|
Excelentíssimo Senhor General de Divisão
ANTONIO GABRIEL ESPER
Inicialmente
permita-me apresentar minha respeitosa saudação a
Vossa Excelência, como representante do Exmº Sr. Comandante
do Exército Brasileiro. Em razão do INFORMEX NR 053
de 27 de novembro do corrente venho à presença do
Ilustre Comandante para expor a Vossa Excelência algumas questões
que julgo da maior relevância para a respeitabilidade não
só de nossa gloriosa Força Terrestre, como dos destinos
das demais Forças Singulares. Não paira a menor dúvida
de que nossos irmãos de armas do Exército constituem
um patrimônio moral inseparável da Nação
Brasileira face ao amor incondicional e indivisível que tem
demonstrado em diversas ocasiões na História da nacionalidade
Brasileira, e que se fundem numa essência única de
deveres e compromissos inegociáveis.
Nesse contexto, vejo com preocupação o avanço
– entre todos os militares das Forças Armadas - da
Ativa ou da Reserva, e mesmo entre os Reformados, da inconformidade
de como o Comando da maior força operacional nacional tem
conduzido a questão relativa aos princípios norteadores
da Revolução de 31 de março de 1964. Cito esse
episódio, p orque a Revolução de 31 de março
de 1964 foi o divisor de águas da própria História
das nossas Forças Armadas, antes e depois de seu acontecimento.
A desordem, a indisciplina, o ódio pelos valores nacionais,
que levaram ao seu desenlace, inicialmente de forma solerte e insidiosa,
até o momento que que os inimigos da Pátria se sentiram
fortes para tentar desagregar a Nação Brasileira,
hoje subsiste em nosso País uma campanha grosseira e insultuosa,
patrocinado por uma imprensa comprada por benesses fiscais e de
propaganda oficial inserida em suas páginas, e pelos terroristas
de outrora , que anistiados mesmo por terem traído sua Pátria
por motivos torpes, retornaram ao País e se encastelaram
nos diversos escalões do poder, onde continuam exercendo
sua nefasta atividade , assaltando os cofres públicos, desafiando
a moral e os bons costumes, aliciando consciências, propiciando
lucros fabulosos aos banqueiros famintos de lucros fáceis,
prometendo aos desassistidos graças nunca alcançadas,
e mais do que isso, permitindo a destruição de nossa
juventude pelo exemplo daninho de que aos espertos tudo se permite
.
A
insegurança pública foi levada às últimas
consequências, com a deteriorização do estado
policial , os latrocínios sendo patrocinados pelo consumo
cada dia maior de drogas , e o armamentos que circula livremente
pelo País, muitas vezes patrocinado pelo próprio aparelho
policial que chega a desviar esses produtos apreendidos para armar
as quadrilhas de assaltantes e traficantes. Empregando
o mesmo ideário, ora torpe e cruento como é o caso
das FARC da Colômbia, alimentam esses terroristas, travestidos
de nacionalistas, o não menos e violento grupo de quadrilheiros
armado como é o caso do MST - braço revolucionário
do Partido dos Trabalhadores, o qual infelizmente, dá a base
ao atual Governo .
O período que se seguiu à Revolução
de 1964, dos governos militares, trouxe a restauração
da autoridade, da segurança, e a retomada da ordem e dos
princípios basilares de nossa formação Histórica
: Liberdade com Responsabilidade. Com a morte do eleito, mas não
empossado Presidente da República Tancredo Neves, o qual
se caracterizou por nunca ter acabado nada do que começou,
e a assunção ao poder de José Sarney, em uma
interpretação equivocada e tendenciosa da Constituição
Brasileira , os aproveitadores de plantão começaram
a se apossar dos diferentes níveis do governo promovendo
o saque de nossas riquezas, vendendo todas as conquistas econômicas
conquistadas pelo período militar a preço de banana
, enganando uns poucos tolos o bastante para pensar que planos econômicos
do tipo Bresser e outros iriam tirar o País do infortúnio
em que se encontrava . Os equívocos cometidos, para não
usar palavras mais fortes, estão confirmando as sistemáticas
crises que o País atravessa. Ao
longo dos anos que se seguiram após os militares terem se
retirado do cenário nacional , vieram sendo gradativamente
negligenciadas, e mesmo relegadas ao esquecimento, as datas representativas
dos enormes triunfos que a Nação alcançou naquele
período, até chegarmos ao ponto de não serem
siquer lembrados o culto que devemos aos inúmeros companheiros
que deram sua vida pelo amor à Pátria e às
Forças Armadas Brasileiras , por um Brasil livre, no combate
à subversão e ao terrorismo internacional.
