ESTA
CARTA, DE UMA JUÍZA, FOI ESCRITA
ANTES DE O ATUAL GOVERNO ASSUMIR O PODER.
Você
me pediu, há alguns dias, que eu lhe fornecesse alguns exemplos
palpáveis de atuação da esquerda, por não
acreditar na possibilidade de que ela viesse a tomar o poder no
Brasil. Pois bem, vamos lá, queridíssimo. Espero que
eu me faça entender. Se nem que seja daqui a trinta anos
você me der razão, eu já ficarei satisfeita,
lá do assento etéreo em que certamente me encontrarei.
Antes de mais nada, impõe-se um breve resumo sobre o surgimento
da esquerda. As expressões “direita”, “centro”
e “esquerda” derivam da posição ocupada
na Assembléia pelos “partidos” que se formaram
na Revolução Francesa (1789): à direita sentavam-se
os girondinos (favoráveis à manutenção
da monarquia), ao centro ficavam os montanheses (moderados, que
queriam mudanças sem radicalismos) e à esquerda os
jacobinos (absolutamente radicais, que queriam a total transformação
do Estado e de suas relações com a sociedade). Exemplos
destes últimos foram Robespierre (o “incorruptível”),
Danton (cuja vida foi retratada - e mal - em um filme estrelado
por Gérard Depardieu), Marat (dono do jornal “L´Ami
du Peuple”, assassinado por Charlotte Corday, cuja cabeça
estava impregnada das idéias de Rousseau), todos eles decepados
pelo artefato criado pelo Dr. Guillotin (também guilhotinado).
As idéias que predominavam naquele tempo - oriundas, por
sua vez, do Iluminismo francês, filho do racionalismo - não
eram, em seu objetivo, más. Ao contrário: visavam
acabar com um regime opressivo, sem dúvida, oferecendo-lhe
maior resistência, através de limitações
ao poder monárquico. O problema nasceu quando, ao mesmo tempo
em que pregava a liberdade, a Revolução pretendeu
estabelecer a igualdade de todos (veja, a respeito, o maravilhoso
livro de J. O. de Meira Penna, “A Ideologia do Século
XX”). Ora, das duas uma: ou as pessoas têm liberdade,
ou são iguais entre si. A igualdade pressupõe a ausência
de liberdade, e vice-versa. Aliás, a igualdade é um
dos maiores descalabros que alguém pode pretender implantar,
uma vez que a desigualdade é a marca de todos os seres -
animados e inanimados - que existem sobre a face da Terra (e faz
parte do reino das “possibilidades universais”, que
Olavo de Carvalho explica tão bem em várias de suas
obras). Isso é tão verdadeiro, que mesmo a igualdade
perante a lei (em tese, maravilhoso) admite exceções,
como nós, juízes, sabemos muito bem: inimputabilidade,
ausência de punibilidade, atenuantes ou agravantes da pena,
entre outras hipóteses. E nem poderia ser diferente, já
que uns nascem pobres, outros ricos, uns feios outros bonitos, uns
brancos outros negros ou amarelos, uns inteligentes outros estúpidos,
uns sadios outros doentes, e assim por diante.
Mas voltemos à Revolução Francesa. Com essa
idéia de igualdade, não faltaram doutrinadores a quererem
implantá-la a qualquer custo. Surgiram, então, os
socialistas utópicos (Proudhon, Owen, Saint-Simon, Fourier,
etc.) e, mais tarde, os socialistas-marxistas, influenciados por
seu idealizador, Karl Marx. As idéias revolucionárias
foram sendo, pouco a pouco, desvirtuadas de seu rumo inicial, como
resultado da ação interventora da mente deturpada
dos homens, dando origem às mais variadas “filosofias”.
Se fizermos uma linha evolutiva, teremos, em linhas gerais, a seguinte
figura:
| teocentrismo |
antropocentrismo |
racionalismo |
| iluminismo |
Revolução
Francesa |
socialismo
utópico |
| marxismo |
evolucionismo** |
1a.
guerra mundial |
| totalitarismo
(fascismo, nazismo e comunismo) |
2a.
guerra mundial |
revolução
social |
| revolução
de costumes (liberdade sexual, drogas, pseudopsicologia e outros
“pseudos”, destruição da família,
etc.) |
anarquia
mental, moral e intelectual de nossos tempos. |
|
**não
é propriamente derivado do marxismo, mas constituiu uma doutrina
muito em voga no século XIX (ex: Spencer), que de certa forma
contrapunha-se à igualdade pregada pelos esquerdistas, tentando
“provar” a superioridade da raça branca sobre
as demais.
Depois de ter tomado o seu espaço, a esquerda passou a avançar
a passos largos, embora seu objeto de fundo não seja mais
a “igualdade” entre todos (mera bandeira), mas sim a
ânsia de poder. Se assim não fosse, os ditadores comunistas
não ficariam tanto tempo no poder (Stalin, Lênin, Pol-Pot,
Fidel, Mao, Ceucescu). Mas enquanto eles sempre viveram em fausto,
o povo mal tinha o que comer.
Agora vamos ao Brasil, pátria amada, idolatrada, salve, salve!
Em primeiro lugar, é preciso entender que a esquerda brasileira
não está isolada, como em uma ilha. Ela se articula
com a esquerda internacional, que continua vivíssima apesar
da queda do muro de Berlim e do desmoronamento da URSS. Só
para você ter uma idéia, todo o dinheiro da KGB (uma
fortuna incalculável) foi pulverizado em várias ONGs
e outras entidades ou instituições pelo mundo afora,
para financiar as mais variadas ações ideológicas
marxistas, como, por exemplo:
1. bancar o juiz espanhol Baltazar Garzón
(e todo o esquema judiciário internacional) para que ele
providenciasse a condenação de Pinochet. Prova disso
é que Fidel, que matou (e continua matando em seus 43 anos
de “democracia”) muito mais gente do que ele, não
foi e nem será minimamente molestado (não é
estranho?);
2. criar o Comitê Internacional de Direitos
Humanos, que na verdade somente acorre, com gritos e ranger de dentes,
quando algum sem-terra, seqüestrador, narcotraficante, político
de esquerda, presidiário ou “excluído”
é, de alguma forma, “maltratado”;
3. criar, nos Estados Unidos, um movimento de grandes
proporções – que hoje preocupa muito o governo
americano – para reivindicar a indenização aos
descendentes de escravos (cuja soma, se for realmente paga, já
chega perto de 10 trilhões de dólares!!!). Pode ter
certeza de que logo, logo essa idéia estará agitando
os negros no Brasil. Já pensou se a moda pega? Por que não
pagar indenização também aos egípcios,
todos eles descendentes de escravos ao tempo dos faraós?
E aos romanos? E aos descendentes dos japoneses de Hiroshima e Nagasaki?
E aos descendentes dos negros escravos dos demais países
latino-americanos? E aos descendentes de negros que foram vendidos
como escravos à Inglaterra pelos chefes de suas próprias
tribos africanas, cobrando a indenização diretamente
de seus países do origem - Angola, Moçambique, etc?
E..?
4. fomentar a luta de classes em todos os países
(principalmente os menos desenvolvidos), com idéias do tipo
“racismo”, “desigualdades sociais” e coisas
do gênero;
5. estimular a luta de classes entre os países, criando um
ódio idiota aos americanos (e de países pobres contra
países ricos) e exacerbando o nacionalismo inconseqüente
(que nada tem a ver com patriotismo), que só tem gerado desgraças
desde o início do século XX (recomendo, uma vez mais,
a leitura de “A Ideologia do Século XX”, do Embaixador
Meira Penna, que trata muito bem do assunto).
E assim por diante.
