OS MILITARES E O GOVERNO LULA
A
decisão do governo em aumentar o teto do funcionalismo; os salários
dos ministros do STF e dos procuradores (com seu efeito cascata), tudo
retroativo à janeiro deste ano; em aumentar os salários
das Polícias Civil e Militar do Distrito Federal em 17%, retroativos
ao mês de fevereiro; e de negar, sistematicamente, o reajuste
de 23% prometido às Forças Armadas, para janeiro desse
ano, parece uma manobra deliberada do Presidente da República
e de seus assessores mais próximos para levar os militares ao
desespero, com o agravamento, insustentável, da sua situação
financeira e pelo descontentamento pela diferença no trato.
É visível o desgaste das Forças Armadas, tanto
internamente (problemas de indisciplina e de desmantelamento), quanto
externamente (desmoralização perante a opinião
pública).
Parece que a intenção do governo, com esse fustigamento
às FF AA e desrespeito às promessas feitas, é a
de levar os militares à indignação e ao confronto,
o que seria aproveitado deliberadamente para criar um novo factóide,
e passar de réu que é, ante a justiça e à
opinião pública, para a situação de vítima.
Caso as manifestações dos sargentos continuem num crescendo,
o único que tem a lucrar com isso é o governo. Em qualquer
situação ele seria beneficiado. Caso os manifestantes
fossem reprimidos, ficaria evidente a existência de uma rebelião,
como a de 1964. O aumento prometido não seria dado, Lula sairia
fortalecido e a já combalida liderança dos chefes militares
cairia totalmente. Caso os manifestantes não fossem reprimidos
e recebessem a adesão de seus companheiros, as FF AA seriam apresentadas
ao povo como golpistas, tentando derrubar um governo democrático,
eleito pelo povo. O foco mudaria totalmente. O governo Lula, acuado
e combatido pela corrupção, passaria de réu à
cômoda, conveniente e oportuna situação de vítima,
tudo se encaminhando para mais quatro anos de governo petista.
Sempre é bom lembrar que atualmente não existe, como em
1964, a falência das instituições. Hoje o que campeia
é a corrupção e não a subversão.
As nossa instituições, pressionadas pela opinião
pública e pela mídia, estão realizando o seu papel
na apuração dos fatos e espera-se pela punição
e afastamento dos corruptos e indesejáveis.
Assim, nos parece que a melhor solução seria esclarecer
a tropa, a respeito de tudo o que está acontecendo, num diálogo
franco, aberto e sincero dos Comandantes das Unidades Militares com
os seus subordinados. Os Comandantes da Marinha, do Exército,
e da Aeronáutica, numa atitude firme, deveriam exigir o pagamento
imediato dos 23% prometidos para janeiro e, se não forem atendidos,
os três pediriam demissão, em conjunto. Esta seria a única
maneira de voltarem a ser respeitados pela tropa. Os que os substituissem,
sem demostrar apego ao cargo e suas benesses, deveriam agir da mesma
maneira e assim por diante. Cremos que assim procedendo passaremos ao
povo a idéia de que não estamos aceitando, passivamente,
a desmoralização das FF AA . No final, seremos vencedores
e continuaremos a ser respeitados pela opinião pública,
pela imprensa, e pelas pessoas de bem deste país.
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