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Internacionalização da Amazônia.
Na
Amazônia brasileira, as fronteiras estão indefinidas.
Índios recusam-se a se considerar brasileiros, ONG’s
mundiais atuam livremente e o fantasma da internacionalização
leva as forças armadas a realizar manobras de defesa. O País
vai perder território?
As fronteiras brasileiras estão sendo redefinidas, para menos.
Na Amazônia, numa faixa de mais de 5 mil quilômetros
que separa o Brasil de sete países vizinhos já não
é possível circular livremente, nem mesmo por rodovias
federais. Para passar pelas cancelas instaladas nas estradas, só
com a anuência dos índios, donos, por decreto, de uma
área equivalente a duas vezes o território de Portugal.
Os índios dizem que aquilo não é mais terra
de brasileiros e muitos se recusam até a se definirem como
brasileiros. Mesmo aviões de carreira são impedidos
de usar rotas por ali – é como se o espaço aéreo
da região não fosse nacional. As aeronaves são
obrigadas a desviar, aumentando custos de vôos e desconforto
para passageiros. Cidadãos brasileiros não podem exercer
na região – riquíssima em recursos naturais
– qualquer atividade econômica. Despovoadas, essas terras
ditas brasileiras hoje se confundem com parques nacionais criados
na Venezuela e na Guiana, formando uma zona inter-nacional sujeita
a qualquer tipo de ingerência externa. Do lado brasileiro,
multiplicam-se as queixas de que apenas estrangeiros têm acesso
facilitado às reservas. O índice de invasão
dos céus da região por aviões suspeitos de
contrabando e narcotráfico aumentou 20% desde o início
do ano. Na selva, garimpeiros e guerrilheiros das Farc colombianas
trilham caminhos dos dois lados da floresta. Ali, onde as áreas
indígenas somam mais de 60 milhões de hectares, o
Brasil está perdendo o Brasil.
ALERTA
TOTAL Soldados têm ordens de atirar ao sinal de presença
inimiga
“Estamos atentos a esse conjunto de problemas”, reconheceu
à DINHEIRO o general Paulo Studart, comandante das tropas
brasileiras situadas em Roraima. Com franqueza e cautela, ele admite:
“Detectamos um ambiente internacional que pode nos levar,
a médio prazo, a uma situação de defesa territorial
efetiva”. Nas próximas semanas, Exército, Marinha
e Aeronáutica desencadeiam a edição 2004 da
Operação Timbó, que irá mobilizar cerca
de 22 mil soldados. “Vamos esquadrinhar toda a nossa fronteira”,
assegura o general Studart. Nos exercícios preliminares à
operação, DINHEIRO acompanhou um pelotão do
Exército em sua exaustiva ação militar. Rostos
pintados com tinta verde escura, uniformes camuflados e levando
sobre o corpo mais de 20 quilos de equipamentos, nossos soldados,
vindos de todas as regiões do País, enfrentam os rigores
da selva sob ordens rígidas. Ao encontro do inimigo, tenta-se
uma primeira palavra de diálogo. Em sinal negativo, abre-se
fogo. Pela faixa fronteiriça, patrulhas costumam sair em
missões com volta programada ao quartel apenas depois de
48 horas de buscas. “Eles sabem a hora de sair, não
a de voltar”, afirma o major brasileiro Marcos José
Viana.
NAS
MANOBRAS Pelotões têm autonomia de dois dias de sobrevivência
na selva
Na Amazônia, há uma suspeita generalizada de que dentro
das áreas indígenas uma dezena de organizações
estrangeiras opera ações de domínio territorial
e cultural dos índios – e, portanto, de um rico pedaço
do Brasil. No final do ano passado, na sede do Comando Militar da
Amazônia, em Manaus, uma reunião chamada Operação
Porteira Fechada mobilizou representantes das forças de segurança
da região. “Com gráficos e slides, os militares
mostraram que as áreas indígenas coincidem com jazidas
de diamante e nascentes de água potável”, lembra
o secretário de Segurança de Roraima, Francisco Sá
Cavalcante. Nessa zona cinzenta que é Brasil mas tem ocupação
exclusiva de índios amparados por ONGs estrangeiras há,
segundo os mapas militares, reservas de cassiterita, urânio,
nióbio e molibdênio, esses últimos metais utilizados
pela indústria aeroespacial.
“Há
uma partida geopolítica poderosa sendo jogada neste momento
na Amazônia”, diz o ex-ministro do Exército Leônidas
Pires Gonçalves. Seguidos informes a Brasília emitidos
por chefes militares brasileiros da região amazônica
levaram o Ministério da Defesa a não aplicar, ali,
o regime de contenção de despesas e de pessoal em
curso no resto do País. “Existem ameaças sérias
sobre o território brasileiro”, afirma o ministro da
Coordenação Política, Aldo Rebelo. “A
Amazônia é nossa prioridade de defesa.”
Até o final do ano, o Exército planeja instalar, de
maneira permanente, mais três mil homens. Hoje com quatro
bases aéreas na região, a Aeronáutica está
construindo mais duas e tem projeto para outras três. A de
Boa Vista, chefiada pelo tenente aviador Alexandre de Assis, foi
ampliada. Ele lembra que o sistema de radares do Sivam tem-se mostrado
eficiente no monitoramento dos céus da Amazônia, mas
faltam instrumentos legais aos nossos pilotos para interceptar aparelhos
desconhecidos ou hostis. “Semanalmente há eventos de
invasão sobre nosso espaço aéreo”, diz
o comandante Assis. Está no gabinete do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva a chamada Lei do Abate, que irá permitir que
forças brasileiras ataquem aviões inimigos no espaço
aéreo nacional. Os Estados Unidos pressionam para que a legislação,
aprovada pelo Congresso, não seja sancionada.
Nada
menos que 46% da área do Estado de Roraima, neste momento,
não pode ser ocupada economicamente em razão de reservas
indígenas já demarcadas. Ali dentro, ao contrário
do que se estuda nas escolas, em que tudo ainda é Brasil,
para dezenas de organizações estrangeiras o que existe
é, sim, a Nação Ianomami, com seus 9,7 milhões
de hectares na fronteira com a Venezuela. Nesta imensa área
virgem vivem 11 mil ianomamis. “Eu achava tudo isso paranóia,
mas hoje acredito que é possível uma reserva indígena
declarar independência do Brasil e obter reconhecimento imediato
dos Estados Unidos”, alerta o ex-ministro Delfim Netto. Dias
atrás, Delfim publicou artigo em que arrolou declarações
de líderes estrangeiros sobre a desnacionalização
da Amazônia. “Diferentemente do que pensam os brasileiros,
a Amazônia não é deles, mas de todos nós”,
disse o então futuro vice-presidente americano Al Gore, em
1989. No mesmo ano, o francês François Mitterrand ecoava:
“O Brasil tem de aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia”.
O
fantasma de internacionalização da Amazônia
tem uma espinha dorsal bastante sólida. Áreas exclusivas
para índios já formam um corredor que nasce na Guiana
e se estende até a apenas 120 quilômetros de Manaus.
Espera-se para os próximos dias uma decisão do Supremo
Tribunal Federal que poderá conceder mais 1,7 milhão
de hectares aos índios em Roraima. Veteranos da região
estão alarmados. “Os europeus chegaram ao coração
da Amazônia”, sublinha o major da reserva Arnulf Bantel,
piloto da Aeronáutica com larga experiência na fronteira.
Por todas estas razões, a intenção das Forças
Armadas é blindar a Amazônia, missão em tudo
estratégica diante dos ataques aos contornos históricos
do Brasil.
Colaboração:
Gerhard Erich Boehme
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