Por outro lado, a esquerda não representa uma corrente única
de pensamento. Já lhe falei antes que há várias
linhas de atuação: a trotskista (prega a “revolução
permanente”), a stalinista-leninista (prega a corrupção
dos costumes e do governo, além da luta armada), a maoísta
(prega a luta armada, com todo tipo de violência - recentemente
foram executados 24 chineses e outras dezenas foram presos pelo
simples fato de professarem a fé cristã, proibida
na China), a cubana (prega a luta armada pelo “foquismo”)
e a gramsciana (prega a “hegemonia”, pelo “intelectual
coletivo”, e a “ocupação de espaços”).
E mesmo cada uma dessas linhas apresenta variantes, conforme seus
integrantes sejam mais ou menos radicais.
Assim sendo, hoje em dia é muito difícil, para quem
não está habituado com essas técnicas, reconhecer
como elas se evidenciam. Mas vou tentar lhe dar umas amostras, principalmente
da via gramsciana, conforme lhe prometi. Até porque ela é
hoje a mais empregada nesta “terra brasilis”. Aqui vão
elas:
I. Hegemonia: consiste na criação
de uma mentalidade praticamente unificada em torno de determinadas
questões, fazendo com que a população acredite
ser correta esta ou aquela medida, este ou aquele critério,
esta ou aquela “análise de situação”,
etc., de modo que quando a esquerda já tiver tomado o poder,
mediante as demais técnicas (uma das quais pode ser, em tese,
a revolucionária), não haja qualquer resistência
por parte do povo (sim, porque o poder tomado pela violência
da luta armada gera sempre oposições viscerais, é
claro). Isso é feito com a ajuda do “intelectual coletivo”
formado por “intelectualóides” de toda sorte,
como professores - principalmente universitários (porque
o jovem é um caldo de cultura excelente para isso) - e a
mídia (jornalistas também “intelectualóides”).
O mercado editorial, como já lhe disse mais de uma vez, também
está totalmente “patrulhado” pela esquerda. Dificilmente
você encontrará obras de um Eric Voegelin (um dos maiores
pensadores do século XX) ou de qualquer outro autor liberal
ou que se posicione contra a esquerda. O famosíssimo livro
de Luís Mir, “A Revolução Impossível”,
que retrata a luta da esquerda, de 1935 para cá, para implantar
o comunismo no Brasil, simplesmente desapareceu das livrarias e
você não o encontra nem em sebos (pode tentar, se quiser).
Veja como é elucidativa a afirmação de Louise
Beaudoin, representante do Quebec no Fórum Social Mundial,
em Porto Alegre (“Minha língua é minha pátria”,
Correio Braziliense, Opinião, 14.02.02):
“Fizemos com que a distribuição de livros fosse
conservada em mãos quebequenses, pois sabemos que, a partir
daí, aquele que faz a distribuição controla
a “torneira” cultural.”
É exatamente isso o que vem acontecendo no Brasil, há
muito tempo. Você encontra, em profusão, livros do
tipo “Os Filhos da Flecha do Tempo” e outros da mesma
linha (para não falar no besteirol de Paulo Coelho e nas
obrinhas de auto-ajuda), mas não encontra livros (a não
ser com enorme dificuldade) que realmente o levem a pensar, a filosofar
com isenção, a conhecer os fatos como eles realmente
se passaram. Tudo é distorcido com a maior cara de pau, e
acaba virando uma “verdade”. Aliás, Hegel, em
quem Marx muito se inspirou, já dizia que “se os fatos
contradizem as minhas teses, pior para os fatos!”.
A técnica da hegemonia pode ser usada mediante um trabalho
paulatino de divulgação de certas idéias (criando
uma espécie de hipnose coletiva), ou mediante o uso de bandeiras
que apelem para o sentimentalismo, do tipo “justiça
social”, “sociedade igualitária”, “democracia”,
“cidadania”, “direitos humanos”, “não
à violência”, etc., etc., etc. Exemplo: já
existe hoje, na mentalidade do brasileiro comum menos informado,
a idéia de que somente a reforma agrária irá
promover o bem-estar dos trabalhadores rurais, quando na verdade
nem se está trabalhando realmente pela reforma agrária,
e nem ela é a “pomada maravilha” para o problema
que diz pretender eliminar. Se realmente a
reforma agrária fosse a solução, por certo
não haveria Chiapas (no México, onde a providência
foi tomada no início do século XX) e nem os países
de primeiro mundo, que não fizeram reforma agrária
- apesar de possuírem, como os demais, uma população
rural - teriam atingido o grau de desenvolvimento em que se encontram.
Mas veja você que enquanto se fomenta a violência no
campo, com as invasões do MST em propriedades privadas (produtivas
ou não) e em prédios públicos, nenhuma medida
é tomada, seja para coibir essa violência (gerando
um inconformismo no seio da parcela mais honesta da população),
seja para, mediante uma ação política decisiva,
dividir as terrinhas brasileiras entre os “reivindicantes”.
Essa frouxidão na atuação do Estado é,
por si, também um sinal claro de posicionamento à
esquerda, não apenas porque deixa com que o movimento estimule
a piedade no coração dos ingênuos, que, com
isso, se tornam favoráveis ao movimento, apesar da subversão
da ordem e do ordenamento jurídico vigente (embora o apoio
popular esteja ficando cada vez menor), além de permitir
a violência, elemento típico de uma das linhas da esquerda,
conforme já lhe falei no início.
Outro exemplo: já está se criando na cabeça
da população brasileira a idéia de que nós
somos racistas. Ora, meu Deus, nenhum país no mundo se miscigenou
tanto quanto o Brasil (é dificílimo apontar um brasileiro
que pertença à raça branca pura); nenhum país
no mundo cantou tanto em prosa e verso a graça e a beleza
da mulata; nenhum país no mundo convive tão bem com
pessoas das mais variadas raças e origens quanto o Brasil.
O que existe, sim, é um preconceito social, não racial
(embora, é claro, haja pessoas racistas, o que não
significa que o país o seja. Isso somente seria verdadeiro
se a maioria da população pensasse assim). Veja, por
exemplo, se Pelé ou outro negro ilustre não é
reverenciado, bajulado e tratado com o maior respeito do mundo ante
sua posição social ou profissional. Mas veja, também,
qual é o tratamento dado a um branco, louro, de olhos azuis,
que ande maltrapilho pelas ruas, ou que tenha se tornado um gari
ou outra profissão de “menor valor” na escala
social. Outro dia mesmo, durante o discurso do Serra, no lançamento
de sua pré-candidatura, ele teve o desplante de dizer que
o General Alves (que eu conheço muito bem) foi o primeiro
negro a atingir esse posto. Mentira! Antes dele houve outros. É
claro que não na mesma proporção dos brancos
(como também entre os juízes a proporção
de brancos é muito superior). Mas o processo seletivo é
sempre o mesmo, jamais tendo havido qualquer proibição
de acesso a negros. É preciso entender que o baixo percentual
de negros em profissões que exigem maior nível de
instrução deve-se, simplesmente, ao fato de que logo
após a abolição da escravidão, no final
do século XIX (1888), a grande maioria dos negros, então
absolutamente incultos e sem meios de sobrevivência, acabaram
indo para as grandes cidades tentar a vida como caixeiros de loja,
como empregados de famílias abastadas, como engraxates, como
moleques de recado, como conseguissem, enfim. E aqueles que não
puderam arrumar um emprego que também lhes servisse de moradia
(o que era muito comum naquela época), foram aos poucos fundando
as favelas (principalmente do Rio, de São Paulo, de Belo
Horizonte, de Recife e de Salvador), onde continuaram a ter condições
de vida miseráveis, muitas vezes até mesmo pior do
que a que levavam como escravos. Como o salário que recebiam
mal dava para se manterem vivos, evidente que nem mesmo lhes passava
pela cabeça estudar, o que era coisa para rico (salvo raríssimas
exceções, como Cruz e Souza, Tobias Barreto, Machado
de Assis - filho de um mulato pintor de paredes e de uma lavadeira
-, José do Patrocínio - filho natural de um padre
e de uma quitandeira mulata -, o geógrafo recém-falecido
Milton Santos e muitos outros). E mesmo essas exceções,
bem como outros negros ou mulatos que se deram bem na vida (Pixinguinha,
Dorival Caymmi, Sílvio Caldas, Grande Otelo, Ângela
Maria, Alcione, Sandra de Sá, Milton Nascimento, Djavan,
Gilberto Gil, Carlinhos Brown, Pelé, Popó, Milton
Gonçalves, Taís Araújo, Camila Pitanga, Valéria
Valeska – a “Globeleza”, fora muitos professores,
advogados, médicos e outros profissionais negros e mulatos
neste país) nada mais fizeram do que comprovar que com esforço
e determinação qualquer um pode chegar onde quiser,
desde que não seja obrigado, por um regime opressivo, a um
trabalho de que não gosta ou para o qual não tem aptidão,
como acontece nos regimes ditatoriais, nitidamente os comunistas
(únicos ainda hoje existentes nessa modalidade, como Cuba
ou a China, sem falar nos de ditadura religiosa, como é o
caso do Irã ou do ex-Talebã no Afeganistão).
