A HISTÓRIA TURBULENTA DO CONGO

Nos 40 anos que se passaram desde que a República Democrática do Congo - o antigo Zaire - se tornou independente houve breves períodos de estabilidade. A intervenção militar para derrubar governos ou mesmo roubar civis com o consentimento das autoridades tem sido freqüente.
Mobutu Sese Seko dominou esse país da África central durante três décadas. Ele subiu ao poder com o apoio dos militares e se manteve à frente do país colocando uma facção do exército contra a outra.
A substituição de Mobutu por Laurent Kabila em 1997 depois de uma rebelião alimentou esperanças de que a qualidade de vida da população iria melhorar e o governo se modernizar. Mas o estilo ditatorial de Kabila mostrou que isso não aconteceria.
Apesar disso, a ausência de Kabila desperta temores de um vácuo de poder no país que possa levar a um período de caos, inflamando divisões internas e regionais.
Começo confuso
Na década de 60, quando os países europeus começaram a se retirar da África, houve violentos distúrbios no Congo que levaram o governo da Bélgica a conceder a independência à colônia mais cedo do que se esperava.
Violência têm raízes no passado
Mas a política colonial belga sempre se dirigiu mais à exploração econômica do território africano do que à administração justa e competente do Congo.
A independência do Congo foi mal preparada. O presidente Joseph Kasavubu e o primeiro-ministro Patrice Lumumba tiveram muitas dificuldades em manter o país unido.
Cinco dias depois da independência o exército se amotinou contra os oficiais belgas que ainda o controlavam.
Poucos dias depois, a província de Katanga, rica em minérios, declarou-se independente do país e teve apoio da Bélgica e dos Estados Unidos.
O primeiro-ministro Lumumba pediu apoio de tropas das Nações Unidas, mas a medida foi vetada pelo Conselho de Segurança.
Em 1961, tropas leais ao Coronel Joseph Mobutu capturaram e assassinaram Lumumba - o primeiro-ministro que deixou claro, desde o começo, que não se prestaria a fantoche de poderes Ocidentais nem atenderia aos interesses soviéticos.

Mobutu
Joseph Mobutu assumiu o poder em um golpe de estado em 1965, mudando o nome do país para Zaire e o seu próprio para Mobutu Sese Seko.
Mobutu tomou para si muito da riqueza do país, abrindo grandes contas em bancos europeus. Sua posição de presidente deve muito ao jogo político da Guerra Fria.
Os Estados Unidos queriam usar o Zaire como base para suas operações no país vizinho, Angola, onde os norte-americanos apoiavam a luta dos rebeldes da Unita contra o governo angolano pró-soviético.
Kabila
Laurent Kabila, um revolucionário atuante desde a década de 60, tornou-se presidente depois de uma rebelião apoiada por Ruanda.
Kabila era aliado dos ruandeses da etnia tutsi, que tomaram o poder em Ruanda depois do genocídio de 1994.
Com o novo presidente, o país voltou a ser chamado de Congo, mas agora com o prefixo "República Democrática" para marcar uma diferença com outra nação de nome Congo, no norte. Mas três anos depois ainda não foi convocada uma eleição sequer.
País dividido
A presença de extremistas hutus - inimigos dos tutsis - em solo congolês levou Ruanda e Uganda a desconfiarem da administração Kabila.
Praticamente a metade do país está nas mãos de vários grupos rebeldes. A economia do Congo funciona com precariedade - boa parte dos recursos foram levados para fora do país por Mobutu, houve muitos saques, a indústria extrativa tem se desenvolvido pouco e a agricultura foi minada por combates freqüentes.
Os países ocidentais agora querem que todos os lados sigam o acordo de paz de Lusaka, assinado há um ano e meio.
As Nações Unidas já concordaram com o envio de cerca de 5,5 mil sodados de paz depois que os combates cessarem.
O presidente Kabila foi apontado como alguém que colocava vários obstáculos ao envio dessas tropas.
Em alguns setores, uma troca de liderança no país pode facilitar os planos da ONU.

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