquer tipo de aviso aos pais que este menor era perigoso.

Em 2002, assumiu uma nova Diretora na escola, que já conhecia o histórico do menor, então vendo que ele ainda estava na escola ela chamou o conselho tutelar e o pai e disse que ele não poderia permanecer lá, pois ele representava risco para os outros alunos,mas o conselho tutelar não fez nada e obrigou a nova diretora a mantê-lo na escola. Em final de março finalmente ele entrou para a sala do meu filho e ai começou o contato entre os dois!

Em abril aconteceram alguns problemas com este menor na escola. Ele não ameaçava as pessoas falando, ele fazia desenhos como de um livrinho em quadrinhos, em abril ele fez um desenho em quadrinhos no verso de uma prova, neste desenho ele colocou como ele ia matar, cortar e consumir com o corpo da Diretora e da coordenadora da escola. Era um desenho com requintes de crueldade onde ele fazia cortes no corpo da diretora e da coordenadora como se fossem aqueles que você vê nos açougues indicando cortes de carnes em um boi e na volta deste desenho, ele desenhou muitas vezes a tal espingarda e em vez de balas ela atirava vários pênis, inclusive havia um pênis enorme desenhado num canto desta prova.

A diretora chamou o pai dele e o conselho tutelar e mostrou a prova, inclusive ela tirou um xerox de todas as provas dos outros alunos, da lista de chamada e fez ele assinar o tal desenho para provar que foi ele, pois o conselho assim mesmo não o retirou e obrigou a escola a ficar com ele. O pai neste dia ouviu da diretora que ele deveria consumir com a tal espingarda e a resposta do pai foi: a espingarda esta bem escondida, mas vou tomar providencias ( a espingarda estava em uma caixa desmontada em três partes em cima de uma prateleira de mais ou menos 1,60 de altura).O conselho tutelar não fez nada, obrigou a escola a manter o menor e nós os pais não fomos avisados do problema.

Em 27 de maio de 2002, meu filho me telefonou no trabalho e pediu para ir brincar na casa do menor, que mora em um bairro próximo do meu, eu perguntei como ele iria lá, ele me disse que o pai do menor viria buscá-lo, eu falei pra minha empregada que ele poderia ir desde que o pai do menor realmente viesse buscar e o trouxesse de volta. Eu não sabia da história do menor e o pai do menor ia estar junto, como recusar?

Quando foi umas 16 horas um bombeiro de nome Assis, ligou no meu trabalho e me disse a queima roupa: Você é mãe do Giorgio Renan, ele acabou de morrer! Eu pirei! Comecei a discutir com o tal Assis, dizendo que era um trote, pois ninguém daria uma noticia destas assim tão, no fim acabei jogando o telefone em cima da mesa e a minha gerente pegou o telefone e falou com o tal bombeiro.

A empresa que eu trabalhava nesta hora praticamente parou, para minha gerente na época que ligasse para minha família e pedisse que alguém de lá fosse ao local, pois eu não acreditava que fosse verdade, ai um diretor nosso se prontificou e foi até o local e eu fui logo atrás no carro da minha gerente, mas achando que não passava de um trote, pois a gente na realidade não quer acreditar. Quando estávamos quase chegando ao local, o celular da minha gerente tocou, era o diretor da nossa empresa, que havia saído antes, dizendo que não era para ela me levar lá! Mas nós já estávamos na rua da casa do menor, onde meu filho estava e este diretor fala alto e eu escutei! Na frente da casa do menor e vi a policia, a ambulância dos bombeiros, o carro do IML e um monte de jornalistas. Pirei de vez, minha gerente estacionou o carro e meu cunhado e dois amigos meus se colocaram nas portas do carro impedindo que eu descesse, pois eu estava fora de controle e só queria descer e ir lá.

Eles não deixaram e me levaram para o hospital, minha pressão estava acima de vinte, lá no hospital o médico me deu duas injeções de sei lá o que e dois comprimidos de Valium (e mesmo assim eu não apaguei!)Foi uma briga, pois eu não queria ficar no hospital nem a tapa e o médico não queria me liberar. Por fim ele me liberou desde que alguém ficasse comigo o tempo todo, monitorando a pressão, minha gerente não me largou um só minuto e sei lá quantos calmantes tomei, me sentia flutuar acima da realidade, tava pirada.


Por volta das 18:30 horas a moça da doação de órgãos me ligou no celular e pediu a doação, eu disse que eu assinava a autorização. Seis meses depois eu soube que a doação não pode ser feita, pois não havia nenhuma gota de sangue no corpo do meu filho para fazer os exames necessários.