Pois bem. É comum hoje em dia, por exemplo, você ouvir
no rádio ou na televisão, ou mesmo ler em jornais,
a seguinte notícia: “Pesquisas demonstram que mais
de 80% dos detentos no Brasil são negros, o que leva à
conclusão da existência do racismo no País.”
Ora, meu Deus, nada mais falacioso! O que acontece é que
a parcela mais pobre da população brasileira - principalmente
no Rio, São Paulo, Salvador e outras grandes capitais, onde
o crime é indiscutivelmente maior do que nos pequenos centros
- é constituída por negros ou mulatos, vivendo em
favelas, bem pertinho da “elite criminosa” do país.
Desse modo, além de terem maior facilidade de acesso à
criminalidade (muitas vezes são mesmo “obrigados”
a isso, por força das circunstâncias), ainda por cima
não têm condições de pagar um bom advogado
para defendê-los. Se negros e brancos vivessem todos em iguais
condições e, mesmo assim, o percentual de detentos
fosse formado preponderantemente por negros, aí sim, poderíamos
dizer que há racismo no Brasil.
Está vendo como existe uma distorção de fatos
e de dados estatísticos, para fazer com que o brasileiro
acredite possuir um defeito moral que, na verdade, não possui?
Sem falar, é claro, que com isso (além da absurda
“quota para negros”) aí mesmo é que acabaremos
nos transformando em um povo racista, com ódio mortal de
brancos contra negros e vice-versa.
Não é, portanto, o “racismo” que precisa
ser combatido, mas sim as disparidades sociais, promovendo cada
vez mais oportunidades para todos, o que só o capitalismo
provou ter feito, ainda que não completamente. Tal combate,
entretanto, nunca é realizado porque se o fosse acabaria
com o terreno fértil para que a esquerda pudesse continuar
agindo. Em uma sociedade em que há a menor disparidade possível,
também há menor possibilidade de sucesso de doutrinas
esquerdistas. Diga-me, por exemplo, qual o país comunista
que produziu uma sociedade próspera e desenvolvida? Qual?
Qual?
Mas isso tudo faz parte da chamada “luta de classes”,
tão incentivada pela esquerda (você se lembra do trecho
do Manifesto Comunista de Marx e Engels, em 1848, que prega isso
claramente, não?). Já foi criada até uma Secretaria
Nacional de Combate ao Racismo (com site na Internet e tudo), o
que só serve como cabide de empregos para mais esquerdistas,
tornando a manipulação uma tarefa estatal, feita com
o dinheiro do contribuinte.
Outro exemplo de hegemonia, sempre produzida pelo “intelectual
coletivo” é a que promovem professores de todos os
níveis, seja fazendo com que os alunos acreditem que o Direito
ianomâmi é mais perfeito do que o brasileiro, seja
promovendo o ódio da população ao Estado (pretendendo
até que José, Maria e o pequeno Jesus tenham fugido
do censo porque odiavam o Estado - lembra-se?), seja achincalhando
com heróis nacionais reconhecidos e louvados desde o nascimento
do Brasil, seja fazendo juízes acreditarem que fazem da lei
“uma promessa vazia”, seja martelando os ouvidos dos
alunos com os mais do que batidos chavões do tipo “ditadura
militar”, “anos de chumbo”, “porões
da ditadura”, seja exortando as crianças a mandarem
literalmente à merda todos os empresários e ricos
do país (como está, ipsis litteris, em um livro adotado
no primeiro grau no Rio Grande do Sul), etc., etc., etc. Lógico
que a esmagadora maioria dos alunos, nem mesmo tendo nascido à
época dos fatos, acredita piamente nas palavras de seus mestres
e dos formadores de opinião (professores e imprensa). E saem,
por aí afora, repetindo a mesma ladainha, colaborando, mesmo
sem o saberem, para a disseminação das idéias
esquerdistas. Ardiloso, não?
É curioso o fato de que, logo após a proclamação
da República, Floriano Peixoto também tenha instituído
um regime de força, tendo até mesmo Rui Barbosa partido
para o exílio (escrevendo, de Londres, as maravilhosas “Cartas
de Inglaterra” e sendo o primeiro estrangeiro a se posicionar
publicamente sobre o célebre caso Dreyfus) e, nem por isso,
os tempos que se seguiram continuaram a martelar a cabeça
dos alunos com chavões do tipo “ditadura de Floriano”,
“anos de chumbo”, etc. Nem mesmo eu, que me formei no
Clássico (segundo grau) em meados dos anos 60, jamais tinha
ouvido falar nisso. Muito menos meu pai, que estudou numa época
que distava dos tempos de Floriano tanto quanto hoje distamos da
contra-revolução de 64. Foi só há algum
tempo atrás, que estudando a História do Brasil, fiquei
sabendo mais a respeito daquele período que marcou o início
da República. Também não se ouve falar nos
“anos de chumbo” do Presidente Vargas, que logo depois
da revolução de 1930, que derrubou a Velha República,
tomou o poder sem ter sido eleito e sequer providenciou a Constituição
do novo regime, a Nova República, gerando a Revolução
Constitucionalista de 1932, em São Paulo. E nem na “ditadura”
desse mesmo Getúlio que, em novembro de 1937, deu o golpe
do Estado Novo, outorgando a Constituição “polaca”
(redigida pelo então Ministro da Justiça, Francisco
Campos, o “Chico Ciência”), amordaçando
o Legislativo e o Judiciário, colocando na clandestinidade
o Partido Comunista e acabando com antigos colaboradores, como Plínio
Salgado (chefe do Movimento Integralista) e outros, além
de em seguida criar a polícia mais terrível que tivemos,
dirigida pelo odiado Filinto Müller. Mas ninguém fala
nisso. Ao contrário, sua figura passou à História
como o “pai dos pobres”, “protetor dos trabalhadores”
e outros apelidos tão glorificantes quanto esses. Ninguém
fala, também, da verdadeira ditadura de Stalin, de Fidel,
de Pol-Pot, de Mao, etc. Mas parece que hoje em dia há um
interesse doentio em manter o ódio e o espírito de
vingança (quando, na verdade, deveríamos é
ser agradecidos pelo fato de as Forças Armadas terem nos
livrado do regime comunista a que, à força, queriam
nos submeter), o que acaba revertendo em desserviço ao país,
que, com isso, demora muito, mas muito mais tempo para se desenvolver.