Após a Anistia daqueles que procuraram destruir os valores
morais da Pátria, e que foi promovida pelos militares de
forma humanitária, com o sentido de que lugar de brasileiro
é no Brasil , o que estamos assistindo estarrecidos é
a fortuna que está sendo desviada dos cofres públicos
para indenizar terroristas e para levar ao Poder os inimigos da
Pátria , em milionárias indenizações
e aposentadorias dos que se fizeram de "perseguidos pelo Regime
Militar"; não faltou dinheiro para a compra de avião
novo para a Presidência nem para patrocinar suas verdadeiras
viagens turísticas pelo mundo; existem recursos para a compra
de apoio de parlamentares da Câmara e do Senado; existem recursos
para manter o MST, em todo o país, invadindo propriedades
privadas e prédios públicos, e, tão abastado
está o Tesouro, a ponto de levar o Presidente, de modo unilateral,
a perdoar dívidas de outros países para com o Brasil
. No entanto, "não existem recursos" para dar vencimentos
condignos aos que, diuturnamente e devotadamente, se dedicaram a
servir a Pátria.
O
inconcebível em tudo isso, em que pese a força que
temos, é ver nossas mulheres cerceadas com violência,
pelos próprios militares a serviço do Governo aí
instituído, em seu direito de protestar por melhores salários
para seus maridos, em passeatas de protesto, a pressionar um Governo
que nos é totalmente adverso e perverso. Em
retribuição, o que estamos assistindo é serem
as Forças Armadas serem diuturnamente vilipendiadas em sua
honra e dignidade, sem que uma voz sequer de seus Comandantes, lhes
venha em socorro. No
caso do aumento dos militares, os Comandadantes das Forças
Singulares foram seguidamente desrespeitados, aguardando nas ante-salas
do Palácio do Governo serem recebidas pelo mandatário
supremo da Nação, o qual fez questão de humilhá-los
publicamente. E enquanto outras categorias de funcionários,
recebiam aumentos substanciais com retroatividade até do
início do ano fiscal, os militares foram agraciados com uma
esmola de 13% , sem que tenha ficado garantido que os restantes
10% sejam pagos no meio do ano que vem.
Poderíamos até aceitar se estivessemos sofrendo por
desmandos cometidos durante os governos militares , como por exemplo
os ocorridos na Argentina . Mas tais fatos simplesmente não
ocorreram por parte de nossos militares, e se exessos foram cometidos,
o foram em defesa das instituições, desafiadas por
facínoras travestidos de soldados da democracia, mas na realidade
ladrões de banco e a soldo de governos estrangeiros como
Cuba e a da URSS, que a mídia e os historiadores medíocres
não se cansam de proclamar como heróis nacionalistas.
O
que nós militares estamos a vivenciar, e apesar de estar
já Reformado me considero ainda um militar porquanto enquanto
de mim a Pátria necessitar estarei pronto para defendê-la,
é o desgaste das Forças Armadas (particularmente do
Exército), como Instituições.