O tiro pegou no pescoço (quase decepou) o que fez a veia principal ser cortada e o menor em vez que sair gritando ou entrar em choque por ter atirado no amigo, simplesmente fez massagem cardíaca o que fez o sangue espirrar inteirinho para fora do corpo nas paredes e chão da casa.

Após isso ele ligou na maior calma, para o pai que os havia deixado sozinhos, para a policia e para os bombeiros (eu ouvi a gravação dos bombeiros ele fala como se dissesse: meu amigo acabou de tomar um sorvete! Na maior calma!)

Bem isso foi na segunda feira, o corpo foi liberado mais ou menos a 1:30 da madrugada, eu fui pro cemitério, onde fica a capela para velórios em torno de 2 horas da manhã. Chegando lá o corpo estava já na capela, pois minha família havia providenciado tudo, comprado roupas novas para ele. Havia sido feita uma reconstituição para “esconder” o rombo no pescoço e tirar as marcas de pólvora do rosto, mas mesmo assim ainda ficou. Eu chegando lá, não tinha coragem de ir ver o corpo do meu filho, tentei várias vezes entrar na capela, mas não conseguia simplesmente, fiquei na sala da capela, estava muito mal mesmo!

Fui criar coragem só quando estava amanhecendo o dia, entrei e fui olhar! Ele estava bonito, haviam maquiado e escondido as marcas, perecia dormir.
No dia seguinte vieram todos os parentes, amigos, vizinhos e etc ....Nunca vi tanta gente junta num enterro. Tinha muita gente mesmo.
Os colegas de escola com seus pais, os professores e demais funcionários da escola vieram em peso, meu filho era muito querido por todos, ai a diretora sentou comigo e disse: eu tenho que te contar algo e despejou em cima de mim toda esta história do menor! E do que havia ocorrido na escola, me dizendo que sentia muito e que estaria a minha disposição para ir testemunhar sobre isso tudo, e para tudo o que eu precisasse.

Ela é minha testemunha em todas as etapas do processo, inclusive o testemunho dela esta no processo do menor contando tudo isso, o menor ficou três dias preso, e foi liberado, passando depois diversas vezes em frente a minha casa, parava e ficava me olhando quando eu estava no jardim.

Bem imagine minha surpresa ao saber de toda esta história em pleno enterro do meu filho!A diretora foi comigo e com um advogado meu amigo na delegacia do adolescente e depôs contando tudo isso, o delegado desta delegacia do adolescente Dr. Toledo fez um laudo confirmando que o menor tinha habilidade com a arma. O menor montou e desmontou cinco vezes na frente do delegado.
É uma espingarda antiga, desmontada em três partes, o menor montou-a e colocou a bala e, para atirar, precisava puxar o cão e o gatilho.

O menor deu três depoimentos diferentes, um dizendo que meu filho pediu para ele montar a arma, e que ela disparou ao meu filho tentar tirá-la na mão dele; depois disse que a arma disparou ao cair e bater na quina de uma escada; depois que disparou por acidente ao montar. Só faltou dizer que meu filho atirou nele mesmo ou pediu pra levar o tiro!

Mesmo com isso tudo, laudo do delegado, dizendo que ele tinha habilidade com a arma, os depoimentos conflitantes dele, o depoimento da diretora contando toda história do conselho tutelar e dos desenhos, mesmo com as três costelas do meu filho que apareceram na autópsia quebradas de maneira inexplicável, o menor foi liberado após três dias!

Eu fiquei muito doente, tive choque pós-traumático, engordei 40 kilos, meu cabelo caia como se tivesse feito quimioterapia, minha tiróide para de funcionar, tinha diarréia e enjôo diários, só dormia com soníferos e passava o dia a base de antidepressivos. Só chorava.

Contratei um advogado criminalista para me ajudar e acompanhar o caso, passou um ano de luta, o Juiz nunca permitiu que eu ao menos pudesse ler o processo na delegacia do adolescente só dizia que: o processo corre em segredo de justiça e que mesmo eu sendo mãe da vitima não poderia vê-lo, fui com o advogado diversas vezes na delegacia do adolescente e o Juiz se recusou vistas ao processo em todas as vezes, o promotor me atendia com um ar de "que saco!", só me enrolou, após um ano da morte do meu filho continuava tudo na mesma, um dia eu fui lá e pedi novamente vistas ao processo do menor, o Juiz disse diga para seu advogado fazer uma requisição, meu advogado prontamente sentou numa mesa da própria delegacia e fez a requisição e entregou na mão dele: ele assinou e carimbou : INDEFERIDO!