O efeito multiplicativo da hegemonia é impressionante, pois
as bobagens passam a ser repetidas não apenas conscientemente,
por aqueles que têm esse papel como missão, mas também
pelos absolutamente desinformados, que se deixam levar pela onda
apelativa dos “argumentos”.
Também se pode sentir o efeito da hegemonia em decisões
judiciais, por exemplo. Lá no Rio Grande do Sul, governado
pelo petista Olívio Dutra, o Poder Judiciário já
está infestado de juízes que, conscientemente ou não,
estão alinhados com essa técnica gramsciana. Não
são poucas as decisões - de primeira e de segunda
instância - favoráveis aos sem-terra, em detrimento
de toda uma construção jurídica baseada no
direito à propriedade privada (constitucionalmente garantida,
diga-se de passagem). Em nome de “direitos humanos”,
“justiça social”, “democracia” e
“cidadania” - aqueles chavões que já mencionei
-, fazendeiros ficam sem suas terras, perdem seu gado e vêem
desmoronar em poucas horas o que eles ou seus antepassados levaram
anos ou décadas para construírem. Tudo isso à
força. Posso lhe enviar, se você quiser, um artigo
que relata muito bem o que anda acontecendo por lá.
Mas isso não é apanágio do Rio Grande do Sul,
não (embora lá seja mais flagrante). Em todos os estados
cuja base econômica seja a agropecuária, com invasões
de sem-terra, isto está ocorrendo. Há uma carta de
uma senhora que vivia em uma fazenda no interior de Goiás,
que é simplesmente impressionante. Os requintes de maldade
com que os sem-terra invadiram sua fazenda e destruíram tudo
o que ela possuía deixam qualquer filme de terror no chinelo.
Posso lhe mandar, se quiser. Evidente que, depois disso, ela foi
morar com a filha, nos Estados Unidos, e não quer mais nem
ouvir falar de Goiás ou do Brasil.
E o Ministério Público, então?
As ações perpetradas por Schelb e seu colega, além
de integrantes da Polícia Federal em Marabá, foram
simplesmente absurdas. Tenho a íntegra da decisão
da Justiça Militar - que declinou de sua competência
em favor da Justiça Federal comum e da comarca de Marabá
-, onde os fatos são relatados com uma clareza de arrepiar
os cabelos. Acho que você se lembra do caso: pulando o muro
(como ladrões de galinhas), as “autoridades”
arrombaram um prédio isolado do Exército e, de armas
na mão, renderam o único soldado ali presente, ameaçando-o
caso não entregasse documentos referentes a informações
sobre o MST. Ora, ora, em todo e qualquer país sério
deste planeta as Forças Armadas possuem um órgão
de inteligência, justamente porque, constitucionalmente, são
garantidoras da lei e da ordem. E se há algum tipo de movimento
que as ameace (a lei e a ordem), evidente que devem estar bem informadas
sobre isso para, se for o caso (mediante ordem do Presidente da
República), poderem agir. Agora imagine se o movimento ganha
proporções incontroláveis, exigindo a intervenção
do Executivo e, quando vier a ordem do Presidente (que no atual
regime nunca virá, é lógico!), o Exército
responder: “Que MST? O que é isso? Nem sabemos onde
eles estão e nem como atuam! Desculpe, Presidente, mas não
vamos poder agir por absoluta ignorância do problema”.
Mas o Presidente Nacional da OAB afirmou, na época, que,
diante das informações colhidas pelo Exército
sobre o MST, sentia “um frio na espinha só de lembrar
dos ‘anos de chumbo’”. Dá pra acreditar?
Mas a esquerda, que não é boba nem nada, tem um excelente
serviço de informações, com raízes até
mesmo no exterior. De resto, foi justamente através desse
serviço de informações que ela ficou sabendo
que o Exército possuía documentos sobre a atuação
do MST. Mas ela pode, não é? Olha só a inversão:
a esquerda, sem ter poderes legais para formar uma rede de informações,
consegue estruturá-la e utilizá-la sem qualquer objeção,
enquanto que um dos integrantes do Poder Executivo (o Exército),
que o faz com respaldo constitucional (como em qualquer país
do mundo), vê-se acusado de um hediondo crime. Onde é
que nós estamos? Que país é esse?
Esta afronta a instituições
nacionais não se dá apenas com o Exército ou
as demais Forças Armadas. Ocorre também com várias
outras instituições, como as Polícias Militares
e Civis e, acredite ou não, com o próprio Poder Judiciário.
Hoje mesmo eu acabo de ouvir, pela CBN, um verdadeiro descalabro:
quando o repórter perguntou ao entrevistado (um médico)
se o excesso de casos de erros médicos (estava se referindo
a um cirurgião plástico aqui do DF que ontem, pela
5a. vez, perdeu uma paciente devido a complicações
de cirurgia) não seria o resultado de um corporativismo (e
é, pois eu fiz parte do “sistema” e o conheço
muitíssimo bem, e por isso mesmo tratei de sair fora dele),
ouvi o entrevistado dizer, com a maior cara de pau, que a culpa
é do . Judiciário! Pode uma coisa dessas? Outro dia
assisti a uma reportagem sobre um indivíduo que ficou (ou
ainda está) preso durante 6 anos sem julgamento, e logo o
jornalista afirmou que a culpa é do Judiciário. Isso
é uma mentira deslavada! A culpa é de todo o governo
federal, que não se preocupa em aparelhar convenientemente
o Poder Judiciário. Acho que esse jornalistazinho nunca fez
uma visita a uma das Varas deste País, para ver as pilhas
de processos que se amontoam nas estantes (o nosso Tribunal é
uma verdadeira exceção, por motivos diversos que não
me cabe agora declinar). Em outra ocasião ouvi um jornalista
(Franklin Martins) dizer que “temos que criar uma lei exigindo
que os processos que envolvam fraude eleitoral devem ser julgados
em no máximo 6 meses!” (ele estava se referindo ao
caso do governador do Piauí - o “Mão Santa”,
que só foi afastado, por fraude eleitoral, quase no final
de seu mandato). Concordo integralmente! Só que ele se esqueceu
de levar em conta que num processo desses há inúmeros
percalços, as provas devem ser muito bem analisadas (e não
são poucas, pois uma fraude eleitoral é sempre multifacetada),
muitas vezes sendo necessária a troca de ofícios entre
autoridades diversas e tudo o mais. O que ele deveria ter dito é:
“Precisamos aparelhar melhor o Poder Judiciário, para
agilizá-lo”. Mas você já ouviu a imprensa
defender essa bandeira? O resultado é que a população,
que de nada entende, acaba achando que os juízes são
todos uns boas-vidas, ganhando rios de dinheiro, que não
querem nada com nada e que pouco estão se lixando para o
problema das partes. Você percebe a manipulação?
Pois isto também faz parte da técnica esquerdista
(no caso, mistura de Gramsci com Lênin). Primeiro destrói-se
o respeito que a sociedade tem em suas instituições
e depois, sob o pretexto de que é preciso melhorá-las,
elas são entregues a pessoas “competentes”, estas
sim, capazes de resolver os problemas dos pobres, dos injustiçados,
etc. e tal. E aí, meu filho, bem, aí, ai de nós...