No
INFORMEX publicada pelo Comando do Exército, a Intentona
Comunista , motivo maior de sua publicação, foi citada
como Acontecimentos, procurando a meu ver o CComEx livrar-se de
usar as duas macabras palavras que ensangüentaram o Brasil
em 1935, quando traidores brasileiros, como Luiz Carlos Prestes
e Apolônio de Carvalho, com o prestimoso auxílio do
"ouro de Moscou", causaram a morte de 33 militares e mais
de 1000 civis. "Intentona", segundo o Aurélio,
é 1. "intento louco, plano insensato". 2. "conluio
e/ou tentativa de motim ou revolta". Quanto à palavra
"comunista", nem é preciso definir o que sempre
pretendeu o partido do atual presidente da Câmara dos Deputados,
eleito pela Frente do Mensalão . Segue-se o texto de que
ultrapassados os conflitos ideológicos do século XX
, celebramos em nosso País um tempo novo, de entendimento
e reconciliação ... Permita-se V. Exª discordar
dessa acertiva, já que ela talvez possa ser verdadeira para
alguns partidos de esquerda europeus, mas não para os deste
País, já que o PCdoB, o PSTU e o PSol ainda vivem
neste século tendo como ícones tipos como Fidel Castro
e Che Guevara e Hugo Chávez. E o que prega o MST, senão
a criação de sovietes em todo o território
rural brasileiro? Não podemos aceitar que o Exército,
através de seu Centro de Comunicação Social,
ainda acredite que os conflitos ideológicos do século
passado estejam simplesmente ultrapassados.
Diz
ainda a Nota que celebramos em nosso País um tempo novo,
de entendimento e reconciliação , mas o que vemos
e sentimos no dia a dia de nossas existências, é uma
campanha sistemática da mídia, infestada pelas esquerdas,
contra as Forças Armadas, o que evidentemente não
se configura como entendimento e reconciliação. Não
vejo porque o que o Exército deva estar procurando promover
a "reconciliação" com a sociedade brasileira
, já que tirando as elites esquerdistas e os peçonhentos
traidores da Pátria hoje arvorados em defensores da Nação,
o povo brasileiro lembra com saudades aquele tempo em que era feliz
e não sabia.
O
Exército sempre teve esse espírito democrático,
desde Caxias e suas campanhas pacifistas, e a Força Terrestre
não vem se comportando de modo diferente depois do governo
dos militares (1964 a 1985). O problema é que o CCOMEX deve
ter se esquecido de avisar isso aos Genoínos e aos Zés
Dirceus que ainda sonham em implantar no Brasil o "paraíso
cubano". E também se esqueceu de lembrar à Sua
Excelência, o Presidente LULA que ele chorou a morte de um
facínora, Apolônio de Carvalho, um dos assassinos que
promoveram o levante de 1935. Não pode haver "entendimento"
nem "reconciliação" da Nação
se o próprio comandante-em-chefe das Forças Armadas
apóia traidores, em nítida demonstração
de repúdio às ações dos militares que
combateram no passado os traidores da Pátria.
Essa
"superação" pode ser comprovada nos mais
novos projetos do governo Lula, como a imposição aos
Comandos Militares da abertura dos arquivos militares, até
dezembro de 2005, porém com restrições, para
não "constranger" pessoas citadas nos dossiês
dos serviços de informações, como afirmou a
ex-guerrilheira da VAR Palmares, atualmente Ministra da Casa Civil
Dilma Roussef. Ou seja, tudo o que possa denegrir as Forças
Armadas será de domínio público ; tudo o que
possa denegrir a imagem dos terroristas será devidamente
censurado, escondido da população. E mais, para 2006,
está prevista a construção do "Memorial
da Intolerância", em Brasília, com verba oriunda
de estatais, como a Caixa Econômica. Obviamente, tal "memorial"
não irá trazer a público os crimes cometidos
pelo PCB de Prestes, pela VPR de Lamarca, pelo MR-8 de Gabeira,
pela ANL de Marighela, a tortura e morte do tenente da PM paulista,
Alberto Mendes Júnior, a morte do soldado Mário Kozel
Filho, explodido numa guarita durante o serviço, e tantos
outros crimes de grupos terroristas atuantes nos "anos de dinamite"
das décadas de 1960 e 70, com José Dirceu. Apenas
os "crimes" e as "torturas" dos órgãos
de segurança que combateram a canalha vermelha serão
apresentados em tal "memorial" que, muito provavelmente
passará a ser denominado de "Memorial da Ditadura".