Eu perdi minha paciência, chamei o de vagabundo pra baixo! Fiz um verdadeiro escândalo na porta do juiz, ele saiu da sala e me disse que o processo não andava porque o menor estava solto e os menores presos tinham preferência no andamento dos processos, ai foi a gota d’água que extravagou meu vaso eu disse a ele aos berros: "ENTÃO VÁ NO CEMITÉRIO LUTERANO LOTE 13 QUADRA G E SOLTE MEU FILHO, POIS EU NÃO CONHECO NINGUÉM MAIS PRESO QUE ELE!". O Juiz se retirou para a sala dele e não saiu de lá, eu disse aos berros , pois eu vou fazer queixa de você e do promotor! Seu.............

Sai dali e fui falar com uma amiga do meu advogado que é a responsável pelo setor da infância e juventude da OAB aqui do Paraná, ela ligou para o procurador geral do estado do Paraná e pediu que ele me atendesse, eu fui lá no mesmo dia e contei tudo para ele, em 24 horas saiu a sentença do menor: ele foi condenado a: se tratar com um psiquiatra em liberdade do trauma causado a ele por ter matado meu filho! E como ele não poderia voltar para a mesma escola do meu filho, pois lá havia revolta dos pais e alunos, ele foi colocado novamente em outra escola – com novas crianças inocentes como meu filho era!

O pai dele esta respondendo homicídio culposo, o processo esta quase sendo arquivado por ser ele réu primário e o crime ter apenas de 1 a seis anos de prisão, então ele vai ser condenado apenas a fazer trabalho comunitário ou pagar cestas básicas. Eu já estive lá pedindo que o processo do menor fosse juntado ao dele, pois isso comprova que o pai sabia um mês antes do uso da arma pelo menor e não tomou providencia, isso foi pedido, mas o processo esta lá ainda parado. E DETALHE, SÓ NESTA ETAPA DO PROCESSO VIM DESCOBRIR QUE ALÉM DO TIRO MEU FILHO ESTAVA COM TRÊS COSTELAS QUEBRADAS – ALIÁS FATO ATÉ HOJE NÃO EXPLICADO.

Os conselhos tutelares fazem as escolas de refém e colocam menores perigosos junto com crianças normais e inocentes, que ficam a mercê do perigo e os pais nem ficam sabendo o risco que os seus filhos estão correndo!

Eu entrei com uma queixa no ministério público denunciando o Conselho Tutelar, por tudo isso. Mas até para isso foi um “stress” pois, eu fazendo a denúncia, o assistente da promotoria dizia: você quer vingança, tem que perdoar, não pode falar da morte do seu filho com tanta carga emocional, você ta fazendo esta denúncia, mas isso não vai dar em nada! E por ai a fora! Olha eu tive que juntar todo o meu autocontrole para não o mandar para aquele canto........

Bem depois que eu falei com o procurador geral do estado e finalmente saiu a sentença do menor, o Juiz e o promotor da Vara da Infância e da Juventude me ligaram para dizer que: Eu prejudiquei a carreira maravilhosa e imaculada deles ao fazer queixa! É inacreditável a audácia e prepotência do nosso poder judiciário? Eles fazem o que fazem e nós temos de apenas ficar quietos!?
E mesmo hoje três anos após o ocorrido, eu não tenho acesso ao processo do menor, pois é segredo de justiça, eu queria xerocar alguns itens para poder entrar contra o conselho, mas não posso!

Até hoje estou lutando para que a pasta do conselho tutelar do menor e a pasta completa do processo do menor seja anexado ao processo do pai, pois provaria que mesmo sabendo dos antecedentes do filho ele não consumiu com a arma e pior mesmo sabendo do perigo que seu filho representava levou o meu lá e os deixou sozinhos, falei com a promotora do caso novamente no mês de novembro agora de 2005, pedindo isso, ela disse que vai analisar!?


Bem isso é Brasil!
Aqui ninguém assume suas responsabilidades, não existe Lei e muito menos justiça! E você se reclamar é considerado um chato ou um saco! Seu filho é assassinado e você não tem o direito de ver como foi e como esta sendo apurado o caso! Só os assassinos tem direitos!
Julgue por você mesmo se eu tenho ou não razão!
Indignada, revoltada e triste é pouco diante disso tudo.
E pior eu não consigo para de pensar quantas outras crianças estão convivendo com o perigo sem elas ou os pais saberem!

Elizabeth Metynoski
Colaboração: Brasil sem grades

 

 

 


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