O mesmíssimo acontece com o Poder Legislativo: fomenta-se
a sua corrupção (com o dinheiro do contribuinte, é
claro) e depois se denuncia, de forma generalizada, passando a população
a acreditar que todos os políticos, sem exceção,
são corruptos. Então vem o período eleitoral,
e eles começam a dizer que é preciso acabar com a
corrupção, o que só poderá ser feito
se você, eleitor, votar no PT, no PC do B, etc. (A propaganda
do PT na televisão, por exemplo, é cheia de amostras
da “boa administração” do partido, como
se aquilo que aparece nos filminhos que eles fazem fosse verdade!).
É claro que eu sei que também políticos da
direita ou de centro-direita usam o mesmo método em época
de eleição. O problema é que estes, se não
agradam à esquerda, são logo colocados para fora (Collor,
ACM, Arruda, Luís Estevão), enquanto que os esquerdinhas
não deixam o poder por nada deste mundo. Há como que
uma couraça que os protege. Lá
no Rio Grande do Sul, por exemplo, já reina a mais absoluta
paz, mesmo depois de terem sido descobertas mil falcatruas do PT
do Olívio Dutra (lembra-se?). Ademais, até mesmo antes
disso já existia na Assembléia Legislativa um processo
de impeachment para colocá-lo na rua, mas o patrulhamento
da esquerda (não só do PT) não permite que
isso aconteça e nem que a população saiba do
fato. Veja, por exemplo, como a mídia protege a prefeita
petista Marta Suplicy. Se as chuvas que caíram nesta semana
sobre São Paulo, provocando os estragos que provocaram, tivessem
ocorrido em tempos de Maluf ou de outro prefeito qualquer da direita,
pronto: a imprensa “cairia de pau”, mostrando repetidamente
várias cenas de pobrezinhos desamparados, de descontentamentos
com o governante, etc. e tal. Mas como foi com a prefeita petista...
Mas continuemos. A “hegemonia”, promovida pelo “intelectual
coletivo”, também usa o método da desinformatzya,
que consiste em manipular dados desmentindo a verdade e verdadeirizando
a mentira. Esse método foi denunciado por George Orwell,
na década de 40, em seu estupendo “1984”. Exemplo:
“O comunismo acabou!”, afirmação feita
aos quatro ventos após a queda do muro de Berlim e o esfacelamento
da URSS, que na verdade só serve para abrir mais espaço
para a esquerda agir livremente. Outro exemplo: o governo anuncia
que em “x” anos irá erradicar determinada doença
no país. Se não o faz e a doença continuar
grassando, em seguida eles tratam de “apagar” os dados
anteriores, jogando a público outros dados, fazendo o povo
acreditar ou que a doença foi erradicada (mesmo não
o tendo sido) ou, pelo menos, que passou a apresentar índices
“satisfatórios”, ou que é necessário
“tomar medidas” para erradicar essa mesma doença.
Com isso, lá se vai mais dinheiro do contribuinte, que, já
nem se lembrando mais das promessas anteriores, acaba concordando
pacatamente com aumento de impostos, com taxações
extras, e tudo o mais. É assim hoje com a inflação,
com os índices de alfabetização, de aidéticos,
de tudo o que você possa imaginar. Há poucas semanas,
o Jornal Nacional transmitiu uma notícia sobre o caos na
Argentina, mostrando o quebra-quebra que o povo estava promovendo
por lá. Adivinhe qual foi a notícia seguinte, sem
intervalo, sem nada? Que a balança comercial brasileira estava
superavitária, que nós estamos crescendo, que vivemos
em um verdadeiro Xangrilá. Percebe a manipulação?
Isto é desinformatzya.
Outra técnica da desinformatzya que está sendo muito
empregada atualmente é a de fazer com que a população
acredite que tudo o que há de bom neste país foi produzido
pela esquerda. A Previdência Rural, por exemplo, foi instituída
em 1969, pelo então Ministro Jarbas Passarinho, em pleno
regime militar. Mas eu mesma ouvi o FHC afirmar, com todas as letras,
que foi seu governo que a criou. Do mesmo modo como afirmou que
nenhum governo havia investido mais em energia elétrica do
que o dele, quando é patente que o maior investimento no
setor foi feito pela “ditadura”. O mesmo acontece com
outros projetos levados a cabo nos tempos dos militares, e que acabam
passando para a população como obras do governo de
esquerda. É como seu eu recolhesse todas as boas sentenças
que você prolatou e, apagando o seu nome de todas elas, saísse
por aí espalhando que fui eu que fiz. E, sem ter espaço
para se defender, você seria obrigado a “engolir o sapo”.
Como é que você se sentiria? E depois ainda vêm
falar em “ética”...
Há também, é claro, a inoculação
do ódio nos corações das pessoas. Veja, por
exemplo, esta frase de Che Guevara, ainda hoje tida como “lapidar”,
e que pode ser encontrada em seu famosíssimo “Mini-manual
do Guerrilheiro Urbano”, publicado em dezenas de países:
“O ódio como fator de luta. O ódio intransigente
ao inimigo, que impulsiona além das limitações
naturais do ser humano e o converte em uma efetiva, seletiva e fria
máquina de matar. Nossos soldados têm que ser assim.
Um povo sem ódio não pode triunfar sobre um inimigo
brutal”.
Agora veja esta outra, de Carlos Marighela, chefe da ALN (Aliança
Libertadora Nacional), que tinha em seus quadros
Sua Excelência, o atual Ministro da Justiça:
“É necessário que todo guerrilheiro urbano mantenha
em mente que só poderá sobreviver se estiver disposto
a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão.
E se está verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza
dos grandes capitalistas, os latifundiários e os imperialistas”.
E Lula, em suas várias declarações sobre a
morte do prefeito Celso Daniel, afirmou que “Ele (Celso Daniel)
se encontrará com Marighela, Guevara, Paulo Freire, Henfil,
Betinho, Chico Mendes, Toninho e os sem-terra”. Pode uma coisa
dessa? Se você prestar bastante atenção, vai
se dar conta de que a todo dia há declarações
no sentido de endeusar verdadeiros criminosos e de ridicularizar
os homens de bem que se preocuparam ou se preocupam em fazer algo
de bom para este país, ou que simplesmente discordam, publicamente,
das idéias da esquerda.
Como é que se explica que enxovalhem o nome de um Duque de
Caxias (com tantos feitos heróicos em nossa História),
enquanto que Carlos Lamarca, Carlos Marighela, Che Guevara e outros
guerrilheiros, que nada mais fizeram do que instituir o terror por
onde passavam, acabem virando nomes de ruas, praças, monumentos,
etc? Onde é que arrumam “cara de pau” para dizer
que eles lutavam pela “democracia”, se o que sempre
quiseram foi implantar o regime comunista na América Latina?
E o comunismo, como qualquer pessoa minimamente
honesta reconhece, nada tem a ver com democracia, se por esta entendermos
liberdade, pluralidade de idéias e de opções,
exercício de direitos políticos (votar e ser votado),
poderes constitucionalmente constituídos, direito de ir e
vir, etc. e tal. Mas já há até um projeto pretendendo
incluir a biografia do “herói” Carlos Lamarca
no currículo escolar de nossas crianças. E ninguém
faz nada! Ninguém diz nada! Minha sorte é que não
tenho mais filhos pequenos para criar... Porque vai ser difícil,
muito difícil ensinar aos filhos os valores morais e éticos
que nos foram legados por nossos antepassados. Com que autoridade
poderemos dizer a eles para não roubar, não matar,
não desrespeitar as leis, se os “heróis”
que lhes estão sendo apresentados nada mais fizeram do que
tudo isso?
Mas a “hegemonia” continua agindo, fazendo com que uma
enorme mentira assuma a feição de uma cândida
verdade. E, igualzinho como se faz com o trio elétrico, o
povo vai atrás...