Senhor
General ANTONIO GABRIEL ESPER, não só nós os
militares, mas todo o povo brasileiro, estamos vivemos um momento
de insegurança nunca dantes vivenciado. Não se tem
mais tranqüilidade ; nenhum homem de bem pode, atualmente,
transitar despreocupado e seguro em qualquer Região do Brasil.
A bandidagem sim, esta circula impune e livre; impõe suas
regras; delimita seu território, excluindo, por supremo absurdo,
a ação do próprio Estado. Tudo isso porque
o Estado Nacional é débil; o Governo finge-se de incapaz,
e é acima de tudo demagogo porque não há comando,
e, porque, a corrupção impera – de forma deslavada
e escancarado – no seio do Poder.
Vossa
Excelência, como bem citou em sua Circular, à Instituição
Exército cabe hoje, como no passado, atuar de forma integrada
à sociedade brasileira - da qual, com orgulho, é parte
ponderável - para a conquista dos objetivos longamente perseguidos
por toda a Nação. Já como indivíduos,
soldados e famílias de soldados, cidadãos que somos,
são também nossos os anseios de todos os brasileiros.
A farda não abafa o cidadão no peito do soldado, no
dizer magistral do Marechal Osório. Animados desse espírito,
vemos a superação de desavenças passadas a
iluminar a convivência nacional, de forma a continuarmos caminhando,
ombro a ombro, rumo à construção de um amanhã
próspero e feliz, e jamais há de esquecer as lições
do passado nem os exemplos de dignidade que nos foram transmitidos
por nossos antecessores.
Mas, Excelência, nossa preocupação é
com o silêncio de nossos Chefes ,com a implícita conformidade
ante todos os ataques que nos dirigem, ante a perseguição
sem trégua e sem indicativo de que um dia terá término.
Nossa convicção, Digno Comandante, é a de que
nossas Forças Armadas vêm perdendo o rumo. Todos temos
a maior certeza de que o futuro de todo militar da Ativa é
a Reserva e depois a Reforma. Quando deixamos a Ativa, embora psico-
logicamente preparados, sentimos uma grande sensação
de perda. Mas nem vamos nos referir à indiferença
com que os militares da Ativa tratam os militares da Reserva, ou
mesmo os Reformados. Mas quer nos parecer que nós, os da
Reserva e os Reformados, estamos mais preocupados em cultuar nossos
antecessores , que nos legaram essas instituições
as quaisaprendemos a amar, e aos quais cultuamos pela grande dedicação
com que as transmitiram para nós. Assistimos entristecidos
em ver desaparelhamento de nossas Forças Armadas, o enfraquecimento
do moral de nossos irmãos de armas, e os sinais de que se
nada for feito, elas simplesmente se desfarão como grãos
de areia. Não
lhe peço escusas pela franqueza desta minha manifestação,
mesmo porque,
não viceja em meu espírito a mínima intenção
de melindrar Vossa Excelência
e o Exército Nacional, muito menos seu Comandante. Sou
um ex-militar disciplinado e tenho a hierarquia como dogma. O que
não posso
é ficar alheio à época em que vivo nem relegar
à inércia meus princípios de
cidadão e de soldado.
Senhor General : as palavras do Informex seriam irretocáveis
se a linguagem tivesse
sido simples e direta, dizendo ao jovem soldado que ingressou este
ano
no Exército, que em 1935 traidores comunistas assaltaram
quartéis brasileiros,
mataram friamente companheiros de farda, alguns enquanto dormiam,
para tentar implantar um governo marxista- stalinista no Brasil.
Nesse
caso, aqui estaria não só eu, como centenas de milhares
de militares de
todas as Forças Singulares , aplaudindo de pé a palavra
de V. Exª e apresentando
nosso respeito ao Exército Brasileiro..
Respeitosamente,
Percival de Araujo Costa
Capitão
de Mar e Guerra Reformado
|