Bem, caríssimo, exemplos da técnica da “hegemonia”
podem ser dados aos montes. Se você quiser, enumerarei mais
uns. É só dizer.
Passemos agora à outra técnica gramsciana,
muito utilizada:
II. Ocupação de espaços: consiste
em colocar em postos-chaves pessoas do “partido”, ou,
pelo menos, da mesma linha ideológica. Praticamente todo
o Ministério e o primeiro escalão do governo FHC são
ou foram compostos de pessoas de esquerda, muitas delas com um passado
nada recomendável: Aloysio Nunes Ferreira, Ministro da Justiça
(o nosso “Ronald Biggs”, cujo curriculum vitae já
lhe mandei); José Serra, Ministro da Saúde (que também
integrou movimentos revolucionários nos anos 60/70); Raul
Jungmann (homem nitidamente alinhado com a esquerda; recentemente
chegou até a ir prestar solidariedade ao José Rainha,
líder do MST, grande agitador, que já foi condenado
por homicídio e ficou por isso mesmo [a imprensa fica caladinha
sobre isso]; mas como ele, coitadinho, havia sido baleado, lá
estava o Ministro para se solidarizar com o líder dos “sem-terra”;
gostaria de saber se a sua mãe, meu amigo, fosse baleada
por algum bandido, o Ministro iria consolá-la); Francisco
Wefort, Ministro da Cultura (conhecidíssimo homem de esquerda);
Sérgio Mota, ex-Ministro das Comunicações (ligado
ao FHC e à ideologia da esquerda desde os tempos da “ditadura”);
José Carlos Dias, ex-Ministro da Justiça (esquerda
até à alma); José Gregori, também ex-ministro
da Justiça (que se se inclinar um pouquinho mais para a esquerda
acabará caindo no chão, de tão “jacobino”);
Reichtull, ex-Presidente da Petrobrás (que fez mil e uma
irregularidades à frente da estatal, homem ligado ao MR-8,
movimento revolucionário dos anos 60/70); reitores de Universidades
públicas e privadas (inclusive as católicas), federais
e estaduais, muitos deles nitidamente alinhados com a esquerda;
e assim por diante. No início desta semana, por exemplo,
tomou posse como chefe do Arquivo Público do Rio de Janeiro
uma mulher que, nos “anos de chumbo”, foi militante
ativa da esquerda, tendo inclusive participado de seqüestros.
Mais uma terrorista no poder! Certamente foi escolhida a dedo, já
que terá a oportunidade até mesmo de “criar”
documentos que “comprovem” as “maldades”
cometidas pelo regime militar. Ou que “comprovem” que
o Marechal Osório (o Marquês do Herval), Castelo Branco,
Jesus Cristo ou qualquer outra figura que o país aprendeu
a reverenciar foi um grande corrupto, um pedófilo ou coisa
do gênero. Aí vem um cineasta qualquer, e dizendo ter
encontrado “provas” disso, monta um filme para “esclarecer”
a população. Como está acontecendo com relação
à Guerra do Paraguai, onde se destrói a figura de
Caxias, conforme mostra o filme que está vindo por aí.
O cineasta (de cujo nome não me lembro agora), teve o cinismo
de afirmar que “descobriu documentos reveladores” de
que Caxias era um terrorista, tendo “atirado cadáveres
infestados do cólera ao rio Paraná”, para contaminar
os paraguaios. Bem, meu caro, como a burrice é um mal nacional,
evidente que a maioria das pessoas nem pára para pensar que
esse rio vai banhar também a Argentina, nossa aliada na guerra,
o que seria um absurdo. E ninguém também se dá
conta de que o vibrião colérico só foi descoberto
muito mais tarde, e que na época de Caxias nem se sabia o
que era isso. Mas o povo acredita, é lógico. Isto
nada mais é do que mistura de desinformatzya e hegemonia,
pela ação do “intelectual coletivo”.
Quer maiores exemplos de “ocupação de espaços”
do que estes que enumerei acima? Então, vamos lá!
O Legislativo está repleto deles: José
Dirceu (que depois de ter feito curso de guerrilha em Cuba, trabalhou
como espião para Fidel Castro durante vários anos
e agora, cinicamente, peticionou à Comissão de Anistia,
requerendo o pagamento de indenização pelo tempo em
que esteve exilado - na verdade não foi exilado, e sim trocado
pelo embaixador americano seqüestrado por seus “amiguinhos”
guerrilheiros - e vai receber cerca de R$ 60 mil dos cofres públicos,
porque, é lógico, o pedido já foi deferido),
José Genoíno (que participou da guerrilha no Araguaia,
como todo mundo sabe), Jandira Feghali (do PC do B do RJ) e muitos
outros (que estou com preguiça de nominar, mas que se você
quiser posso fazê-lo em outra oportunidade), que se elegeram
justamente porque se faziam de coitadinhos, apregoando aos quatro
ventos que haviam sido cassados, presos, exilados (viu só
que handicap fabuloso?), como se isso fosse indicativo de suas qualificações
para os cargos que pretendiam ocupar. Pobre povo brasileiro que
se deixa iludir a esse ponto!
Mas não é só no âmbito federal que isso
ocorre. Os estados e municípios estão repletos de
políticos gramscianos, quando não trotskistas. É
o caso de Olívio Dutra, no Rio Grande do Sul, de Zeca do
PT no Mato Grosso do Sul, de Dante de Oliveira, de Mato Grosso (completamente
voltado para a esquerda), de Capiberibe, governador do Amapá
(super de esquerda, tendo também participado de movimentos
revolucionários durante a “ditadura” - MR8 ou
VPR), do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes (vermelho até
dizer chega, um dos fundadores, no exterior, da FBI - Frente Brasileira
de Informações, encarregada de coordenar a remessa
de dinheiro para a guerrilha no Brasil nos anos 70 e de enviar militantes
para fazerem curso de guerrilha em Cuba), do ex-governador de São
Paulo, Mário Covas (que era totalmente ligado à esquerda,
desde antanhos), fora os prefeitos da mesma linha (também
posso dizer alguns nomes depois, se você quiser). Aliás,
vale a pena ler o livro “A Grande Mentira”, do meu amigo
Del Nero, para você ficar sabendo das ações
“democráticas” de muitos desses “santinhos”.
No último dia 6 tomou posse, no Tribunal de Justiça
Militar do RS (que julga crimes praticados pelos integrantes da
Polícia Militar gaúcha) o ex-guerrilheiro da VPR,
João Carlos Garcia, um dos 70 prisioneiros trocados pelo
embaixador suíço Giovanni Bucher, seqüestrado
pelos guerrilheiros durante os “anos de chumbo”. Mais
um caso de “ocupação de espaços”.
Também na atividade privada ligada à formação
de opiniões a “ocupação de espaços”
se faz sentir com clareza. A maioria esmagadora
dos canais brasileiros de imprensa (jornais e revistas, TV e rádio)
está hoje na mão de esquerdinhas do tipo Franklin
Martins (com folha tão suja quanto à do Aloysio Nunes
Ferreira), Boechat, Santayana, Caco Barcellos, Maria Lídia
(CBN), Elio Gaspari e tutti quanti. Exceções
são cada vez mais raras: Carlos Chagas, Alexandre Garcia
e... não me lembro de mais ninguém. É que virou
moda, entendeu? É in ficar do lado da esquerda, dizendo bobagens.
É out contestá-las. E muitas pessoas, por falta sei
lá do quê (instrução, informação,
discernimento, juízo), acham “lindo” fazer discursos
apelativos, emocionais, baseados em bandeiras que nem elas mesmas
sabem definir (cá entre nós, nunca vou me esquecer
do “discurso” que nossa colega fez em sala de aula ao
afirmar que os juízes fazem, sim, da lei “uma promessa
vazia”).
Mas tem mais: você já ouviu falar
no Instituto Ethos? Não? É uma entidade privada, espécie
de ONG, que agrupa empresas de vários tipos com a finalidade
de promover assistência social. Parece lindo, não?
Só que o que acontece, na realidade, é que muitos
dos empresários estão ficando literalmente apavorados
com o avanço da esquerda, e tentam, de todo o modo, ficar
“amiguinhos” dela, a fim de serem poupados no futuro.
Eles conhecem muito bem o que aconteceu com os empresários
em Cuba, na antiga URSS, na China, na Albânia, em todos os
lugares onde o comunismo impera ou imperou. Se você
não sabe, posso lhe dizer depois (agora o assunto é
outro). É lógico que não sou contra as empresas
fazerem obras sociais, muito pelo contrário. Aliás,
acho dever de todo cidadão ajudar o próximo, na medida
do possível. O problema é o motivo que leva as pessoas
a agirem assim, o que, no mínimo, já retira todo e
qualquer valor moral de suas ações. E no caso do Ethos,
seu idealizador é um empresário amicíssimo
de Lula e de Menegheli, e que confessa aos quatro ventos que “adooooooora”
o PT. Mas cabe uma pergunta: se o governo é tão preocupado
com as questões sociais, se vive levantando essa bandeira,
se vive nos arrochando cada vez mais (o FHC chegou a dizer - eu
vi com esses olhinhos que a terra há de comer - que toda
a arrecadação do Imposto de Renda vai para obras sociais,
o que justificava o aumento da alíquota; e já anunciou
o provável aumento do IOF para poder fazer face às
perdas com a arrecadação do IR), por que raios as
empresas privadas teriam que entrar na dança? Só
pode ser (além do medo que já mencionei) graças
à inoperância do governo, às suas “promessas
vazias”, à corrupção igualzinha à
que havia na Rússia, na Romênia, na Albânia,
ao blá-blá-blá que nada mais faz do que criar
o “ambiente” propício, preparar o terreno para
depois, quando a esquerda já tiver ocupado todo o poder,
os brasileiros idiotas acreditarem que agora, sim, agora tudo vai
ser diferente... Quem viver, verá a diferença!
Pense bem. Se os esquerdinhas do país
estão realmente interessados em proteger os menos favorecidos,
os pobres, os excluídos, por que cargas d´água
vivem fazendo greves de professores, prejudicando, inclusive, o
atendimento em hospitais universitários, que são justamente
voltados para a camada mais pobre da população? Será
que não enxergam que, com isso, acabam prejudicando exatamente
a classe que eles dizem defender? É que essa “defesa”,
creia-me, é meramente retórica, nada tendo de efetivo.
Os números estão aí e não me deixam
mentir.
Eu poderia, ainda, falar na atuação da Igreja, que
também teve e tem um papel decisivo na disseminação
das idéias esquerdistas. Sem lembrar o fato de que muitos
padres, durante os anos 60/70, participaram ativamente da guerrilha
urbana, ou, no mínimo, deram guarida a vários guerrilheiros.
Você há de perguntar: mas será que há
padres comunistas? E eu respondo: Claro que não! O que há
é comunistas padres! Você percebe a diferença?
Não? Então lhe conto: durante muito tempo (e isso
existe até hoje) muitos simpatizantes do comunismo eram cooptados
pela Igreja (como por outras organizações, como as
instituições de ensino, as Forças Armadas,
a Polícia Militar ou a mídia) e aí acabavam
virando padres, professores, militares, policiais, jornalistas,
etc. O processo é por demais conhecido, embora hoje quase
não seja mencionado. Atualmente, por exemplo, nada mais comum
do que imiscuir pessoas nas Forças Armadas e nas Polícias
Militares (como soldados, evidentemente) para que aprendam todas
as técnicas de combate e que depois, ao saírem de
lá, vão integrar quadrilhas de assaltantes, movimentos
guerilheiros (tipo MST) ou coisa parecida. E se alguns deles são
de plano descartados pela corporação, por não
terem sido aprovados em testes psicotécnicos (que logo revelam
suas tendências mais ocultas), sabe o que acontece? Eles procuram
imediatamente um advogado, que entra com uma ação
(geralmente Mandado de Segurança, com pedido de liminar),
e logo são reintegrados porque os juízes, em sua maioria,
nada conhecem a respeito. Já houve vários casos de
pessoas que, tendo voltado à corporação de
origem por força de decisão judicial, acabaram praticando
crimes após os conhecimentos que adquiriram lá. Mas
ai dessas instituições se ousarem barrar o acesso
de potenciais criminosos!
Mas passemos adiante. Uma das maiores demonstrações
da intenção esquerdizante de nosso país é
a nossa tão decantada Constituição de 1988,
cheia de “reivindicações impossíveis”,
à moda de Habermas (que, aliás, pertenceu à
Escola de Frankfurt, encarregada de divulgar a doutrina marxista
na Europa após a primeira guerra mundial - anos 20). Além
do fato, é claro, de incluir em seu texto praticamente todos
os direitos dos trabalhadores, o que, cá entre nós,
é de um absurdo infinito: a par de encher o Supremo - que
tem mais o que fazer, ou pelo menos deveria ter - de causinhas de
domésticas que não receberam o aviso prévio,
ainda faz engessar a economia brasileira. Sim, porque direito de
trabalhador dependerá sempre da saúde financeira de
quem paga seus salários, saúde essa que sofre as mais
variadas circunstâncias, não podendo se prender a regras
fixas de uma Constituição. E num país como
o Brasil, de economia ainda instável (a estabilidade é
meramente aparente), fica difícil ter empregados com tantos
direitos. Veja se é assim no Japão, nos Estados Unidos,
no Canadá, na Nova Zelândia, países muito mais
sérios do que o nosso.
Depois de tudo isso, você irá me perguntar: mas
onde estão os líderes de centro-direita, que não
fazem nada? A resposta é simples: massacrados. Não
conseguem abrir a boca para nada, pois tudo o que disserem será
alvo de uma avalanche de protestos por parte da esquerda brasileira.
Experimente você, por exemplo, dizer em uma entrevista que
é contra a quota para negros ou que o problema do Judiciário
é estrutural e não “ideológico”,
ou seja, que os juízes são, em geral, muito bem preparados
(pelo menos em termos técnicos), mas não conseguem
dar conta de tamanho volume de trabalho. Cai o mundo! No dia seguinte,
se não no mesmo, você será tachado de “nazista”,
de “burguês metido a besta” e de todos os epítetos
que puderem lhe arrumar. E, com isso, mesmo as pessoas que enxergam
o que anda acontecendo, acabam ficando com medo de expressar sua
verdadeira opinião. Resultado: a hegemonia avança
a passos largos, com o “intelectual coletivo” agindo
como a mão invisível do Adam Smith.
Pois é, queridíssimo, a nossa sorte é que enquanto
se faz sujeira durante o dia, o Brasil cresce durante a noite. Sempre
foi assim. Também temos sorte pelo fato de que nem todos
os órgãos, públicos ou privados, foram ainda
tomados pela esquerda. Há, por enquanto, ilhas de exceção.
Mas a continuar desse jeito, em menos de 10 anos Gramsci terá
vencido. Principalmente se levarmos em consideração
o empenho de Fidel e de Chávez, que fazem de tudo para “recuperar
na América Latina o que perdemos no leste europeu”.
E você deve saber muito bem que Lula já esteve visitando
ambos, a fim de buscar “inspiração” para
seu governo, caso seja eleito.
De qualquer sorte, o que me revolta é
ver a absoluta falta de honestidade intelectual que predomina atualmente.
As pessoas fazem, descaradamente, afirmações completamente
falsas, distorcem o passado, dão nó no presente e
ainda projetam um futuro de mar-de-rosas para a população
que, coitada, crédula, vai acreditando nas falsas promessas
do tipo “justiça social”, “cidadania”,
“democracia”, “direitos humanos” e outras
baboseiras esquerdistas do gênero. Mas veja você
que apesar da pesada carga tributária a que estamos sujeitos,
apesar do aumento incessante de tarifas de energia, telefone e o
escambau, apesar das CPMFs da vida e de tantas outras “contribuições”
destinadas, em princípio, a diminuir as desigualdades sociais,
a miséria aumenta a cada dia, com um terço da população
vivendo abaixo da linha da pobreza, segundo as estatísticas
oficiais (não sei se é verdade). A
violência está em uma escalada sem fim. Aliás,
o crime organizado é o braço armado da esquerda, desde
os anos 60, quando os presos políticos, confinados no Presídio
da Ilha Grande, passaram a aprender com os delinqüentes comuns
as técnicas de assaltos, roubos, etc., enquanto que deles
aprendiam técnicas de guerrilha, com uso de armas pesadas.
Veja que vários integrantes das FARC participaram do Fórum
Social Mundial, a convite do governo gaúcho (é mole?).
E olhe que em 2000 foi aprovado o repasse de 700 milhões
de reais para os Estados combaterem a violência! O que fizeram
desse dinheiro? Os serviços públicos de saúde
estão abaixo da crítica. Minha empregada que o diga,
pois desistiu de ficar esperando por um médico de um posto
de saúde, horas a fio, em vários dias, e acabou pagando
todo o salário mensal para fazer o tratamento de que precisava.
E a dengue, então? E as demais doenças endêmicas
que desde Cabral ainda matam milhares de pessoas no Brasil - malária,
doença de Chagas, esquistossomose, leishmaniose? As estradas
estão intransitáveis. A educação vai
de mal a pior, tendo colocado o Brasil em último lugar, entre
32 países, em simples compreensão de textos. Etc.,
etc., etc.
A manipulação de dados e a forma forçada de
se fazer uma pesquisa são uma constante neste país
de idiotas. A Deputada Jandira Feghali (PC do B/RJ), por exemplo,
lançou a seguinte pergunta em seu site: “Você
acha que os ataques ao Afeganistão são a melhor forma
de combater o terrorismo?” Só são oferecidas
duas respostas para o cidadão escolher: sim ou não.
Ora, evidente que os ataques ao Afeganistão não constituem
a melhor forma de combater o terrorismo, e a maioria das pessoas
irá responder “não”. Com isso, qual vai
ser o resultado que ela vai divulgar? Que a maioria da população
brasileira é contra os ataques ao Afeganistão, o que
é coisa completamente diferente do objetivo da pesquisa.
Mais uma manipulação da nossa esquerda.
Você me perguntou, outro dia, como é que um governo
de esquerda pode dar rios de dinheiro para ajudar o PROER. Nada
mais lógico: se antes, por estarem agindo na clandestinidade,
os militantes precisavam assaltar bancos, trens e carros-pagadores
para obter dinheiro para sustentar a guerrilha a fim de implantar
o comunismo, hoje, no poder, conseguem isso simplesmente por meio
de “ações políticas”. Não
é muito mais fácil?
Os governos militares podem não ter agradado a gregos e baianos,
podem ter tido suas mazelas (que sempre existem onde o homem atua,
variando de intensidade de acordo com as boas ou más intenções
que neles habitam), mas sem dúvida levaram o Brasil a um
patamar nunca visto: saímos da 43o. (quadragésima
terceira!) para a 8a. (oitava!) economia do mundo (hoje já
fomos rebaixados para a 10a.), os níveis inflacionários
eram fichinha, havia escola e saúde para muito mais gente
do que hoje, a violência nem de longe chegava ao que representa
atualmente, nossa capacidade elétrica foi multiplicada em
várias vezes, a rede viária foi expandida, o sistema
de telecomunicações foi intensamente incrementado
(fazendo com que saltássemos da Idade da Pedra para a modernidade),
o brasileiro podia confiar em um futuro melhor. Evidente que outros
fatores, além da atuação da esquerda (mas esta
é preponderante), contribuíram para esse caos que
estamos vivendo. Mas se pelo menos tivéssemos continuado
com uma política de Estado, como eles faziam na época,
ao invés de políticas de governo (o chamado “presentismo”),
como se faz desde que o País voltou à “normalidade”,
certamente teríamos continuado a crescer e hoje estaríamos
em condições muito melhores. Mas o revanchismo e o
espírito de vingança, típicos da esquerda sul-americana,
não permitem que andemos para a frente no ritmo que seria
necessário - e perfeitamente possível.
O que acontece é que a esquerda não
“engole” o sucesso do desenvolvimento do país
durante o regime militar. Não consegue admitir que o regime
teve sucesso, inclusive pelo fato de os militares terem acabado
com o “sonho” da implantação do comunismo
no Brasil. O salto gigantesco que fizemos demonstrou a competência
de um regime sério, enquanto que as ditaduras esquerdistas,
do tipo Fidel, não conseguem dar um passo à frente,
deixando a população viver em miséria quase
absoluta. Leia o livro “A Ilha do dr. Castro”,
de Corinne Cumerlato e Dennis Rousseau, recém-publicado,
e que mostra muito bem as “delícias” do país
cubano (aliás, é bom comprar logo antes que acabe,
como acontece com todos os livros que apontam as mazelas da esquerda).
Como dizia o maravilhoso sociólogo
francês Bertrand de Jouvenel, “quanto mais consideramos
a questão [do redistributivismo, ou seja, da passagem do
dinheiro dos ricos para os pobres em governos socialistas ou “sociais-democratas”],
tanto mais claramente se evidencia que a redistribuição
(da fortuna) é, de fato, muito menos uma redistribuição
da renda livre dos mais ricos para os mais pobres, como imaginávamos,
do que uma redistribuição do poder do indivíduo
para o Estado”. (você vai entender isso muito
melhor depois que ler O Jardim das Aflições, do Olavo,
embora ele não fale propriamente de redistributivismo).
Aliás, o redistributivismo é
apenas mais um chavão utilizado pela esquerda, pois ele não
ocorreu nem na Rússsia, nem em Cuba, nem na China, nem na
Albânia, nem na Romênia, nem em lugar algum onde o comunismo
se instalou. Só mesmo um cego para não ver
isso!
Well, espero ter contribuído, nem que seja um pouquinho,
para você entender o quadro sócio-político em
que vivemos. É claro que há muitíssimos outros
exemplos, mas acho que você não gostaria de ler mais
do que esse montão de folhas que eu já escrevi. Além
do mais, também é preciso ter uma boa idéia
do passado de nossa História, da História mundial,
ainda que em linhas gerais, para que se possa fechar o quebra-cabeças
e ter uma noção do conjunto. Como sei que você
é um homem inteligente, é lógico que se houver
algum “claro” com relação a esses temas,
facilmente você irá preenchê-lo. Principalmente
com a leitura de “O Jardim das Aflições”,
que relata minuciosamente a evolução do pensamento
mundial no Ocidente. E, de minha parte, continuo ao seu inteiríssimo
dispor, a despeito de minhas imensas limitações.
Brasília, fevereiro de 2002.
Marli L. C. de Góes Nogueira
Juíza Titular da 6a. Vara do Trabalho de Brasília,
pós-graduanda em Direito Constitucional pela UnB e diplomada
pela Escola Superior de Guerra em 2000.
Colaboração: Marcus C. S. de Grossi
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